Muito perto de um homem casado

Não tenho motivos, mas odeio minha vida.

2020.10.23 22:11 temporariodesabafo Não tenho motivos, mas odeio minha vida.

Sou homem, pardo de 25 anos, heterossexual, casado com a mulher que amo. Estou um pouco acima do peso, mas nada além de sobrepeso. Moro de aluguel em uma boa casa, onde tenho dois cães e dois gatos, mas sem filhos. Somos ambos concursados da mesma instituição, tirando juntos em torno de 10 mil mensais. Acho que é válido dizer também que sou filho de mãe solteira, cresci numa casa onde ela sustentava dois filhos, meu tio (esse tinha uma condição psicológica que impediu seu desenvolvimento mental, "parou" aos 10 anos) e minha avó viúva, logo, nunca tivemos dinheiro sobrando, mas nunca faltou comida. Atualmente tento reformar a casa dela pra que minha mãe possa vendê-la e se mudar pra mais perto de mim (moro no Paraná, ela no Rio de Janeiro). Acredito que, com tudo que tenho, devia estar ao menos satisfeito com minha vida... Então porque não tem um dia que não sinto que devia ter vergonha de existir? Todos os dias eu me sinto um imbecil inapto. Bem no fundo, desde criança, eu sempre senti que devia ser alguém importante, que ajudaria as pessoas de uma forma fenomenal, que faria a diferença... Mas só o que vejo no espelho é um gordinho triste e sem talentos, um underachiever e underperformer (peço perdão pelo inglês, não encontrei palavras que as substituissem) que cresceu ouvindo que era "muito inteligente". Me sinto um idiota no trabalho quando vejo o quanto meus companheiros sabem e o quão pouco eu sei. Não sou bom nem nos joguinhos que "gosto"... Me sinto um fracasso, me sinto mal por não conseguir pagar o tratamento psiquiátrico da minha irmã, me sinto mal em não poder encher minha mãe com os mimos que ela merece, me sinto mal em ver minha esposa assistindo os canais de skin care dela e não poder comprar todos aqueles produtos, me sinto mal em ver gente contribuindo pra sociedade e eu estando aqui, me lamuriando sem nem saber o que fazer pra mudar essa situação. Queria até fazer uma faculdade na intenção de mudar isso, ganhar uma renda extra, talvez abrir um negócio onde pudesse gerar empregos... Mas não faço ideia nem do que cursar. Não queria compreensão, e espero não ter passado a ideia de que meu problema é só com dinheiro... Meu problema é que mesmo cercado de privilégios que muita gente mataria pra ter, eu só consigo me sentir um merda que só faz desapontar todo mundo, mesmo ninguém me cobrando nada. Não consigo deixar de me sentir um hipócrita egoísta com esse relato, mas to com isso preso no peito há muito tempo... Obrigado pela atenção e me desculpem se me expressei de alguma forma que ofenda alguém.
Edit: Perdão pela formatação, o texto foi redigido pelo celular.
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2020.09.09 22:17 BanselSavant A maldição da demissexualidade

Edit: a "namorada" me chutou. A gente ia se encontrar na segunda, adiou, na semana que vem, agora nunca. Depois n querem meu psicológico fodido. Me dispensou pois pretende se mudar pro nordeste e facilitei isso com umas informações que n tinha. Sucesso pra ela, enquanto eu continuo na merda. Nada muda E a outra lá eu chutei. Sanguessuga malvada
Acho que é óbvio o paradoxo, mas quero discutir. Sim, por causa da pornografia, um monte de fetiches e invejas me surgiram, como pegar em festa, ou em público, ou em situações específicas, etc, mas n sei se conseguiria fazer de fato. Sou um fracasso na vida, logo na sexual também. Todo sexo q tive foi pagando e o que foi "na amizade" mesmo pagando foi o único q gostei, justamente pela amizade, pela conexão, pelo gostar da mina. Posso ficar duraço com uma mina que vejo na rua, mas obviamente n poderia chegar ou tentar algo. Essas histórinhas de rolar com desconhecidos deve ser meme ou com sortudo, como uma que a ex (diaba muito diaba) me contou. Conversaram um pouco na piscina do hotel e foram e fizeram no banheiro. Queria muito saber como ele convenceu ela a isso, como ela n se arrepende e tal (n q deva ter motivo de arrependimento. Quero q ela se exploda), como rola essa conexão. Parece q existe palavra mágica. Invejo esses caras q conseguem boquete aleatório de desconhecida, etc. Roteiro de pornô, mas da uma depre pq existe na realidade e queria q rolasse comigo. Diversas vezes fiquei atraído e seria tão massa se rolasse, sem machismo, sem estupro, sem forçação, sem mimimi, só tesão, dois corpos se pegando. Obviamente acho q n sou atraente. Sou estranho, alto, magrelo, desvio os olhos, etc. (Tou melhorando, mas longe de ser um garanhão) Mas convenhamos q muitos feios pegam, que muitas minas só querem o pau e tão nem aí se o cara é casado, santo ou bate na mãe. Muitas tem seu tesão e queria topar com uma que só rolasse e tal. Seria tão massa. Maaaaas eu conseguiria? O pau continuaria duro? Conseguiríamos um posição confortável? São tantas dúvidas e pensamentos q quase piro. Por outro lado, quero a minha gata, passear pelo corpo dela, endeusá-la, ajudá-la a sentir todo prazer possível. Eu sou romântico. Mas parece que romantismo afasta as mulheres. Qual o problema de meter até o talo sim, num banheiro sujo qualquer, mas com carinho? N gosto mesmo da ideia de objetificar, por mais q tenha meus fetiches de dominação. Dominação é objetificar? O que difere uma mina que gosta de ser chamada de puta do cara que chama ela de puta? Ela é um lixo? Ele é um lixo machista? Acho que notaram q tenho dúvidas sobre pessoas em geral. Gostaria de entender, como lidar com as pessoas, como reconhecer que uma mina tá a fim... É meme aquela história (isso é exemplo) do caminhoneiro que mostrou o pau pra filha do dono do posto de gasolina, incentivou ela a entrar na cabine do caminhão, tocar nele, chupar ele, ele depois mandar ela se limpar e n dizer nada a ninguém e ainda ela ainda ter gostado de tudo isso? N que eu queira mostrar o pau por ai, mas já vi tanta história de cara exibicionista que despertou tesão na mina e comeu ela. Ou é tudo meme? Ou acontece mesmo, principalmente nesses interiores de fazenda, região rural e menos urbana ("menos civilizada")? Pessoal, são dúvidas sinceras. Meio que tou namorando agora e tou sem saber lidar com ela. N gooooosto dela, mas n quero perder ela. Eu sei que pareço um canalha que vai usar ela e depois abandonar, mas realmente n quero isso. Se for para deixar ela, ela vai continuar virgem, pq n vou me aproveitar. Já cometi uns erros na vida e minha disciplina está intacta, meu senso de moral engrossou. N é divertido machucar coração. N é divertido fazer mal a alguém. Mas já vi tanta história de casais q de comum acordo desvirginaram, mas n ficaram naquela de ficarem juntos para sempre. Já vi tanta história de nego q comeu e abandonou e a mina continua a vida como se nada tivesse acontecido, n sente raiva dele e tal. Deliberadamente eu casaria sem hesitar com umas meninas específicas, mas n essa "namorada". Moramos perto, mas ainda n nos vimos pessoalmente. Quando acontecer, vou poder estourar ela de beijos (devo, por palavra dela), mas nem pensar muito em algo sexual. Okay dela n daaar no primeiro encontro. Compreensível, mas em algum momento vai rolar. Acho q sinto um medo de ficar preso a ela. Sou muito sentimental e sabem a ex diaba q citei? Diaba pq ela casou e ainda me contata. E ela é de outro estado e nunca nos vimos pessoalmente. Ela me persegue, acho q esperando q eu mande ela tomar no cu e bloqueie. Mas n sou de fazer isso. Tenho raiva dela, mas se eu externar, meu coração q vai sentir e n vou ter um piripaque por causa dela. Mas é notável q ainda sou um pouco preso a ela. N no sentido amoroso ou sexual (quero que ela se exploda²), mas n consigo levantar o dedo para dar fim de vez a esse contato. Sinto q eu perderia algo. Sabem a história dela com o cara na piscina? Consegui arrancar dela indagando sobre tesão feminino, oq no homem atrai a mulher e tal, pois já que ela é mulher experiente e eu preciso de respostas, resolvi tentar aprender um pouco, tirar algum proveito dela, depois dela brincar tanto comigo. Gente, o que eu faço? Tou certo em algo? Tou errado em algo? Em q? Oq faço? N quero machucar ninguém e com essa postura acabei bem machucado pelos anos ae (antes e depois de eu ter cometido os uns erros que citei)
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2020.09.02 01:27 Atlamutantion Vivendo com uma mãe abusiva

Título auto-explicativo. Minha progenitora cai dentro do espectro narcisista, e por falta de saber lidar com a própria merda, fez da minha vida um inferno.
Acho que gatilho um estresse pós-traumático nela, por ser muito parecida com meu pai, em jeito e quando mais nova em aparência. Quando eles eram casados, ouvia muitos "Seu cabelo é tão lindo!", depois do divórcio isso magicamente virou "Seu cabelo é muito cheio, igualzinho ao do seu pai. Parece um ninho de rato." E por aí vai.
Com 11 anos, ouvi um "Nossa, Atlamutantion! Como você tá magra. Tá achando que homem gosta de mulher magra assim, é? Homem gosta de lugar pra pegar."
Com 12, parei de desenhar porque ela dizia que meus desenhos eram feios e mostrava desenhos de crianças prodígios, que com 9 conseguiam ilustrar hiper-realismo.
Com 14, ela namorou meu abusador. Mesmo depois de saber o que aconteceu, continuou escondido com ele, por pelo menos um ano. Isso enquanto dizia pra mim que já estavam acabados, mesmo eu sabendo a verdade. Ela também não me deixou denunciá-lo porque disse que isso destruiria a vida dele.
Com 16, ela me colocou de joelhos pelo cabelo e meteu o dedo na minha cara, enquanto gritava.
Com 17, ela roubou meus travesseiros, dizendo que eram dela, e eu só podia ficar porque ela estava me "emprestando" eles.
Com 18, ela parou completamente de lavar minhas roupas e me proibiu de usar a máquina de lavar. A desculpa é que dá muito trabalho.
O que mais me dá raiva é ela fazer tudo isso e mesmo assim conseguir enganar todo mundo. Pros amigos/conhecidos dela, mantém a imagem perfeita de mãe "guerreira" e "trabalhadora". Me trata bem e com carinho na frente deles, tira crédito das minhas conquistas que não moveu um dedo pra me ajudar. Toda vez que ela age carinhosamente comigo me dá literalmente vontade de vomitar. Sinto todo aquele suco gástrico e resto de comida se revirando no meu estômago só de pensar.
O único sentimento que sinto por ela é repulsa e a vontade de q ela se foda o tanto que fodeu minha vida, física e psicologicamente. Acho que a lição, no caso dela, só vai vir quando eu tiver estabilidade o suficiente pra me mudar e cortar todo o contato e impedir que ela controle minha vida. Quero ver como ela vai se sentir sem o saco de pancadas por perto.
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2020.08.13 13:18 Shadowgirl7 Mulheres do r/Portugal, já se sentiram vítimas de sexismo/machismo? Se sim, em que situações?

Algumas situações:
Provavelmente mais situações, mas muitas das vezes nem sequer as registo porque acho que é "normal" e mais vale ignorar e continuar com a minha vida. No entanto, tenho andado a ler relatos no twoXChromossomes e agora olhando em retrospectiva, sinto-me mal por ter encarado isso como normal e não ter uma postura mais assertiva. Se todas encararem como normal isso vai mandar a mensagem ao outro lado que sim é normal o que eles estão a fazer e podem continuar a fazer.
Portanto, partilhem relatos e experiências :)
EDIT:
Alguns exemplos de situações que quem está a comentar ao post acha "normais":
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i8e8np/shamed_by_my_doctor_for_having_sex/
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i8w8jx/humiliated_by_a_doctor_in_front_of_30_people_fo
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i8dh5n/was_i_f27_raped/
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i8e3qp/he_doesnt_take_no_for_an_answe
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i84fw9/teach_boys_how_to_control_themselves_instead_of/
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i81kok/coming_to_terms_with_something_that_happened_ove
https://old.reddit.com/TwoXChromosomes/comments/i7qcbp/my_boss_called_me_ugly/
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2020.07.25 07:14 Spirited-Dance Pequenas coisas que já me irritaram muito

Algumas coisas na vida que há tipo 20 anos eram muito importantes pra mim, hoje em dia não importam tanto. Situações que no passado me causaram raiva ou tristeza, hoje em dia eu consigo lembrar e até rir. Mas tem algumas pequenas coisas na minha vida que me causaram muita irritação no passado e que mesmo hoje em dia quando eu penso, eu ainda me incomodo um pouco com elas. Não são tipo "meu deus do céu, grandes traumas que vou carregar até a morte", mas são coisas levemente irritantes quando me lembro delas.
Bom, é isso. Coisas super irrelevantes, mas só queria compartilhar. Estava pensando na vida hoje no trabalho e lembrei dessas histórias.
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2020.07.16 16:28 fobygrassman ENCONTRE MULHERES CASADAS, PORÉM CARENTES ESTA NOITE

ENCONTRE MULHERES CASADAS, PORÉM CARENTES ESTA NOITE Descubra como acessar e conhecer mulheres casadas porém carentes em apenas 10 minutos
Casadas Carentes: As 5 melhores maneiras de conhecer casadas carentes em menos de 2 horas Escrito por uma dona de casa traidora real.
Casadas carentes são mulheres presas em relacionamentos de longo prazo não satisfeitas com o atual companheiro. O marido não a dá a atenção que ela merece, não a faz se sentir sexy, desejada, ou como um dia a fez sentir. Ela carece afeto, tesão, ou mimos. Elas sentem falta destas coisas, e tem desejos de procurar homens que ajudem a satisfazer estas necessidades para ela.
O QUE FAZ UMA MULHER CASADA SER CARENTE?
Há vários fatores que levam ao sentimento de carência de mulheres que conseguiram se manter em relacionamentos por tempos prolongados. Alguns destes fatores são:
• Vida sexual insatisfatória, onde não há tesão ou paixão. O marido não se preocupa com o que a mulher sente, só pensa em si, sem romance, sem preliminares, e sem posições diferentes. Parece um ato que tem como finalidade apenas fazer o marido se satisfazer, depois virar para o lado e dormir. • O homem não parece mais ter tempo para a esposa. Trabalha muito, chega em casa tarde, e está cansado demais para qualquer coisa nova, diferente ou divertida. Arruma tempo para jogar futebol com os amigos no final de semana, vai a bares com os colegas depois do serviço e chega em casa tarde e vai direto para a cama. A mulher não se sente mais importante.
• Não é tratada bem pelo marido. Não é apenas deixada de lado, mas ainda é ofendida por certas atitudes do marido. Ele briga, xinga e a ofende. Não a respeita, como deveria, e ela sente aquela vontade de sentir aquilo que um dia ele ofereceu: carinho e afeto.
• Ela quer novidade. Ela ficou com o mesmo homem por muito tempo, e já sabe tudo que ele faz e vai fazer. Na cama é tudo rotina, o beijo é sempre o mesmo, a cama é sempre a mesma, as personalidades são sempre as mesmas. Ela só quer sentir alguma coisa diferente depois de tantos anos, precisa de algo que a lembre que está viva.
COMO CONHECER CASADAS CARENTES?
Agora que você sabe como casadas carente se sintam, você deve estar se perguntando como conseguir encontrar uma, para a ajudar a satisfazer suas necessidades. Será que há algum lugar onde elas ficam mais concentradas, dispostas a serem abordadas por um estranho? Será que dá para encontrar alguma em algum bar pela cidade, pronta para ser conquistada? Boa sorte, mas isto vai ser difícil desta maneira.
Mulheres nesta situação, mesmo que carentes e com vontade de experimentar coisas novas, ela não quer se colocar em posições comprometedoras ou em risco de ser pega ou descoberta pelo seus maridos. Elas geralmente são mais tímidas, e não teriam tanta coragem, pois são mulheres que geralmente estão em relacionamentos com mais de 5 anos, e está fora do jogo de namoro há muito.
Mas vamos dizer que ela tivesse a coragem de ir na cidade e ir para algum bar, para ver se algum homem a abordasse. Como você distinguiria uma casada carente e uma que simplesmente quer se divertir no bar com as amigas, ou apenas beber. É muito risco para você como um homem abordar uma mulher de aliança.
Existe um local perfeito para encontrar casadas carentes: Ashley Madison. Site reconhecido internacionalmente como melhor ferramenta de traição.
ASHLEY MADISON
O que a Ashley Madison oferece que outras alternativas não oferecem para encontrar casadas carentes? Será que casadas carentes realmente usariam um site deste?
A Ashley Madison é uma gigante no oferecimento de oportunidades para traição. Já reuniu mais de 50 milhões de usuários em todo mundo, um dos sites mais populares do mundo. Isto não é só no mundo, no Brasil também tem uma presença muito grande, chegando a quase 2 milhões de usuários, esperando outros 1 milhão até 2020.
Tem duas coisas que a Ashley Madison oferece que garante a vinda de casadas carentes. Primeiramente é a discrição. Como foi explicado anteriormente, mulheres nesta posição não querem ser colocadas em situações comprometedoras, nem em risco desnecessário. A Ashley Madison tem múltiplas ferramentas inovadoras que oferecem uma discrição garantida como: não precisar confirmar seu e-mail no cadastro, assistente de fotos patenteado que permite borrar fotos públicas, permitindo a visualização de uma galeria privada a apenas pessoas que elas concederem acesso, podendo ser revogado a qualquer momento.
Outra coisa muito atraente a mulheres é o custo para elas. A Ashley Madison concede acesso gratuito às mulheres. Elas tem acesso a toda função do site, sem ter que pagar. É óbvio que isso chamaria a atenção de casadas carentes. Elas não teriam que justificar gastos a seus maridos posteriormente.
DICAS PARA CONHECER CASADAS CARENTES NA ASHLEY MADISON
Segue as seguintes dicas, e você vai se ver encontrando múltiplas mulheres desejando atenção ou outras coisas que você pode oferecer a elas.
  1. Inscreva-se! Uma ferramenta reconhecido pelo mundo todo como forma eficiente de encontrar parceiros para traição. Junte-se a Ashley Madison e tenha acesso a uma multidão de mulheres casadas e carentes.
  2. Navegue pelo site, e por todas as mulheres no site, procurando alguma que te interesse. Veja o perfil dela e inicie uma conversa, de forma adequada, gentil e cavaleira. Não seja agressivo, nem estranho, nem genérico. Deixe claro suas intenções e a dá a atenção que ela carece. Preste atenção no que ela diz e o que ela deseja, e a partir das reações dela, vê como pode prosseguir. Se quiser deixar a conversa mais sexual, tenha moderação. Não comece de forma sexual, vai elevando o calor da conversa de forma gradual, sempre levando em consideração a reação dela.
  3. Monte um perfil decente. Dedique bastante tempo a seu perfil, ele será uma das primeiras impressões dela de você. Quanto mais tempo e atenção der ao seu perfil, maior a chance de casadas carentes se interessarem em você.
Agora que você sabe como encontrar e conhecer mulheres casadas carentes perto de você, entra na Ashley Madison e encontre uma em até 10 minutos!
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2020.07.16 16:26 fobygrassman ENCONTRE COROAS CASADAS HOJE

ENCONTRE COROAS CASADAS HOJE Conheça coroas, MILF's, e Mulheres Maduras brasileiras reais em menos de 2 horas, garantido!
Como Pegar Uma Coroa no Brasil Escrito por uma coroa verdadeira casadas
Quero namorar com uma coroa casada! Como eu namoro com uma coroa? Quais são os melhores sites de namoro de coroas? MILFs e coroas são a mesma coisa?
Não sei dizer quantas vezes já ouvi esta pergunta como especialista em namoro.
Originalmente minha resposta foi simples, pesquise no google sites de namoro de coroas e se compromete com um casal que você goste.
No entanto, há um grande problema com sites de namoro de coroas que afirmam ser focado em torno de mulheres maduras, MILFs, e coroas que estão buscando um homem mais jovem (referido como um "boytoy" ou "filhote".....
Eles não funcionam! E aqui estão 4 razões para isso: Não se preocupe, eu também lhe direi a melhor maneira de garantir um encontro com uma coroa casada ;)
  1. Não há coroas suficientes para dar conta Isto sobre isso, pumas são uma das categorias mais populares de pornografia. Em 2018 foi mostrado que "milf" foi a terceira coisa mais procurada em sites pornográficos. Cada jovem tem uma fantasia de mulher mais velha, mas quantas mulheres mais velhas você acha que estão assistindo a esses vídeos?
  2. A competição é grande! Para cada 1 coroa há 10-20 homens jovens tentando chamar sua atenção. Suas caixas de entrada estão cheias de mensagens não lidas. Minha tia é uma coroa autoproclamada, ela se inscreveu para um site de namoro de coroas uma vez, depois de obter +100 mensagens em seu primeiro dia ela nunca voltou. Então, se você é um cara jovem à procura de uma coroa você vai encontrar alguma competição séria. Pegando sua atenção é quase impossível e mesmo se você conseguir não há nenhuma garantia que ela vai estar interessada.
  3. Coroas não precisam do site Como eu mencionei antes, coroas são muito procuradas. Elas podem gritar pela janela e conseguir uma fila de caras. As coroas são mais propensas a namorar ou dormir com alguém que elas conhecem pessoalmente, elas são da antiga assim. Então, boa sorte competindo com o seu piscineiro, jardineiro, ou filho de amigos enquanto você é apenas um cara da internet
  4. Você precisa estar entre 24-29 para ter uma chance Já existe uma quantidade gigantesca de competição, mas a situação piora. Se você não está entre 24-29 você está em uma desvantagem séria. Uma pesquisa recente de coroas determinou que a idade ideal para um boytoy é 26 anos e a faixa etária média que elas poderiam até mesmo CONSIDERAR está entre 24-29. Há obviamente umas exceções mas são uma porcentagem pequena de um grupo já pequeno.
Disse a verdade sobre sites de encontros de coroas, mas provavelmente ainda está perguntando; OK, eu concordo que os sites de namoro de coroas são um desperdício de tempo, mas o que eu faço em vez disso?
Bem, você está com sorte porque há um pequeno truque muitas vezes negligenciado para aqueles que procuram coroas, sites de infidelidade! Isso mesmo, sites de traição são ótimos para encontrar coroas.
Estão aqui 6 razões porque os sites de traição ganham de sites de coroas para encontrar mulheres maduras:
  1. A grande maioria das mulheres lá são casadas, o que significa que a idade média é de cerca de 37-38 anos, a idade de coroa ideal!
  2. Você está competindo com caras mais velhos Esta é uma vantagem em tantas maneiras. Em primeiro lugar, você vai se destacar de todos os outros caras devido à sua juventude e condicionamento físico. Imagine uma coroa gostosa procurando através de homens perto dela e vendo foto após foto de caras velhos, fora de forma. Homens como seus maridos, que não as satisfazem.... Aí eles vêm através de seu perfil! Você é jovem, você está em forma (especialmente em comparação), e você está confiante. As chances de ela escrever a você é muito maior do que as chances de uma MILF se quer RESPONDER a você em um site de coroa.
  3. Elas não estão à procura de relacionamentos Elas estão em um site de traiçao de casado por isso está muito implícito que elas querem discrição e um relacionamento principalmente sexual. Isto significa que além da primeira ou segunda reunião você é basicamente o seu peguete.
  4. Você pode se destacar com uma foto de perfil! Em sites de traição a maioria dos usuários não tem uma imagem de perfil público de seu rosto. O que é típico é uma foto de corpo como seu retrato público do perfil e então fotos reveladoras em sua galeria privada. Podem compartilhar e revogar o acesso a esta galeria com sua própria discrição com quem quer que elas querem. Entretanto já que você provávelmente solteiro você pode criar um perfil com uma foto pública que inclua sua cara. Isso vai fazer você se destacar 100x vezes mais. As chances são que as mensagens virão antes mesmo de você precisar se apresentar.
  5. Elas etsão solitárias e insatisfeitas com seus maridos. Elas estão em site de infidelidade porque carece atenção de seus maridos. Normalmente, o marido começa a tratá-las como mãe/esposa e já não como um ser sexual. Esta é a sua oportunidade de dizer que elas ainda são sexy e ainda muito desejáveis e acredite que elas precisam/querem ouvir isso desesperadamente.
  6. Elas estão prontas para explorar sexualmente. Estas mulheres estão casadas há anos e o pouco sexo que têm com os seus maridos tornou-se mecânico e "baunilha". Elas estão prontos para apimentar as coisas e são maduras o suficiente para tentar novas experiências sexuais como: BDSM, ménage à trois, dominatrix, etc.
Ok, agora você provavelmente está pensando, "OK, você me convenceu de que os sites de infidelidade são 100x melhores para pegar coroas, mas como eu faço para realmente encontrar uma coroa?" Não se preocupe, siga estas 7 dicas e você vai aumentar drasticamente suas chances de encontrar uma coroa ou MILF em um site de casos.
7 Dicas Para Pegar Coroas Nota: algumas destas dicas são para o uso em sites de traição e algumas são dicas gerais
  1. Mencione a discrição no seu perfil e na sua primeira mensagem. Estas coroas são casados e estão à procura de parceiros casados porque isso garante que ambas as partes serão o mais discreto possível. Assumindo que você não é casado ou comprometido elas vão precisar de segurança de que você é discreto e confiável imediatamente. Considere escrever algo em seu perfil que diz:
"A discreção é muito importante para mim. Eu estou procurando somente parceiras discretas que são mutuamente respeitosas". 2. Mostra que não vai pôr em risco o seu casamento A outra preocupação que as coroas casadas que procuram homens têm é que você homens mais jovens são rápidos para se apaixonar e podem representar uma ameaça ao seu casamento no futuro. Elas não querem estar em uma posição onde você está exigindo que elas se divorciem de seu marido para que ambos possam estar juntos. Elas estão em sites de traição porque elas NÃO querem se divorciar. Assim o que eu recomendo é pôr algo assim no seu perfil e/ou primeira mensagem:
"Não olhando para mudar seu status ou meu, apenas olhando para ver se eu posso encontrar uma boa conexão com limites claramente definidos". 3. Você está disponível! Uma das coisas mais difíceis de se ter um caso é a disponibilidade. Se ambas as partes estão em relacionamentos é muito, muito difícil encontrar um momento em que AMBOS podem fugir de seus cônjuges sem levantar suspeitas. Mesmo quando você concorda sobre um tempo e um lugar, algo pode surgir e um de vocês pode não ser capaz de ir. A boa notícia é que você pode trabalhar em torno de sua programação. Este é um grande bônus então deixe que ela saiba disso! Ela pode nem mesmo perceber o quanto problema programação é se esta é a sua primeira vez traindo. Diga que já que você é solteiro você pode encontrá-la sempre e onde é melhor para ela.
  1. Mostre a ela que você respeita limites. Na verdade, diga a ela que você está ansioso para ouvi-los. Novamente, coroas casadas precisam de discrição e a melhor maneira de ser discreto é estabelecer limites. Pergunte a ela se há alguma regra de discrição que ela precise que você siga. Muitas vezes, são coisas como "não me escreva entre 18h e 23h", "use palavras em código para que se alguém ver as mensagens parecerão inocentes" etc. Tudo isso permite que ela saiba que você está falando sério sobre sua discrição.
  2. Elogie ela! As coroas estão em sites de infidelidade porque seus maridos não as tratam mais como mulheres atraentes e desejáveis. Se elas têm filhos, mesmo que sejam MILFs, é provável que seus maridos as vejam como mães mais do que amantes agora. Elas estão desesperadas por validação que ainda são sensuais e desejáveis e, vindo de um homem mais jovem, isso significa ainda mais!
  3. Acho que você é jovem demais para mim / não é jovem demais para mim? Espere que essa pergunta surja muito. Não se preocupe - este é um bom sinal! Se ela está dizendo / perguntando isso é porque ela está lhe dando a oportunidade de refutar. Se ela realmente se sentisse assim, não responderia a você. Mas agora você está em uma posição crítica; como você responde a isso determinará se você consegue um encontro / relacionamento. Lembre-se de que ela não está falando sério, está testando você. Prepare uma resposta bem pensada a isso com antecedência. Eu acho que este é um bom começo:
“Você realmente se sente assim ;)?” Esta é uma maneira divertida de ir direto ao ponto" "Eu realmente não vejo as coisas dessa maneira. Estou procurando por características como maturidade, confiança, discrição e abertura. Mulheres mais maduras têm mais desses traços e você é incrivelmente sexy." 7. Elas vão pensar que você é imaturo. Imediatamente elas assumirão que você é jovem, excitado e imaturo. Você precisa refutar isso imediatamente. Inicie suas mensagens o mais maduro e profissional possível. Releia suas mensagens e verifique se a ortografia e gramática são 100%. À medida que a conversa continua, você pode se tornar cada vez mais brincalhão, mas a primeira impressão dela precisa ser que você é maduro e inteligente, e não um garoto idiota.
Então aí está, minha opinião extensa e bem pesquisada sobre: Por que sites de coroa não funcionam Onde você pode encontrar coroas REAIS Como você pode maximizar suas chances de entrar em um relacionamento causal com uma coroa Se você leu este artigo e realmente implementar essas dicas, estará dez passos à frente da concorrência e estará no caminho de namorar coroas, MILFs e mulheres maduras.
Ah, e antes que eu esqueça, a pergunta "MILFs e coroas são a mesma coisa?"
A resposta é não. MILF: MILF significa ‘Mãe que eu gostaria de comer’ em inglês. São mulheres com filhos que você acha sexy, só isso.
Coroas (ou cougars em inglês): as coroas são mais velhas, atraentes, mulheres que estão "rondando" explicitamente por homens mais jovens!
O Brasil é um país de trair coroas casadas! Uma em cada dez mulheres casadas encontrou alguém mais de 10 anos mais novo! 8% das mulheres têm encontros casuais com homens muito mais jovens. A maior diferença de idade média entre coroas casadas e amantes é de cinco a dez anos 57% dos homens tiveram um caso com uma coroa casada O estudo constatou que oito por cento das mulheres casadas tiveram um caso com um homem mais jovem Mulheres maduras também são muito atraentes para homens casados. 61% dos homens casados ​​no Brasil têm um caso extraconjugal com uma mulher mais velha. 25% dos homens casados ​​namoraram uma mulher entre cinco e dez anos mais velha. O apetite sexual das mulheres aumenta com a idade, enquanto os homens tendem a atingir o pico em seus vinte e poucos anos. Isso poderia explicar a tendência crescente de coroas casadas em busca de homens. Casados ​​com homens podem ver um declínio escasso no desejo sexual e coroas casadas, eles estão ficando cada vez mais frustrados. Eles agora optam por conhecer um cara que é mais jovem, simplesmente porque sua libido é mais semelhante.
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2020.07.06 00:45 dukaymon Ou os dois são loucos ou nenhum é.

Dia 1: Mário pega no carro e foge, saindo do concelho.
Dia 2 a dia 10: após abandonar o carro num parque de estacionamento a 230 km de casa, Mário esconde-se num pinhal e aí fica até acabaram as poucas latas de comida que trazia na mochila.
Dia 11 a dia 33: alimentado-se de frutas e vegetais que vai roubando de campos agrícolas e sem nunca ficar no mesmo sítio mais do que um dia, Mário encontra-se já a 300 km de casa, perto da fronteira.
Dia 33 a dia 77: sem se atrever a aproximar-se da civilização, por medo que o reconheçam (e não só), no meio do mato Mário encontra refúgio num casebre abandonado, envolto em silvas e arbustos, que funcionam como camuflagem, impedindo que mesmo o transeunte mais atento pudesse vislumbrar o edifício aí escondido. Na praia deserta que fica a 500 metros do local, Mário obtém o alimento que precisa e bebe a água da chuva que se acumula num pequeno tanque decrépito atrás do casebre.
Dia 78: Mário tenta pôr fim a tudo.

"Desculpem-me o mal que vos causei", lia-se na carta, "mas quero que saibam que, tal como rio rebenta o dique e inunda os campos em seu redor, se vocês sofrem por minha culpa, é porque não consegui conter em mim tanto sofrimento."
Dobrou a folha ao meio e deixou-a sobre um banco. Uma lágrima tinha esborratado o texto, deixando uma das palavras totalmente ilegível e, de forma parcial, a palavra que lhe antecedia e a palavra seguinte, mas ele nem reparou. Também não interessava, provavelmente ninguém iria descobrir aquela carta.
Levantou-se, saiu do casebre e caminhou nervosamente até à arriba de onde decidira que haveria de ser conduzido pela gravidade até ao abismo álgido e salgado que o tinha vindo a seduzir sempre um pouco mais de cada vez que o contemplara.
Era um dia ventoso e borralhento, mais ventoso ainda à beira mar, no cimo da falésia. Lá em baixo o mar castigava as rochas impassíveis que outrora haviam estado cobertas por um amplo lençol de areia.
Mário olha para baixo e murmura sofridamente:
-Como é possível que isto já tenha sido uma praia, e eu tenha sido tão feliz nela!
E não contém as lágrimas quando à mente lhe vêm as imagens dos longos e soalheiros dias de verão passados naquele lugar com os amigos, na adolescência.
Vinte anos separavam essas memórias do presente, vinte anos que, a bem dizer, pareciam cem ou mesmo vinte anos vividos por uma pessoa diferente, de tão antipodal era o seu estado de alma na altura em que decide suicidar-se, face à alegria, a energia e o fulgor do seu espírito na juventude.
Mário tentava sempre, quando ainda fazia um esforço para não desistir de viver, impedir-se de recordar esses bons momentos do passado, por saber que lhe agravavam a dor do presente. "O mau não parece tão mau a quem nunca conheceu o bom. Tomara que nunca tivesse experimentado a felicidade!", pensava ele.
Mas agora que está prestes a acabar tudo, que mal advinha de deleitar-se uma última vez com o sol e o calor desses Verões longínquos? A dor terminaria em breve.
- Seja esta a minha última refeição de condenado, um festim para as sensações! - disse ele.
A sua mente é então invadida por todas essas boas recordações que tanto procurara reprimir: as gargalhadas de fazer doer a barriga, os planos e objectivos idílicos para o futuro, a descoberta do prazer da sexualidade, as fogueiras acendidas pouco antes do Sol mergulhar no mar, com o intuito de obrigarem a praia a dar palco à sua puberdade até durante a noite.
Mário trauteia uma música da adolescência, de um desses Verões insuportavelmente felizes, e conforta-se com acreditar que dentro dos vãos e grutas daquela defunta praia ainda é possível ouvir o eco da sua melodia.
No alto do precipício o vento fustiga-o, e ele, de olhos fechados, imagina-o como sendo os seus amigos a saltarem para cima dele em jeito de brincadeira.
Esteve assim largos minutos, a colher quanta felicidade podia colher de um campo de alegrias já ceifado há muito. Até que a noção do presente retorna, para converter essa alegria em suplício: a realidade desesperante que põe fim à miragem de um oásis.
A chuva começava a cair tímida e lentamente, mas era perceptível que se estava a tornar ligeiramente mais forte a cada minuto que passava. Mas o vento, pelo contrário, seguia o sentido oposto ao crescendo da chuva.
-Ah, sim, o último banho do meu último dia de praia - diz Mário sarcasticamente, no seu habitual exercício de auto-comiseração, levantando a cabeça para encarar a chuva.
- Basta! - resmungou ele, cheio de repulsa de si mesmo, por não conseguir deixar de tratar com sarcasmo nem mesmo aquele que era o momento mais sério da sua vida.
Dito isto, baixa a cabeça, fita o abismo, vendo o mar que parecia aumentar de fúria, ofendido com a indiferença dos rochedos, e, sem ponderar um segundo, por medo que a coragem lhe viesse a faltar, dá aquele que pretende que seja o último mergulho da sua vida.
Mantém os olhos fechados e sente nos ouvidos o assobio do ar, que sobrepõe-se ao som da ira do oceano. E assim vai descendo, até que, de súbito, vê as memórias da sua vida, que naquele derradeiro momento parecem-lhe mais vívidas do que alguma vez pareceram, darem lugar a memórias estranhas e alheias a tudo o que vivera, e mas mais bizarro ainda: vê-as, não da sua perspectiva, mas da perspectiva de outra pessoa, que ele não fazia ideia de quem era.
Assustado, abre os olhos de repente e vê o mar a uns quantos metros de distância. Depois disso não se lembra de mais nada.

Quando acordou, Mário deparou-se com uma enfermeira que, empunhando uma seringa, tentava encontrar uma veia no seu braço. Ao vê-lo acordar, a enfermeira apressa-se a chamar um médico.
- O que é que aconteceu? - pergunta Mário, desorientado, ao médico que lhe auscultava o peito.
-Não se lembra do que aconteceu? - pergunta o médico. - O senhor atirou-se de uma falésia. Por sorte, ou mesmo por milagre, caiu numa zona em que a água tinha profundidade suficiente para que não tivesse morte imediata nas rochas. O hospital irá contactar a sua mulher e o o seu filho para informá-los que o senhor já se encontra consciente.
-Desculpe!? Mulher e filho? Eu sou solteiro e vivo com os meus pais! Enganou-se no paciente.
O médico, surpreendido, observa a sua ficha clínica e pergunta-lhe:
- Você não se chama Mário Costa Figueiredo?
-Sim - respondeu Mário.
-Então não há nenhum engano!
-Não, desculpe, há de certeza um equívoco... - retorna Mário, irritado e, ao tentar levantar os braços em protesto, repara que um deles estava algemado à cama.
- Ah, sim já me lembro, apanharam-me finalmente! Mas eu não tenho família nenhuma! Nem sou responsável pelo crime que me atribuem!
O médico calou-se, na dúvida entre estar perante um legítimo caso de amnésia ou um criminoso a mentir para tentar passar a ideia de que estava inocente.
Disse: "eu volto já" e afastou-se.
Os dois polícias que estavam de vigia à porta da sala onde Mário estava internado entraram assim que o médico avisou-os que ele tinha acordado e, a alguma distância, fitaram-no com cara de poucos amigos e trocaram entre si palavras que Mário não conseguia ouvir.
Provavelmente insultos, pensou Mário.
E pela razão certa, mas não contra a pessoa certa. Mário era suspeito de matar uma mulher grávida. O crime fora gravado e a cara dele tinha aparecido na televisão, mas não era ele.
Porém, o facto de se ter posto em fuga não fizera nenhum favor à sua reputação de auto-proclamado inocente, embora se ele próprio se tinha visto em vídeo a cometer aquele crime hediondo, seria impossível parecer mais culpado mesmo que tivesse ficado placidamente sentado no sofá à espera que a polícia arrombasse a porta de sua casa para o prender.
Setenta e oito dias em fuga andou Mário, até ser encontrado inconsciente na praia, após a tentativa falhada de suicido.
Mas porque fugiu Mário? E porque se tentou matar? As respostas, que parecem óbvias - não ser injustamente condenado por homicídio e estar cansado de viver como um pária fugitivo - não satisfazem totalmente as perguntas. Se esses foram factores a ter em conta, havia contudo algo de mais profundo, mais inquietante e mais assustador - ele fê-lo porque, no seu íntimo, sentia-se de alguma maneira culpado pelo crime que não cometeu.
Um Mário completamente seguro da sua inocência talvez não fugisse se o acusassem de um crime cometido por outrem. E decerto que jamais aceitaria carregar a culpa alheia por um crime, mesmo que todas as testemunhas jurassem pelos parentes defuntos que o tinham visto a disparar a arma. Nem mesmo que ele se tivesse visto a matar a vítima, como de facto viu. Nem mesmo que a sua vida dependesse disso. Mário estava inocente e sabia-o com toda a certeza, mas sabia também, com equivalente grau de certeza, que era (um pouco) culpado.

Mas os problemas de Mário não começaram com o homicídio.
Um estranho acontecimento ocorrido vinte anos antes, fora o que dera início à inexorável descida de Mário ao abismo.
Mário sempre jurou que pouco tempo antes do acidente que o tinha deixado desfigurado, tivera uma premonição. Um sentimento repugnante, um misto de desespero e medo avassalador, acompanhado por um arrepio na espinha, que sentira ao ver um relâmpago cair no sítio onde meses mais tarde seria atropelado por um carro.
Estropiado e desfigurado, não foi mais capaz de arranjar emprego e muito menos manter uma vida amorosa com uma mulher. Tinha passado os últimos vinte anos da sua vida a viver em casa dos pais, dependente destes, sem quase nunca sair à rua. Um adulto que nunca experimentara ser adulto, alguém que ia envelhecendo mas cuja vida parara para sempre na adolescência.
Sem coragem para matar-se, a única coisa que desejava, dia a pós dia, era a morte.


As provas não deixavam margem para dúvida: as impressões digitais recolhidas no local do crime eram dele, bem como ADN. Se ele não era culpado deste crime, as prisões estavam cheias de inocentes.
E no entanto não era culpado, asseverava ele com toda a convicção e honestidade possíveis de se encontrar num inocente injustamente acusado.
Mário foi condenado à pena máxima. A "sua" mulher esteve presente no julgamento, chorosa, desolada, horrorizada. E na cara de Mário era patente a incredulidade de um viajante do tempo que encontra no futuro um mundo tecnologicamente impossível de conceber na sua era. Estarei louco?, pensou ele. E foi nisso que preferiu acreditar, confrontado com a sua "nova" realidade. Mas não cometi aquele crime, posso estar louco mas não sou assassino!
A mulher visitou-o relutantemente apenas uma vez na prisão. Quando, durante essa visita, ele lhe disse que nunca a tinha visto na vida e que não tinha filho algum, nem com ela nem com ninguém, ela sentiu alívio por ter sido ele a pôr fim a tudo. Se fosse eu a rejeitá-lo, ele ainda me mandava matar!, pensou ela à saída da prisão.Mário depressa se aclimatou à vida de recluso, que ele não considerava pior que a vida miserável que tinha levado durante os últimos vinte anos, enclausurado em casa dos pais. Ao fim do primeiro ano, Mário decide escrever um livro, uma espécie de biografia "barra" apologia da sua inocência.
Falou da premonição, do acidente meses mais tarde, da visão que teve quando se tentou matar; tentou demonstrar o seu álibi para a momento do crime e falou das suas famílias: a verdadeira, os pais, dos quais nunca mais teve notícia e nunca mais não foi capaz de encontrar, como se nunca tivessem existido (a casa onde viviam também não existia), e da nova família e nova vida que o universo lhe atribui depois de se ter atirado da falésia.

O manuscrito chamou a atenção do psiquiatra que acompanhava Mário. O psiquiatra tinha diagnosticado Mário com amnésia retrógrada e classificara as memórias anteriores ao acidente de confabulações.
O psiquiatra tinha um amigo, Alexandre, um sujeito lunático mas interessante, que tinha interesse no ocultismo, em particular na parapsicologia. O psiquiatra, Carlos de seu nome, que gostava de ficar a ouvir o seu amigo e antigo colega de faculdade a debitar disparates fantasiosos mas originais quando se encontravam aos domingos à tarde, na casa deste último, sempre com um leve sorriso de troça na cara, sem, contudo, ser desrespeitoso e sem que Alexandre levasse a mal, decidiu mostrar-lhe uma cópia do manuscrito, com a autorização de Mário.
Numa terça-feira de manhã, no caminho para o trabalho, Carlos parou na casa do seu amigo e entregou-lhe o manuscrito, na expectativa de ouvir Alexandre discorrer sobre o assunto no domingo seguinte.
- Olha o que um recluso lá da prisão escreveu. Diverte-te.
E saiu um pouco apressado, pois já ia atrasado.
Domingo chegou, e, para quebrar o hábito, era Alexandre que batia à porta de Carlos logo após o almoço e não o inverso, como sempre sucedera. Estava nervoso e efusivo, como um adolescente prestes a perder a virgindade.
- Tenho de falar com esse tipo. A que horas podem os prisioneiros receber visitas? - perguntou Alexandre.
Carlos tentou demovê-lo, pois não lhe agradava a ideia que um doente mental como Mário, e ainda por cima um paciente seu, fosse influenciado por um excêntrico como Alexandre, por mais bem-intencionado que fosse. Discutiram e foram-se zangando gradualmente mais com o decorrer da discussão. No fim, para não arruinar aquela amizade que ambos prezavam, Carlos concedeu que Alexandre visitasse Mário, até porque não havia maneira legal de o impedir.

O dia em que Mário e Alexandre se conheceram chegou, e, assim que Mário o viu, pensou tratar-se de algum daqueles "novos" parentes ou amigos da sua realidade pós tentativa de suicídio.
- Ah, sim, você é o tal amigo do psiquiatra - disse Mário, aliviado por não ser nada daquilo que esperara.
Alexandre disse que lera o livro e Mário interrompeu-o:
-Deve pensar que eu sou maluco ou mentiroso, não é? - acrescentou ele.
Houve uma pausa e Alexandre, num tom sério, respondeu:
- Não, não acho...
Os olhos de Mário acenderam-se e, após alguns uns segundos, perguntou:
Quer dizer que você... acredita?
Uma pausa, mais longa que a anterior, separou a pergunta de Mário da resposta de Alexandre. Alexandre aproximou a cara do vidro e, como que reconfortando um amigo em sofrimento, diz com voz baixa mas firme:
- Acredito.
Mário pergunta imediatamente, incrédulo e extático:
-Acredita que eu sou inocente ou no resto? Ou em tudo?
Alexandre diz:
-Acredito que teve de facto aquilo a que chama de "premonição". Acredito que viu o que viu quando se atirou para o mar e, embora não descarte a hipótese de amnésia, creio que é possível que esteja a ser sincero quando diz que a sua família não é de facto a sua família. Quanto ao crime, devo ser a única pessoa no mundo que não está convicto da sua culpabilidade.
Mário não sabia o que achar. A realidade para ele não fazia sentido. Se ele próprio vira-se a cometer o crime e sentia-se um pouco culpado por isso, embora soubesse que não o cometera, e se havia provas irrefutáveis que apontavam para si, como é que era possível que alguém duvidasse disso, ainda para mais um total desconhecido como Alexandre? Uma realidade em que Mário era casado e tinha um filho, era uma realidade em que também podia existir alguém como Alexandre. Mas provavelmente estava louco, como preferia acreditar.
Quase a chorar, Mário pergunta:
-O que o leva acreditar em mim?
Alexandre diz:
-Conhece o conceito de doppelganger?
- Sósias? Sim - respondeu Mário.
-Certo - retorquiu Alexandre-, mas não me refiro somente a pessoas apenas com similaridades físicas com outras pessoas sem parentesco. Falo de uma relação entre dois ou mais indivíduos que vai além do que é meramente o aspecto físico, a uma relação de transcendência psicológica, uma ligação talvez metafísica entre mentes.
-Desculpe, mas não acredito nessas coisas - retrucou Mário. - E não vejo o que tem isso a ver com o meu caso. Está a querer dizer que foi um sósia meu que cometeu o crime?
-Não acredita, mas no entanto jura que a sua família foi trocada, que não cometeu o crime apesar das evidências e que viu a vida de outra pessoa à frente quando tentou matar-se. Se não acredita, então só podemos concluir que é louco, certo? E para além disso, é você que afirma ter tido uma "premonição". Ora, não acredita em si próprio? Loucura por certo...

Mário, sentiu-se tocado. Nunca revelara a ninguém que achava que talvez estivesse louco. Mas que outra explicação haveria?
-Não me diga que o meu sósia também tem o meu ADN e as minhas impressões digitais? - disse Mário, um pouco desdenhoso. - E quando eu falei de premonição, se você leu mesmo livro, decerto se lembrará que não invoquei explicações paranormais. Eu senti que algo de mau ia acontecer, e aconteceu. Foi apenas isso, um sentimento. Se eu "adivinhei" o futuro ou se foi um sinal "dos Céus" abstenho-me de especular.
Pense nisto - disse Alexandre-, tal como duas pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre si, podem acertar nos números da lotaria, também é possível, mas extremamente improvável, que duas pessoas tenham o mesmo ADN. A probabilidade é tão baixa que no mundo você não encontrará ninguém geneticamente igual a si, mas se a população mundial fosse suficientemente numerosa, seria possível encontrar; e quanto mais numerosa fosse, mais probabilidade haveria. Seriam seus "gémeos" idênticos, apesar de não serem filhos dos mesmos pais... - Mário ia dizer algo, mas Alexandre aumentou e apressou a voz de modo a impedido de exprimir-se. - Quanto à premonição, se você pressentiu algo de mau que iria acontecer meses depois, então é óbvio que temos de recorrer a explicações não usuais para isso, pois prever o futuro não é considerado possível pela ortodoxia científica. Dou-lhe o seguinte exemplo como forma de fazê-lo perceber melhor onde quero chegar:
"Há várias décadas, na Austrália, um homem, incapaz de adormecer, decide ir à varanda para apanhar ar. No momento em que vê a lua cheia sente uma repulsa macabra inexplicável, como nunca tinha sentido, um mal-estar físico como se tivesse ingerido algum veneno. Era perto da meia-noite. No dia seguinte, a polícia bate à sua porta e informa-o que a sua filha fora assassinada. O médico legista determinou que ela tinha sido morta por volta da meia-noite.
"Não havia maneira do pai saber que a filha estava a ser assassinada a dezenas de km de distância, no entanto esse acontecimento foi sentido por ele de algum modo, a não ser que acreditemos que se tratou de uma coincidência.
"Isto costuma acontecer também com gémeos idênticos, em que um deles é sensível ao que se passa com o outro."
-Continuo sem perceber o que tem isso a ver comigo - disse Mário.
-Da mesma forma que a mente consegue sentir a dor ou alegria de alguém que nos é biologicamente próximo, ou mesmo idêntico, você, como confessou no seu livro, talvez sente-se um pouco culpado pelo crime porque aquele poderia ser o seu irmão gémeo ou algum "clone" sem relação a si, como referi há pouco. Esta - um irmão gémeo - seria a explicação mais simples, e portanto mais plausível, para o sucedido. Mas como acreditar nisto se você próprio confessou o crime na sua carta de despedida? E se eu acreditasse nisto não estaria aqui.
Mário ficou atónito:
-Desculpe?
Alexandre, que não estava surpreendido com a surpresa de Mário, não que achasse que ele estava amnésico ou a fingir, diz:
-Sim, após acordar no hospital você revelou o seu esconderijo à polícia e lá encontraram a sua carta, na qual desculpava-se pelo sofrimento causado à sua mulher e filho e confessava o homicídio da sua amante grávida. .
-Não, lamento, isso não aconteceu. Eu escrevi uma carta, sim. Mas como tem você conhecimento disso? - pergunta Mário. Que um estranho tivesse conhecimento de uma carta que nem a polícia que investigou o crime e perseguiu Mário durante quase três meses conhecia, seria motivo de estupefacção e medo para qualquer pessoa, mas em Mário, que já passara e continuava a passar por coisas mais bizarras, isso não causou tanto espanto como deveria. Mário acrescenta:
-Mas não escrevi isso que diz. E para além disso, a polícia, que eu saiba, nunca encontrou a carta porque eu, com vergonha, nunca mencionei o esconderijo. Não queria que a minha carta de despedida fosse descoberta tendo eu sobrevivido, seria vergonhoso demais. Mas em nenhum parágrafo da carta admiti o crime, pois não o cometi. Apenas pedia desculpa aos meus pais pelo sofrimento que lhes causei, motivado pelo sofrimento que eu sentia.
-Lembre-se, eu acredito que esteja a ser sincero quando diz o que diz. E que essa sinceridade não advém das confabulações em que um amnésico acredita, mas correspondem aos factos.
"Eis o que eu acho: você não matou aquela mulher. Mas você também matou-a. E as suas duas famílias são ambas suas mas não ao mesmo tempo. E as memórias que viu na mente são suas e e não são suas, pois foram e não foram vividas por si.
"Aquela sua premonição, tida no momento de uma descarga de energia - o relâmpago - foi a recolecção, por parte da sua mente, da informação de um evento que tinha acontecido no futuro, mas um futuro doutro universo, futuro esse que, em relação à linha temporal do nosso universo, seria um acontecimento do passado. Doutro modo, você não poderia ter tido a premonição, pois a causa (o acidente) teve de anteceder o efeito (a premonição do acidente) para que aquele pudesse ser previsto. Como, de acordo com as leis da física, as causas nunca antecedem os efeitos, o acidente teve de ocorrer primeiro noutro universo para que o conhecimento dele neste universo pudesse anteceder o seu acontecimento neste universo. É esta, a meu ver, a explicação para o fenómeno vulgarmente denominado «premonição»: a falsa «previsão» do futuro que não é mais que a lembrança, neste universo, de um evento já ocorrido noutro universo e que irá também ocorrer neste. E falo da verdadeira premonição, não da ilusão de premonição que advém das naturais falhas e vieses cognitivos da mente humana."
-Agora você já está a abusar- disse Mário. - Ou você é mais louco do que eu ou está a fazer pouco de mim.
Alexandre esboçou um sorriso, mas logo ficou sério:
- Não, repare, o que eu lhe estou a tentar dizer é que acredito que cada um de nós tem pelo menos um outro "eu", e talvez uma infinidade de "eus", que existem simultaneamente connosco, mas não aqui. O que acontece, na minha opinião, é que, por razões que ainda não vislumbro, às vezes esse(s) diferente(s) universo(s), ou partes dele(s), como você, ou eu, ou uma cadeira, ou uma árvore, ou um simples átomo, cruza(m)-se com o nosso, da mesma maneira que duas linhas de pesca se emaranham ao cruzarem-se, ou como dois fios de electricidade, que correm paralelos de um poste ao outro, tocam-se quando há vento. E ao fazerem-no podem trocar matéria, energia e informação. As memórias que você viu, e que se calhar irá ver com mais frequência, ou nunca mais, são as memórias do seu outro "eu" de um universo paralelo, com o qual você trocou informação. A "nova" vida que todos dizem ser sua após a queda no mar, talvez não seja mais que a "sua" vida de um universo paralelo. Talvez você não seja deste universo, ou talvez sejamos nós, e quando digo nós refiro-me à totalidade do que existe neste universo, que estejamos a mais; se calhar este universo, ao emaranhar-se com outro, foi esvaziado do seu conteúdo original, excepto você, e preenchido com o conteúdo desse outro universo. E agora você, neste seu universo, paga pelo crime que o seu outro eu cometeu naquele nosso universo. E o seu outro eu deve andar por lá livre como um passarinho. Que bela forma de escapar à justiça, não acha?
"E às vezes, creio que acontece o seguinte: quando dois universos se «cruzam» apenas um deles recebe matéria ou energia do outro. É esta, a meu ver, a origem de alguns doppelgangers. Que podem ser de pessoas, animais, plantas ou coisas inanimadas.
"É natural que se sinta culpado do crime, foi você que o cometeu. Se um pai é capaz de sentir uma filha a ser assassinada e um gémeo a dor de outro gémeo, como não havia você de sentir o que você próprio fez?"
Mário abanou a cabeça como quem está farto de ouvir baboseiras e levantou-se da cadeira.
-A visita acabou - disse ele ao guarda. E foi reconduzido à sua cela.
Devo estar louco, de facto. E se calhar até cometi o crime e não me lembro. Se calhar estão todos certos. Mas aquele tipo também não devia andar à solta, pensou Mário. E talvez estivesse certo também.
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2020.06.23 22:37 jujuoshi Dormi na casa da amante do meu pai e não contei nada pra minha mãe, sou babaca por isso?

Ola pessoas, espero que me ajudem! enfim, meu pai ele é muito cuzao, traiu minha mãe muitas vezes ao longo dos 20 anos de casados, inclusive quando eu era menor eu fiquei com certo trauma das brigas e discussões sobre isso que eu chorava toda as vezes que eles discutiam. Então em 2019, minha mãe comentava com a minha irma mais velha, que achava que meu pai tava estranho e distante. Então eu decidi perguntar diretamente pra ele, porque ele tinha me prometido que jamais faria mal pra nós, traindo a nossa família, no caso. Ele tava viajando e falamos por celular mesmo, e ele disse que tava tudo bem e que não havia nada. Logo no meio de 2019, ele foi me buscar um dia no meio da aula, tipo do nada ele apareceu lá e me tirou da aula. Me levou para dar uma volta de carro com ele e foi então que ele me contou que andava “namorando” uma mulher, sendo que isso foi logo depois dele negar tudo pra mim! Eu fiquei um pouco chocada mas eu meio que quis bancar a agente duplo e descobrir mais, tipo saber mais e ser amiga dele. Ele disse que ele ia se separar da minha mãe ( pela 4 vez) Kk enfim, ele disse que amava aquela mulher que ele estava, me mostrou foto. E no mesmo dia ele veio e dormir em casa, como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei com muito medo de ver minha mãe sofrer, então como ele disse que ia fazer as coisas da maneira certa, eu deixei rolar e fingi que não aconteceu.
Já era dezembro de 2019 e a relação dos dois só piorava e minha mãe já havia desconfiado que ele tinha outra pessoa na vida dele, mas ela preferiu tentar conversar e descobrir por ele. Ele tava muito estranho parecia odiar a família dele, na virada ele queria dormir em vez de ficar conosco. Ele tava bem estranho mesmo. Mas eles não tinham se separado ainda.
Foi então que ele queria que eu conhecesse a tal amante dele, pq ela disse que queria me conhece que eu era uma pessoa muito boa, encheu minha bola sem nem me conhecer. Bem estranho. Eu com medo de dizer não pro meu pai, acabei aceitando que ela me chamasse no WhatsApp para conversar, só que eu achei que não seria nada demais, e meu pai saia pra ir na casa dela e eu sabia e não contava nada pra minha mãe.
Teve um dia que eu tava mal e eu geralmente tenho dificuldade de falar com q minha mãe sobre as coisas da adolescência, não consigo ser aberta com ela como sou com meu pai. Então essa mulher acabou me ajudando em alguns assuntos e eu até gostei dela, mas rapidamente me senti muito mal, parecia que eu tava traindo minha mãe junto. Foi quando eu falei pro meu pai dar um basta nisso, e ele acabou sendo rude comigo.
Então no próximo final de semana, eu e meu pai íamos ficar sozinhos em casa, e do nada eu começo a passar mal ( eu tenho o cóccix quebrado e as vezes dói muito que eu passo mal) então eu queria ir em um médico sei lá, eu tava em panico. E então ele me disse que ia me levar para a casa da amante dele, pq tinha um hospital perto. Eu fiquei desesperada, mas aceitei pq a dor estava insuportável. Ele me levou lá e eu acabei dormindo lá e meu pai também. No outro dia eu me senti tão mal por aquilo q eu fiz mas eu precisava manter em segredo, minha mãe NUNCA me perdoaria. Nunca mesmo. Então eu deixei quieto e até agora minha mãe não fazia ideia de que existia outra mulher na jogada, so eu.
Agora em 2020, ele ficou sabendo da mulher e está ainda com meu pai, e eu pedi pra ele voltar pra família pq eu não quero que ele fique com aquela mulher, até pq ela foi errada em aceitar um caso com homem casado. Só que minha mãe está indo cada vez mais fundo, e eu acabei ajudando ela em muitas coisas ( mas nunca mencionei nada sobre eu ter dormido e falado com a mulher), e agora ela parece estar cada vez mais próxima de descobrir... eu fui a babaca por não contar pra ela sobre a traição e sobre eu ter dormido na casa da amante dele? Por favor me ajudem, estou nesse impasse faz meses e tenho medo da reação da minha mãe! Me aconselhem kkkkk realmente não posso contar pra “Ninguem”, então I need help
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2020.05.18 04:46 altovaliriano Jon Snow (Parte 6)

Esta é a última parte da série de textos sobre Jon Snow.
Os capítulos de Jon Snow em A Dança dos Dragões são marcados por escolhas que afetarão milhares de pessoas. Na condição de Lorde Comandante da Patrulha da Noite, o rapaz sabe que não pode deixar para pensar depois nas consequências de seus atos, pois não é ele quem vai ter que arcar com as consequências de seus atos, mas toda a irmandade.
Em razão disto, Jon escolhe ser um líder objetivo, independente e frugal. É assim que ele entende que um homem adulto deve se comportar. “Mate o menino e deixe o homem nascer”. Mas não há como culparmos Jon por isso. Todos os homens que lhe instruíram sobre a vida tinham estas caracterísitcas.
Eddard Stark, Meistre Luwin, Aemon Targaryen, Jeor Mormont e, em menor medida, Mance Rayder. Todos eles eram homens com um rol de princípios claros, conhecidos por todos ao seu redor. Igualmente tendiam a ter suas próprias opiniões e a tomar decisões a despeito da vontade dos demais. E também eram homens simples, cuja aparência por vezes enganava seu real status.
Quando encontramos Jon depois de ele ter tomado posse no cargo, nenhuma mudança real parece ter acontecido. Stannis está chamando de bastardo em sua cara. Godry Farring chama-o de rapaz e o desafia. Por outro lado, desde o primeiro capítulo de Samwell em O Festim dos Corvos ficamos sabendo que o Lorde Comandante se instalou nos antigos aposentos de Donal Noye, lugar de onde não saiu nem mesmo depois que Stannis deixou aposentos vazios na Torre do Rei vazia ao partir.
A frugalidade de Jon, porém, é uma mistura de partes iguais de sua criação e idade. Jon não só quer fingir ter o ‘desapego das formas e privilégio do conteúdo’ que vem naturalmente com a maturidade (“mate o menino e deixe o homem nascer”). Snow também quer provar àqueles ao seu redor que o poder não lhe subiu à cabeça.
Ainda que não convenha ao Lorde Comandante se portar como um rei ou um lorde de verdade, existem diversos recursos simbólicos na tomada do poder que ajudam um Lorde Comandante a governar seus iguais. Como disse Ben Plumm a Daenerys, “O homem que quer ser o rei dos coelhos deve estar pronto para usar um par de orelhas de abano” (ADWD, Daenerys I), o que é apenas uma versão de uma lição política muito antiga em nosso mundo:
“o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo“
(MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe)
Portanto, as aparências de poder são uma ferramenta legítima de um governante, que deve saber quando fazer uso delas, sem se deixar afetar pelo apego às origens. A meu ver, Melisandre é que m faz a melhor análise da situação de Jon:
Snow decidira continuar vivendo atrás do arsenal, em um par de cômodos modestos previamente ocupados pelo último ferreiro da Patrulha. Talvez não se achasse digno da Torre do Rei, ou talvez não se importasse. Isso era um erro, a falsa humildade da juventude que, em si, era um tipo de orgulho. Nunca foi sábio para um governante evitar as armadilhas do poder, pois o poder flui em quantidades não pequenas de tais armadilhas.
(ADWD, Melisandre)
Estes pensamentos revelam que Melisandre tem uma visão política do mundo muito mais fundada na realidade do que seu fanatismo religioso deixa transparecer. Entretanto, a frugalidade-vaidade de Jon, que ela condenou, parece ser o aspecto mais inofensivo deste seu atributo. Há um pouco dessa sobriedade também na forma como Jon governa a Patrulha com objetividade. Curiosamente, é esta combinação que faz com que Jon não dê crédito a Melisandre.
No começo do livro, Aemon já indicava a Jon que Melisandre provavelmente se enganava ao interpretar a profecia de Azor Ahai e que a magia na espada de Stannis era espetáculo ao invés de poder. Dessa forma, Jon já iniciava sua jornada em dúvida sobre Melisandre. A feiticeira usa Ygritte, Fantasma, Mance e Arya para tentar espantar as desconfianças de Jon. Mas bastou ela errar uma de suas previsões, para que a razão ditasse que Jon não lhe desse mais créditos.
E Jon assim fez com dureza:
– Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quando tiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
– A esperança de um tolo. – Jon virou-se e a deixou.
(ADWD, Jon XIII)
Quando Bowen Marsh colocou Jon à par da situação dos estoques da Patrulha, Jon deu mais ouvidos ao Intendente do que a seus olhos. Uma conduta sábia. Mas não foi tão sábio não perceber a jogada do Intendente. Sabendo que Jon queria alimentar os Selvagens e da natureza objetiva e frugal de Jon, Marsh primeiro apresentou o problema para depois vender uma solução.
A sugestão de Marsh: a comida somente daria para todos por um longo período se eles racionassem. Jon mostrou ao leitor que sabia que esta medida o faria impopular entre os irmãos negros, porém, diante de como Bowen colocou a questão, não parecia haver outra solução. Alguém duvida que o Intendente se valeu dessa decisão de Jon para angariar aliados na sua oposição? Alguém pode dizer que confia 100% nas estimativas que Marsh passou a Jon?
O Lorde Comandante, porém, preferiu não ouvir uma segunda opinião. O que deveria soar estranho para o leitor, haja vista que a objetividade de Jon faz com que ele e Marsh passem um livro inteiro em discordância. Ainda mais quando Marsh usa o mesmo argumento da comida quando Jon começa a trazer recrutas de Vila Toupeira.
Entretanto, o mais danoso atributo de Jon enquanto Lorde Comandante é sua independência postiça. Não por acaso Martin fez com que Jon fosse eleito por ação de Samwell. Caso Jon tivesse ele mesmo costurado os acordos para impedir que Slynt fosse eleito, muito provavelmente Jon não teria a falsa impressão de que poderia governar sem aliados próximos de si. No cargo, Jon acreditava que poderia ir preenchendo os cargos vagos por merecimento (como fez com Couros e Cetim).
Muito provavelmente, Jon pensava que seus amigos seriam sua maior fraqueza. Por isso manda embora Samwell e todos os colegas mais próximos, que o resgataram quando ele tentou desertar em A Guerra dos Tronos (Grenn, Pyp, Sapo e Halder). Ele até mesmo mandou embora Dywen, que era um porta-voz de Jon entre os Patrulheiros. Martin espertamente disfarçou essa dispensa de Dywen no meio da manobra de Jon para se livrar de Alliser Thorne. Mas, vejam , sem Dywen por perto, os patrulheiros ficariam á mercê de Bowen, que já tinha o apoio dos construtores e intendentes.
Quando não colocou seus aliados em posições estratégicas, Jon privilegiou seus opositores em detrimento de seus aliados. Aliás, manter as figuras como Marsh e Yarwick nos cargos, mesmo achando-os incapazes, fez com que Jon me lembrasse uma versão invertida de Cersei e seu pequeno conselho. Em Porto Real, a Rainha não ouvia conselhos de verdade de seus bajuladores sem talento. Em Castelo Negro, o Lorde Comandante não ouvia conselhos de verdade de seus opositores sem talento.
Com efeito, a quantidade de vezes em que Jon enfrenta seu “pequeno conselho” chega aos limites do ridículo. São tantas vezes que eu comecei a suspeitar que Martin não está querendo que vejamos uma tensão crescente. Afinal, Jon é bem-sucedido contra quase todas as investidas de Bowen Marsh, Othel yarwick e Septão Cellador. Como demonstrei no texto passado, não havia necessidade de Jon gerar tanta insatisfação na Patrulha. O motim seria crível de qualquer modo assim que ele desertasse.
A verdade é que eu penso que Martin estava ganhando tempo com esta série de debates. Como ele sabia que Jon seria assassinado, ele precisava prepara muito o terreno para o que sucederia à morte de Jon. Mas as sementes que seriam plantadas neste terreno seriam as decisões polêmicas de Jon, GRRM devia sentir que era necessário que a Patrulha respondesse negativamente a cada uma dessas ‘reformas’ para que a situação parecesse verossímil ao leitor.
Por outro lado, a oposição constante fazia crescer a dependência do Lorde Comandante pelo apoio dos Selvagens, o que criava um óbvio ciclo vicioso. Jon teve que confiar cegamente em Val para achar Tormund, deu uma senhoria a Sigorn através do casamento com Alys Karstark e tomou conselhos apenas de Tormund no assunto da carta de Ramsay.
O caso de Val, na verdade, é muito curioso. Martin foi sorrateiro ao representa-la tão disposta a ajudar Jon. Ela já havia sido oferecida como esposa a Jon por Stannis e durante o livro vemos o quanto ela tem química com Jon... até que ela entra em pânico assassino ao conhecer Shireen. Mas tudo isso só acontece quando Jon está em dívida com Val. Dessa forma, GRRM coloca o Lorde Comandante novamente em desvantagem e dependência.
Quanto ao casamento de Sigorn e Alys, o caso é mais sutil. Já havia fortes indícios que seria uma questão de tempo até que Sigorn ganhasse algum poder político, mas ninguém nunca se perguntou por que os noivos, ambos adoradores dos velhos deuses, foram casados por Melisandre?
Parece lógico à primeira vista que simplesmente seja uma imposição externa, da Rainha Selyse. Porém, é dito que Septão Cellador tentou realizar a cerimônia, revelando que não houve sequer debate sobre o assunto. Os adoradores da Fé dos Sete devem ter se sentido mais desagradados do que se a cerimônia fosse realizada perante um árvore-coração.
Falemos então de Tormund. No penúltimo capítulo de Dança, Jon teve um sonho em que estava defendendo a Muralha sozinho contra os Outros. Isso era um reflexo do isolamento que sentia. Logo depois, Tormund apareceu com seus quatro mil selvagens para passar sob a Muralha. Ou seja, Jon só encontrou com o velho conhecido quando o isolamento de Jon na Muralha já o atingia em nível subconsciente.
Temos que admitir que a simpatia e bom humor de Tormund foram um bálsamo bem-vindo a Jon. A forma como Tormund cooperou também facilitou Jon no convencimento dos homens dos Clãs das Montanhas de que a Patrulha e o Povo Livre estavam na mesma página quanto à trégua. Entretanto, o alívio deve ter sido grande demais para Jon.
Quando a carta de Ramsay chegou a Castelo Negro, Jon se recordou que Melisandre previra sua chegada e pedira que ele viesse falar com ela sobre o assunto. Depois de ter lido a carta no Salão dos Escudos, Jon se arrependeu de não ter ido conversar com Selyse antes do anúncio, pois não era adequado que ela fosse a última a saber da morte de Stannis. Por que ele não pensou nisso antes? Por que estava com Tormund quando a carta chegou.
A sensação de intimidade (e até um pouco de carência) devem ter feito com que Jon perdesse a prudência e adquirisse um indevido senso de urgência. De fato, não havia nada que justificasse sua deserção imediata. Ao invés de procurar Melisandre ou avisar Selyse, Jon passou duas horas refazendo seus planos com o amigão Tormund. Planos os quais Martin nos sonegou ao suprimir a conversa.
Alguém tem dúvida que Tormund não é o conselheiro mais indicado para este tipo de situação? Que dificilmente ele perceberia as nuances do conteúdo da carta como Melisandre afirmava ser capaz de decifrar? Cadê “mate o menino e deixe o homem nascer” nessa horas? Em lugar nenhum. Jon não pensou nisso nenhuma vez. Tal qual não pensou quando lidava com Janos Slynt. Na verdade, eu penso que Jon só não foi morto no próprio Salão dos Escudos porque naquele momento “os selvagens suplantavam os corvos em cinco para um” (ADWD, Jon XIII).
Porém, precisamos falar um pouco mal dos motineiros. O que eles estavam pensando quando resolveram usar o incidente entre Sor Patrek e Wun Wun para atacar Jon quando “homens saíam aos montes das fortalezas e torres ao redor. Nortenhos, povo livre, homens da rainha”? talvez Jon e Marsh se pareçam muito. Talvez ambos sejam pessoas demasiado passionais para lidar com a política da Muralha às vésperas da Longa Noite.
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Para concluir eu tenho uma pergunta: Quem foram os autores da terceira e a quarta facada em Jon? Alf e Lew Mão esquerda?
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2020.04.17 06:57 VoxelRiot Eis outro exemplar.

Alguma alma caridosa que faça o favor de ler? Se tiverem interessado em mais, isto é apenas o capitulo 4. Tenho 10, com dois deles incompletos.
Peço desculpa pela formatação de merda, mas a culpa é do reddit. Se tiverem interessados em mais, eu mostro o resto em troco de opiniões.
Longínquo vai o tempo das novidades. Quando Iluz passeava com Jillia pelo braço nas ruas de Arge. Falavam com os comerciantes para ouvir de terras distantes, ou viam com olhos brilhantes os espetáculos dos saltimbancos.
Iluz preocupava-se em ajustar os músculos ao tamanho da roupa e aparar a barba diariamente. Fazia jus ao estereótipo do Biomancer atraente.
Todos os dias chegava a casa perante um sorriso e lanche. Com roupa de pano branca acastanhada ao tom da terra, e suor a escorrer pela careca. Jillia por sua vez, lia sobre herbanária para melhorar Biomancy e fazia chá com o que aprendia.
Ah, ela era e é tão bela. O cheiro a rosas que espalha pela casa. O cabelo apanhado brilha à luz das velas. Figura esculpida nas brasas a dançar no vento. Pele casca de noz temperada pelo libido.
O melhor período da vida, veio depois de receber o bebé embrulhado em azul. A cor extinta que vale fortunas. A velha prometeu e cumpriu com cinquenta mil Celestes ano até aos dezoito. E assim construíram a quinta.
Jillia dançava e cantava com o bebé nos braços ao estender a roupa pelos frescos pastos. Iluz imaginava a mesma melodia para seus futuros filhos. Acordava embalado pelo sonho duma grande família. Mas tudo mudou com o requerimento militar.
Iluz franze os olhos ao pensar no assunto. Voltou coberto pela cicatriz gigante. Ela começa no abdómen e espalha-se pelo corpo como um ramo de oliveira. Os únicos que sabem da sua origem, são os antigos colegas de exércitos, porém também desprezam esses tempos.
Hoje, a deixar de ser quarentão, não liga a mexericos e caprichos na aldeia. Caminha pelas ruas de Arge a tentar passar despercebido no meio da multidão. Preso no silêncio da mente a sofrer de antecipação das burocracias do dia seguinte.
Os dias são todos iguais. Mesma terra castanha com raízes soltas pelas ruas. Mesmas casas de madeira com as mesmas pessoas à porta. Todas vestidas com os mesmos panos brancos com a mesma conversa. O vento que guia as nuvens é o mesmo que passa na careca e avisa do inverno. As únicas experiências novas pela frente são responsabilidades.
E para se livrar delas, Iluz entra na taberna. Cheia de pessoas, mas vazia de companhia. Abriu há minutos e os amigos estão por chegar. Então para fazer tempo, chega ao balcão, cumprimenta o taberneiro e pede um copo de bagaço.
Primeiro copo do dia. Já é tradição bebê-lo sozinho com as costas no balcão e olhos ambulantes. Passam de mesa a mesa, todas elas de madeira antiga cheias de falhas e inscrições feitas com navalhas… Com as mesmas pessoas e o mesmo barulho de fundo… Iluz solta o mesmo suspiro do costume.
Final da tarde e o pôr-do-sol já não ilumina a taberna. O taberneiro movimenta-se entre as mesas a acender as velas presas nos pilares de madeira. Talous, o bardo Cybermancer local, recebe o sinal para começar a cantar.
Iluz revira os olhos. Não é grande fã do bardo. Acha tudo nele ridículo. Tudo. Os collants vermelhos e o fato de seda verde com suspensórios violeta. A boina amarela que parece uma omelete descaída. E pior, os quatro amplificadores espetados na cara. Dois por cima de cada sobrancelha, como se precisasse deles para as prender.
Contudo, apesar da aparência do bardo, a curiosidade vence e ouve-o a cantar. As notícias que repudia são das poucas novidades do dia.
Talous canta um soneto.
‘’Dormia descansada Gertra Torsket
Mas acordou pouco após as sete
Com uma dor pior que uma machete
Iria nascer o novo bebé Torsket
General Bupson estava contente
por finalmente ver a semente.
Nove meses de espera dementes
para do terceiro ser parente.
Mas a intensa dor prevaleceu
E assim a bela Gertra concedeu.
Foi hoje de manhã que faleceu
Meus pêsames ao General Torsket
Muito Obrigado aos aqui presentes
Aceito pagamento em Celestes’’
Talous dá uma pirueta pelo ar, faz uma vénia e extende a boina ao homem mais próximo.
O homem abana a cabeça e mostra-lhe as costa.
Iluz leva a mão ao rosto para lavar o constrangimento. Porque é que ainda gasto tempo com bardos... Quero lá saber do que se passa na outra ponta da ilha... Pensa Iluz ao pousar o copo vazio.
Talous é um Cybermancer, por isso comunica com outros como ele à distância. Como existem vários espalhados pelo mundo com amplificadores, tem uma rede onde a informação circula instantaneamente.
Iluz não compreende a utilidade deles. Afinal, para quê falar com desconhecidos distantes, quando é melhor dar novidades a beber copos. E pior! O despudorado anda com aquelas atrocidades na cara! Iluz nunca deixaria alguém furar-lhe a cara de livre vontade.
O bater da porta na parede chama a atenção de Iluz. Duher e Ubin chegaram, ainda vestidos com o uniforme de guarda. Uma camisola verde, calças de pele e um casaco castanhos com tecido negro de Needlemancy cosido nas mangas.
''São três copos! Do bagaço mais forte que houver!'' - Diz Iluz ao meter dez Celestes no balcão.
’Ele quis dizer seis!’’ - Grita Ubin ao colocar as suas mãos, carnudas como chouriço nos ombros de Iluz. Hoje está alegre como quem descobre cinquenta Celestes no bolso. - ‘’Iluz seu espectro mal amado! Adivinha o que me aconteceu hoje!’’
‘’O quê?’’
‘’Fui promovido a Sargento! Para a semana estou em Serilena!’’ - Ubin sorri. - ‘’Abençoados sejam os bandidos que lhes tem dado problemas!’’
Ubin é Biomancer como Iluz, porém especializado em humanos. É o único dos três amigos na casa dos cinquenta. Mas com a aparência de trinta e cinco e corpulento como um boi. A barba é aparada à definição do queixo e o cabelo negro aprumado como nobreza.
Será um bom sargento. Tem a cara áspera e desgastada com sobrancelhas a engolir os olhos. Quando desconhecidos no exército, Iluz lembra-se de sentir como ser uma criança perto do pai mal humorado. São poucos com quem partilha o riso.
‘’Parabéns seu filho dum espectro!’’ - Iluz coloca os braços à volta de Ubin e puxa-lhe a cabeça para junto da sua.
Duher, contudo, morde o lábio e debruça no balcão. Puxa dum copo e dá um gole comprido. Fica com bagaço no bigode já mais cinzento que preto.
''Nunca vou perceber porque usam os espectros como insulto para tudo.'' – Diz Duher a deambular o copo como um badalo. - ''Se soubessem o que é andar a vida toda à procura dum...''
‘’Sim Duher... Porquê é que os bichos que chupam sangue e trazem azar são usados como insultos.’’ - Ironiza Iluz ao esvaziar o copo. - ‘’Pelo menos vocês Kuniks podem ter rebanhos de filhos!’’
‘’'E os Mancers têm tudo, sem ter que fazer nada!’’ - Diz Duher ao emborcar o resto do copo. Tem olheiras negras atrás duma fina franja esbranquiçada.
‘’Calem-se e bebam! Hoje o dia é para festejar!’’ – Diz Ubin a pegar nos copos no balcão e a colocá-los nas mãos de Iluz e Duher. Iluz nunca percebeu porque os espectros são tabu para Duher. É mais provável um Kunik ir da pobreza à riqueza em Serilena, que ser escolhido por espectros. Aliás, para quê ter coisas conscientes a segui-lo? Para Iluz, o principal benefício deles é a facilidade de reprodução.
Iluz passaria fome por Rahel. Mas inveja os oito filhos de Duher. Imaginava-se a ficar velho na quinta com meia dúzia de pequenos Iluzes e Jillias. Contudo, Mancers têm baixa taxa reprodutiva e nunca conseguiram mais.
Mas está feliz com Jillia. Apesar de só ter uma filha, tem a certeza que vai herdar Biomancy. Se Iluz tivesse casado com uma Kunik, teria mais filhos. No entanto, cada teria as mesmas hipóteses de ser Kunik ou Biomancer.
Pensamentos na quinta fazem Iluz debruçar sobre o balcão. Duher ao reparar em Iluz, coloca de parte a discussão mete-lhe as mãos nas costas. - ''Então o que é que se passa?''
‘’Aquele gaiato estúpido…’’
‘’O que é que ele fez desta vez?’’ - Pergunta Ubin a encostar ao balcão.
‘’Deixou de ser gaiato…’’ - Iluz vinca as unhas na mesa ao cerrar o punho. - ‘’Já fez os dezoito e vou deixar de receber os Celestes…’’
‘’Então já o podes expulsar! Como já queres fazer há anos.’’ - Diz Duher.
‘’De manhã discuti com a Jillia sobre isso. Ela não o quer expulsar. Para ela, é tanto filho como a Rahel.’’ - Iluz emborca o resto do copo. - ‘’Mais três copos!’’
O taberneiro a encher os copos preenche o silêncio dos amigos sem saber o que dizer.
‘’Eu bem tento ignorá-lo. Eu tento esquecer que é um Electromancer…’’ - Iluz agarra no copo que o taberneiro mete no balcão. - ‘’Mas escolher apatia não faz desaparecer a raiva e o ódio.’’. - Iluz dá um gole e aperta o copo metálico. O bagaço derrama sobre a mão.
''Estes três vamos bebê-los duma vez'' - Diz Ubin a elevar o copo. Tenta mudar de assunto. - ''Bem estás a precisar.''
Iluz e Duher levantam os copos e dão o brinde. Depressa vai à boca e num gole desaparece. Os três copo batem no balcão simultaneamente enquanto recuperam o fôlego com caras distorcidas.
Ubin sorri da promoção. Duher sorri por ser o mais franzino. Iluz sorri ao apertar mais o copo. Os cantos frios e afiados do metal amolgado cortam a pele. Prazer como tocar em metal fresco em dia quente.
‘’Odeio aquele gaiato... Que sufoque num espectro!’’ – Diz Iluz ao destruir o copo.
''Mais três copos!'' - Diz Duher ao taberneiro. Franze o olhar e tenta ignorar o comentário dos espectros.
‘’Cada vez que vejo aquela cara. Com aquele sorriso estúpido só me lembro disto.’’ - Iluz aponta as cicatrizes na cara, com o dedo estremecer com a voz. - ‘’Aquela noite.’’
‘’Não penses nisso! Pensa que por causa do exército agora estamos aqui os três juntos.’’ - Diz Ubin a levantar o copo para outro brinde. - ‘’Vá bebe mais outro que já te começas a sentir melhor!’’
Iluz não espera pelo taberneiro e rouba-lhe o copo da mão. Este gesto e o copo estragado, normalmente levaria é expulsão. Porém o taberneiro não quer perder o melhor cliente.
Iluz nem pede desculpas. Ergue o copo e espera que se juntem ao brinde. Em segundos desaparece outra rodada e assim continuam até á hora de jantar.
Iluz sai da latrina e retorna aos amigos. No regresso pisa metade dos pés na taberna e zanga-se com cinco desastrados que foram contra ele. Os seus braços ganharam a flexibilidade da cauda duma vaca e o campo de visão caiu para metade. Mas Iluz consegue achar Ubin e Duher, quase a dormir de cabeça encostada ao balcão.
''Adorvos mastenho dir pacasa...'' - Murmura Iluz e volta para trás sem despedida.
No caminho até á porta da taberna, Iluz pisa os restantes pés e empurra uma cadeira. Espectros! A mobília não tem cuidado ou educação! Não param de ir contra ele.
Sai da taberna ao anoitecer. Mas está preparado para voltar à quinta. Confiante. Começa a caminhada e tudo corre bem. Até que se farta. Por mais que caminhe, nunca mais chega. Ainda está nas portas da aldeia e sente que está a andar há mais de meia hora.
Ele sabe que está a deambular entre casas. Mas não há justificação para demorar tanto. Então tem uma ideia genial!
Iluz vai tentar usar Biomancy para ficar sóbrio e chegar a casa depressa. Um plano infalível. Nem sabe porque nunca pensou nisso antes. No dia seguinte quando contar a Ubin vai parecer um verdadeiro génio.
Contudo, não acontece nada do que espera. O corpo pulsa sem controlo. Os membros começam a ficar musculados, gordos e magrinhos simultaneamente em zonas distintas. A camisola rasgasse no abdómen e solta a barriga gorda que rapidamente se transforma em abdominais e vice-versa.
Mas de certa maneira funciona. Iluz fica um pouco mais sóbrio ao sentir o corpo a pulsar. No entanto, Iluz perde o equilíbrio. Inclina-se contra uma árvore e agarra o tronco para estabilizar a transformação. Porém, as dores de fome fazem-no desistir e ficar encostado à árvore. O corpo pára de transformar e fica desproporcional.
O braço direito tem os músculos inchados num melão e os ombros mais largos que a árvore. A barriga é uma horta de pele flácida e as pernas demasiado magras como o cabo duma enxada. Esqueléticas até. Mas Iluz não pode ficar parado. Continua o caminho a utilizar o braço músculado como apoio. Até o cansaço ganhar e perder o equilíbrio.
A cabeça vai ao chão e solta um grunhido. Morde os dentes com toda a força enquanto expira e inspira de cansaço. Deitado na terra fria de barriga para baixo. Ele quer chegar a casa, mas a força de vontade desaparece. Espectros para isto... pensa Iluz com estômago a dobrar-se. Ele sabe o que aí vem. Tenta resistir. Mas em vão... Iluz vira-se para o lado e vomita.
Usa as migalhas de força para virar para cima e fechar os olhos. Sente o cheiro e a viscosidade do vómito nas costas. Mas o breve alívio seguinte, leva-o num transe para o passado.
Lembra-se de ser acordado de madrugada com o som de trovoada. Lembra-se de ver a tenda a ser arrancada do chão e a voar puxada pelas estacas. Lembra-se do Electromancer com capa negra e inúmeros amplificadores na cara a atacar sozinho o batalhão.
Raios eléctricos como trovões saíam-lhe do corpo. Todos os aparelhos metálicos como espadas, escudos e jaulas com animais voavam à sua volta. Como se fosse o epicentro duma tempestade metálica.
Os militares deixaram de lutar. Estavam a tentar fugir e sobreviver. Cães que Iluz treinou, eram arremeçados dentro das jaulas aos seus colegas.
Lembra-se dos gritos. Lembra-se do ganir. Lembra-se de se esconder no meio dos destroços, agarrado aos joelhos e a tremer com o medo de nunca mais ver Jillia. Quando por acaso, um raio do Electromancer lhe acerta. E tudo se apagou.
Iluz acordou semanas depois, com uma cicatriz enorme a cobrir o corpo e com maior sentimento de insignificância. O homem que quase o matou, nem se apercebeu da sua existência. Foi só mais um dos milhares de raios que soltou naquela noite. Foi só mais um dia para ele. E Iluz foi só mais um.
Após minutos que pareceram horas. Deitado no próprio vómito e a ser assombrado pelo seu passado, Iluz ouve galopar pelo trilho abaixo. Tenta virar-se e ver quem se aproxima. Mas o corpo ainda atrofiado, não obedece e continua deitado.
Até que vê patas de burro a parar ao seu lado. Ouve duas pessoas a descer ao som do ladrar de cachorrinho. Dois estranhos falam entre si. É a voz dum homem e duma adolescente. Iluz tenta ver os salvadores. Mas na escuridão e com visão distorcida, vê apenas duas silhuetas sem caras vestidas de branco. O homem é alto, magro e com cabelo comprido. E a adolescente faz-lhe lembrar Jillia com roupas sujas de preto.
Os estranhos tentam levantar Iluz. Contudo, por mais que tentem, o corpo inanimado acaba no chão. As pernas esqueléticas não tem força ou equilíbrio para aguentar o resto do corpo.
''Moody deita no chão.'' – Diz o homem. Uma voz familiar mas ainda indistinguível.
O burro obedece. Os estranhos agarram nos braços e arrastam-no pelo vómito para cima do burro. A sua cabeça fica encostada à crina, o braço músculado a servir de almofada e o outro balançar no ar. As pernas vão presas na sela. E com o cavalgar, Iluz adormece.
Horas depois, Iluz acorda num monte de palha mal iluminado. Deduz que esteja no estábulo pelo cheiro a cavalo e carvão, embora não saiba como lá chegou. A última coisa que se lembra é de beber com Duher e Ubin. O corpo normalizou, no entanto sente o estômago oco. Como se tivesse usado Biomancy. Mas não deve ser isso, usar Biomancy embriagado soa a ideia terrível.
Ouve os kuniks a cantar em coro no exterior. Estão felizes e animados. Distraídos com futilidades. Um som que por norma ignora, mas neste momento o faz querer a arrancar a barba ao dente. Iluz levanta-se e quase perde o equilíbrio. Não está tão sóbrio como esperava. Os primeiros passos foram difíceis, mas depois ganha o ritmo.
''Boa noite patrão.'' – Diz Tortgard de vassoura na mão. - ''A Rahel deixou uma merenda preparada. Está alí na mesa de poker.''
Iluz só quer comer e dormir. Mas a dor de cabeça... O barulho… O coro dos Kuniks como bois exaltados. O raspar da vassoura na madeira. O respirar dos cavalos. O vento.
Iluz fixa Tortgard com olhar vermelho envolto de olheiras. Incêndio envolto de pólvora.
‘’Vory, faz pouco barulho.’’ - Sussurra Tortgard. - ‘’O patrão não tá com boa cara.’’
‘’Preocupa-te tu com ele.’’ - Sussurra Vory. - ‘’Trabalho bem no silêncio.’’
Sussurros como riscos nos ouvidos. Iluz chega perto da merenda e dá um murro na mesa. Dói ao ouvido como martelar pregos em ferro.
Vory engole em seco. - ‘’O outro lado do estábulo também precisa ser limpo.’’
‘’Sim, é melhor ir para lá.’’ - Diz Tortgard.
Iluz puxa do banco e senta-se à mesa. Passa o braço e atira todo a palha, os feijões e cartas para o chão. E finalmente morde a merenda.
Foi feita por Rahel às escondidas de Jillia certamente. O pão e a alface estão secos, o queijo com bolor e a carne tem pontos esverdeados. É feita de sobras. Mas sabe tão bem na mesma. Entre as dentadas, ele sorri ao encher-se com um calor de prazer.
Mas o êxtase acaba. Iluz coloca os punhos na mesa e levanta-se. Os pés arrastam-se pela palha. As tonturas fazem o mundo divagar a cada passo. Sai do estábulo e sente o sopro de lucidez. O ar exterior é leve e liberto. Porém, o cantar fica mais alto.
Inspira a tapar a explosão. Mas solta um suspiro de alívio ao ver Rahel a aproximar-se.
Iluz força o sorriso. Mas em vão. Os olhos estão pesados e a mente nublada. Em vez de sorrir, Iluz mostra os dentes com olhos desnivelados.
''Pai! Pai! Advinha o que encontrei!'' - Diz Rahel.
''O quê?'' – Murmura Iluz.
''Um Cachorrinho. Podemos ficar com ele?!'' - Diz Rahel ao fazer o seu melhor beicinho.
Porém Iluz olha para o chão. Olha para Rahel. Olha para trás. Mas não encontra nada.
Só vê Tortgard pelo canto do olho. Ele olha Rahel e abana cabeça de lado a lado. Tem olhos arregalados e um dedo à frente á boca.
Os lábios movem-se em silêncio a soletrar ‘’a-ma-nhã, a-ma-nhã’’ .
''Está ali pai, ele voa.'' - Diz Rahel a apontar para cima. - ''Chama-se Ciza.''
Iluz franze o olhar. Aquilo não é um cachorro. É um espectro.
''Sua tonta. Tu não podes ter espectros. Não és Kunik'' – Diz Iluz a forçar o riso tremido. - ''Vai devolvê-lo a quem o tiraste.''
''Ele é que veio ter comigo e estivemos juntos o dia todo. Ele não tem outro dono'' – Diz Rahel.
Um arrepio atrofia Iluz como um rastilho. Não... Não... O espectro não é dela... A Jillia não me fazia isso... pensa Iluz ao deixar Rahel para trás. Eu já cá estava quando a Rahel nasceu. Mesmo se tivesse andado num reboliço ou outro no meio da palha com alguém, ela pararia quando regressasse... Certo?
Iluz olha para trás e repara nas expressões de Rahel e Ciza.
Rahel estende a mão... E Ciza vem até si sem palavras trocadas.
Rahel faz o beicinho... Ciza faz o beicinho.
''Vá lá pai! Eu tomo conta dele''
Iluz cerra os dentes e esconde as lágrimas. O seu rosto fica vermelho. Os músculos começam a pulsar. A crescer. A rasgar o resto da roupa de pano. Cada pegada maior que a anterior. A fúria alimenta a fome. Marcha em direção á casa e solta um grito que vibra a noite.
''JILLIA!''
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2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
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O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
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[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
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Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
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2020.01.10 03:48 altovaliriano Os Webber scretamente apoiavam os Blackfyre?

A marca da história de A Espada Juramentada é assistirmos uma disputa territorial a partir do ponto de vista do lado perdedor. Não sabemos desde o início que a pretensão de Eustace é ilegal, por isso somos levados a considerar a falta de razoabilidade do outro lado. E Rohanne parece tudo menos razoável quando, em meio à seca, nega à população do território vizinho o acesso a um rio que passava por ali.
Ao final da história, depois de entendermos que o poder dos Webber sobre o rio deriva do fato de que a Casa Osgrey de Pousoveloz apoiou a fracassada Primeira Rebelião Blackfyre, o panorama muda. Isso é suficiente para que o próprio Dunk abandone Eustace à sua sorte, por exemplo. Aparentemente, ter sido um apoiador dos Blackfyre é suficiente para que todo seu infortúnio seja justificado.
Mas e se a dicotomia Targaryen x Blackfyre não estiver realmente espelhada na disputa Webber x Osgrey? E se os Webber também tenham sido apoiadores Blackfyre, mas tenham mudado de lado e suprimido este fato para não sofrer as consequências experimentadas pelos Osgreyde Pousoveloz?
Essa teoria já foi proposta por vários leitores das Crônicas, mas acredito que eu estou apresentando aqui, pela primeira vez, os argumentos e evidências de forma organizada e articulada.

Um nome incomum

Assim, como a Rebelião de Robert não foi iniciada em razão de seu amor por Lyanna, a Rebelião Blackfyre não foi surgiu por conta dos sentimentos entre Daemon e Daenerys. Mas é certo que ambos os rebeldes compartilham o fato de terem sido impedidos pelos Targaryen de se casarem com quem pretendiam.
Uma pequena observação: no caso de Daemon, é curioso pensar que o Targaryen que o impediu de casar com quem bem entendesse foi exatamente o mesmo Targaryen que supostamente lhe mimava: seu pai, Aegon IV Targaryen, O Indigno. Realmente, como diz o ditado, "a mão que afaga é a mesma que apedreja".
Deixando de lado a relação pai-filho, o que nos interessa aqui é a identidade da noiva que Aegon impôs a Daemon quando ele ainda era criança:
Embora não pudesse ‒ e não quisesse ‒ rescindir o último desejo do pai, Daeron fez o possível para manter os Grandes Bastardos por perto, tratando-os de forma honrada e garantindo os rendimentos com os quais o rei os agraciara. Pagou o dote que Aegon prometera ao Arconte de Tyrosh, vendo, assim, seu meio-irmão Daemon Blackfyre casado com Rohanne de Tyrosh, como Aegon desejara, ainda que Sor Daemon tivesse apenas catorze anos.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
O nome Rohanne é muito incomum no universo de ASOIAF. Na verdade, mesmo 17 anos depois de ter lançado A Espada Juramentada, as únicas outras Rohanne mencionadas nos livros são Rohanne Tarbeck e Rohanne de Tyrosh. Se levarmos em conta que a Tarbeck pode ter recebido este nome em homenagem à Rohanne Webber (segundo uma fonte semi-canônica), percebemos que ao tempo da Primeira Rebelião Blackfyre só conhecíamos duas Rohannes, uma em Westeros e outra em Essos.
Coincidência? Bem, se for, ela só aumenta ao analisarmos a linha do tempo.
Sabemos que Daemon nasceu em 170 DC e que tinha 14 anos quando casou-se com Rohanne de Tyrosh, a futura mãe de todos os seus filhos. Dessa forma, o casamento deve ter ocorrido por volta do ano 184 DC.
Já Rohanne Webber tinha 10 anos durante a Primeira Rebelião (196 DC) e 25 anos durante A Espada Juramentada (211 DC), o que faz com que seu nascimento deve ter ocorrido em 185 ou 186 DC. Portanto, ao menos um ano depois do casamento de Daemon e Rohanne de Tyrosh.
Seria exagero supor que Wyman Webber teria batizado sua filha em homenagem à esposa de Daemon? Certamente, alguém poderia alegar que Daemon, aos quatorze anos, poderia não inspirar o tipo de lealdade que motiva este tipo de ato. Afinal, Daeron estava vivo e era o herdeiro ao trono. Este tipo de coisa poderia soar como um insulto, certo? Na verdade, não.
Aegon IV já insultava seu herdeiro abertamente quando Daemon não havia feito sequer 4 anos de idade. De fato, pouco antes da fracassada invasão à Dorne em 174 DC, Aegon IV era conhecido por alimentar rumores de que Daeron não era filho seu (ainda que os negasse em público):
As brigas do rei com seus parentes próximos ficaram ainda piores depois que seu filho Daeron cresceu o suficiente para expressar suas opiniões. Vidas de Quatro Reis, de Kaeth, deixa claro que as falsas acusações de adultério da rainha, feitas por Sor Morgil Hastwyck, foram instigadas pelo próprio rei, embora, na época, Aegon negasse. Essas alegações foram refutadas pela morte de Sor Morgil em um julgamento por combate contra o Cavaleiro do Dragão. Que essas acusações tenham parecido na mesma época em que Aegon e o príncipe Daeron estavam brigando por causa dos planos do rei de iniciar uma guerra não provocada contra Dorne certamente não foi coincidência. Também foi a primeira vez (mas não a última) que Aegon ameaçou nomear um de seus bastardos como herdeiro, em vez de Daeron.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Aegon IV)
Por outro lado, o insulto máximo a Daeron e a exaltação máxima a Daemon já havia acontecido 2 anos antes do casamento com Rohanne de Tyrosh, quando o bastardo ainda tinha 12 anos:
O rei Aegon consagrou Daemon cavaleiro aos doze anos, quando o menino venceu um torneio de escudeiros (com isso, ele se tornou o cavaleiro mais jovem da época dos Targaryen, superando até Maegor I), e chocou a corte, os parentes e o conselho ao lhe conceder a espada de Aegon, o Conquistador, a Blackfyre, assim como terras e outras honrarias. Daemon assumiu o nome de Blackfyre depois disso.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Aegon IV)
Dessa forma, não seria de estranhar que os senhores de Westeros já se sentissem à vontade para bajular Daemon quando ele ainda tinha 14 anos, por enxergarem nele um potencial concorrente de Daeron ao Trono de Ferro.

De amigos a não-amigos

Uma vez que tenhamos entendido a estranheza de Wyman Webber ter batizado sua filha com o nome da mulher recém-casada com Daemon, outro fato aparentemente desconexo começa a chamar a atenção.
Ela se ajoelhou diante das amoreiras e começou a chorar, e ele ficou tão tocado que foi confortá-la. Passaram a noite toda conversando sobre o jovem Addam e o nobre pai da minha senhora. Lorde Wyman e Sor Eustace eram antigos amigos, até a Rebelião Blackfyre.
(A Espada Juramentada)
À primeira vista, a frase em negrito parece indicar, implicitamente, que Wyman e Eustace brigaram porque divergiam sobre a legalidade da pretensão de Daemon Blackfyre. Porém, é preciso observar que bastaria que um dos lados cortasse contato para que a boa relação cessasse. Dito de outra forma, pode ser que Wyman não tivesse nada contra Eustace, mas que apenas Eustace tivesse rancor de Wyman por ter lutado ao lado dos assassinos de seus filhos.
Eustace não deve ter se transformado em um apoiador dos Blackfyre da noite pro dia, às vésperas da Rebelião. Este é o tipo de transformação que leva tempo. E 14 anos separam a entrega de Blackfyre a Daemon (em aproximadamente 182 DC) e a Primeira Rebelião Blackfyre (ocorrida em 196 DC).
Como ficaram a relação entre Wyman e Eustace durante estes anos? Que tipo de conversas eles mantiveram depois que Daeron se casou com Myriah Martell e batizou seu filho em homenagem ao Rei Baelor (por volta de 170 DC)? Ou Aegon IV deu Blackfyre a Daemon (por volta de 182 DC)? Ou Daenerys casou com Maron Martell (em 188 DC)?
Vejam bem, não estou apenas citando ao acaso um bando de eventos. A justificativa de Eustace para apoiar Daemon efetivamente se baseia nestes eventos:
– Sim, meu senhor. Só que... o Rei Daeron era um bom homem. Por que escolheu Daemon?
– Daeron... – Sor Eustace quase arrastou a palavra, e Dunk percebeu que o velho estava meio bêbado. – Daeron era esguio e de ombros caídos, com uma barriguinha que balançava quando ele caminhava. Daemon andava ereto e orgulhoso, e seu abdome era tão reto e duro quanto um escudo de carvalho. E ele lutava. Com um machado, uma lança ou um mangual, era tão bom quanto qualquer cavaleiro que já vi, mas, com a espada, era o próprio Guerreiro. Quando o Príncipe Daemon estava com a Blackfyre nas mãos, não havia homem páreo para ele... nem Ulrick Dayne com a Alvorada, não, nem mesmo o Cavaleiro do Dragão com a Irmã Negra. É possível conhecer um homem por seus amigos, Egg. Daeron se cercava de meistres, septãos e cantores. Sempre havia mulheres sussurrando em seu ouvido, e a corte estava cheia de dorneses. Como não, se ele levara uma mulher dornesa para sua cama e vendera a própria doce irmã para o Príncipe de Dorne, embora fosse Daemon quem ela amava? Daeron tinha o mesmo nome do Jovem Dragão, mas quando sua esposa dornesa lhe deu um filho, ele chamou a criança de Baelor, como o rei mais fraco que já se sentou no Trono de Ferro. Daemon, no entanto... Daemon não era mais devoto do que um rei precisa ser, e todos os grandes cavaleiros do reino se reuniam ao seu redor. Convém a Lorde Corvo de Sangue que os nomes de todos eles sejam esquecidos, então ele proibiu que cantássemos sobre eles, mas eu me lembro. Robb Reyne, Gareth, o Cinza, Sor Aubrey Ambrose, Lorde Gormon Peake, o Negro Byren Flowers, Presa Vermelha, Bola de Fogo... Açoamargo! Eu lhe pergunto, já houve uma companhia tão nobre, tal rol de heróis? Por quê, rapaz? Você me pergunta por quê? Porque Daemon era o melhor homem. O velho rei viu isso também. Ele deu a espada a Daemon. Blackfyre, a espada de Aegon, o Conquistador, a lâmina que todo rei Targaryen empunhou desde a Conquista... ele colocou a espada na mão de Daemon, no dia em que o sagrou cavaleiro, um garoto de doze anos.
(A Espada Juramentada)
Assumindo que as queixas de Eustace foram crescendo ao longo de 14 anos, é de se esperar que Wyman Webber deveria ter uma estranha tolerância à Eustace. A estranheza somente aumenta se considerarmos que Wyman tomou Addam, o filho de Eustace, como pajem e escudeiro em Fosso Gelado. Tendo Addam morrido ao 12 anos na Batalha do Capim Vermelho (ocorrida em 196 DC), fica evidente que Wyman e Eustace tiveram sua relação mais próxima justamente nos anos que precederam a Rebelião Blackfyre.
Some-se a isso o nome com o qual batizou sua filha, e temos um prato cheio de estranhezas.
Mas, então, por que Wyman lutou contra o dragão negro? Vários fatores podem ter levado a isto. Ele pode ter sentido, às vésperas da Rebelião, que o lado de Daemon sairia perdedor. Ou poderia ter sido persuadido com a promessas de terras e recursos. Ou pode ter sido ambas as coisas. Não é O Trono de Ferro não garantiu aos Webber o uso de propriedades que eram antes dos Osgrey, mas apenas por determinado período de tempo e apenas se Eustace não tivesse mais filhos?
– Que palavras estavam escritas naquele papel?
– Era uma garantia de direitos, sor. Para Lorde Wyman Webber, do rei. Pelos serviços leais dele na rebelião recente, Lorde Wyman e seus descendentes tinham garantidos todos os direitos sobre o Riacho Xadrez, desde a nascente na Colina Ferradura até a foz, no Lago Frondoso. Também diz que Lorde Wyman e seus descendentes têm o direito de caçar veados vermelhos, javalis e coelhos no Bosque de Wat sempre que desejarem, e de cortar vinte árvores do bosque a cada ano. – O garoto limpou a garganta. – A garantia é só por um tempo, no entanto. O papel diz que, se Sor Eustace morrer sem um herdeiro do sexo masculino do seu sangue, Pousoveloz reverterá para a coroa, e os privilégios de Lorde Webber acabarão.
(A Espada Juramentada)
Analisando-se a recompensa aos Webber e a punição aos Osgrey, vê-se que ela foi equilibrado e proporcional o suficiente para que a balança não pesasse exageradamente para nenhum dos lados. Isso inclusive torna verossímil o comportamento de Eustace em culpar o Trono de Ferro pelo seu infortúnio, sem nunca acusar a Casa Webber de ser oportunista.
Em verdade, toda o rancor de Osgrey é direcionado à Viúva Vermelha, sem nunca fazer qualquer comentário contra Lorde Wyman, a pessoa que efetivamente ficou com as propriedades perdidas por Eustace.

O que vcs acham?
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2020.01.04 03:14 altovaliriano O Leão na teia da Aranha

Texto original: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/05/heirs-in-the-shadows-the-young-lion/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish
Título original: Heirs in the Shadows - The Young Lion

Introdução

Tyrek Lannister pode ser considerado pelos leitores pouco mais que um personagem terciário em As Crônicas de Gelo e Fogo. A avaliação não é irracional: nem mesmo mencionado pelo nome no primeiro livro, aparecendo apenas duas vezes antes de seu misterioso desaparecimento na revolta violenta em Porto Real em A Fúria dos Reis , o jovem Tyrek merece pouco mais do que uma nota de rodapé entre seus parentes Lannister mais proeminentes, muito menos no grande elenco de personagens. Caso notado, ele pode ser lembrado apenas como uma vítima, no mesmo plano que seu primo Willem: um infeliz peão das ambições dinásticas de Lannister, um inocente assassinado pelo povo revoltado da capital.
No entanto, Tyrek desapareceu tão completamente - e tão misteriosamente - que, afinal, seu "simples" desaparecimento pode não ser tão simples. Em vez de ser um dos muitos corpos retirados das ruas nos dias e semanas após o tumulto, Tyrek pode estar vivo e bem (ou pelo menos relativamente bem). Ainda mais, Tyrek pode estar esperando para fazer um reaparecimento dramático em Westeros, enquanto é instruído e preparado por um improvável "aliado". Quem iria querer o jovem primo Lannister e o que poderia estar reservado para ele no futuro?
[...]

Apresentando o Peão

Tyrek Lannister nasceu por volta de 286 dC, o único filho de Sor Tygett Lannister e sua esposa Darlessa Marbrand. Sor Tygett era o terceiro filho de Lorde Tytos Lannister, um irmão mais novo do futuro Lorde Tywin e Sor Kevan. Como os dois irmãos mais velhos de Tygett se casaram e tiveram filhos antes do nascimento de Tyrek, não houve grande pressão sobre esse terceiro filho para se casar e procriar também (embora ainda não saibamos quando Tygett e Darlessa se casaram).
Em uma família mais pobre, Tygett poderia ter sido levado para a Muralha, a Fé ou a Cidadela para reduzir os estoques familiares, mas os Lannisters eram ricos o suficiente para sustentar as famílias dos filhos mais novos. Tygett também não teve que abaixar os olhos para encontrar sua noiva: Darlessa era uma Marbrand, uma casa vassala respeitável dos Lannisters (e parente da mãe de Tygett, Jeyne Marbrand).
Na época em que o bebê Tyrek nasceu, ele era possivelmente o nono na fila de Casterly Rock (dependendo se seus primos Martyn e Willem Lannister e Joffrey Baratheon já haviam nascido e se o pai de Tyrek já havia morrido). Ainda que outros pretendentes tenham enfrentado probabilidades menores (Aegon V pode ter sido o décimo primeiro na fila no momento de seu nascimento), a possibilidade de um recém nascido sentar-se no assento dos Reis do Rochedo parecia muito improvável.
Ainda assim, o jovem Tyrek não teve nenhuma sorte. Como Lannister (e especialmente Lannister do Rochedo), neto da linha masculina de Lorde Tytos, Tyrek nunca teria falta de dinheiro ou influência. De fato, sendo a rainha uma Lannister (e havendo um herdeiro “meio”-Lannister da idade de Tyrek), carregar o nome de "Lannister" faria com que até um membro da família de status relativamente baixo como Tyrek ganhasse importância.
Seu pai, Tygett, recebeu alguns elogios durante a Guerra dos Reis Ninepenny: embora muito jovem - possivelmente até mais jovem do que Tyrek quando desapareceu - Tygett matou um homem em sua primeira batalha e depois matou um cavaleiro da Companhia Dourada. Portanto, Tyrek descendia de uma safra de boa qualidade das Terras Ocidentais e, pelo menos, poderia ter esperado se casar com uma donzela nascida nas Terras Ocidentais quando tivesse mais idade.
A rainha Cersei, no entanto, tentaria elevar seu jovem primo Lannister ainda mais do que ele poderia ter imaginado:
Não conseguiu deixar de reparar nos dois escudeiros: rapazes bonitos, loiros e bem constituídos. Um tinha a idade de Sansa, com longos cachos dourados; o outro teria talvez uns quinze anos, cabelos cor de areia, um fio de bigode e os olhos verdeesmeralda da rainha.
– Aqueles rapazes – Ned lhe perguntou– são Lannister?
Robert assentiu, limpando as lágrimas dos olhos.
– Primos. Filhos do irmão de Lorde Tywin. Um dos mortos. Ou talvez o vivo, agora que penso nisso. Não me lembro. Minha esposa vem de uma família muito grande, Ned.
Uma família muito ambiciosa, Ned pensou. (AGOT, Eddard VII)
Ned foi perspicaz em sua conclusão: a rainha Lannister teve bastante iniciativa no aprofundamento das relações dos Lannister na corte (uma característica que mais tarde ela criticaria na noiva de seus filhos, Margaery Tyrell). Consequentemente, Cersei convenceu o rei Robert a nomear o jovem Tyrek seu escudeiro, junto com o primo de ambos, Lancel (o filho mais velho de Kevan Lannister).
Não se sabe quando Tyrek começou a servir o rei, embora provavelmente não tenha sido mais de alguns anos (se muito) antes do início de A Guerra dos Tronos. Para efeito de comparação, os dois Walders em Winterfell começaram a servir Ramsay Bolton por volta dos oito ou nove e Edric Dayne a Beric Dondarrion aos dez. Assim, Tyrek deveria estar com Robert há cerca de três anos antes da morte do rei, no máximo.
Quanto mais alto o cavaleiro ou senhor, maior seria a honra de ser escudeiro (a razão pela qual, entre outras concessões, Walder Frey exigiu que seu filho Olyvar se tornasse escudeiro do então Lorde Robb Stark), e nenhuma honra maior poderia ser concedida a um menino Westerosi que ser escudeiro do próprio rei.
A nomeação como escudeiro do rei poderia ser o começo de uma carreira na corte para Tyrek, semelhante ao começo cortês do tio Tywin como um pagem para Aegon V. O príncipe Rhaegar, afinal, transformou seus escudeiros, Myles Mooton e Richard Lonmouth, em firmes aliados e amigos. Se Tyrek provasse ser um espadachim tão talentoso quanto seu pai, poderia se tornar o mestre de armas da Fortaleza Vermelha (uma posição que Tywin realmente tentou, mas falhou, em garantir para Tygett). Com um primo na Guarda Real, uma capa branca poderia até estar no futuro de Tyrek (de fato, uma colocação na Guarda Real poderia ter servido para remover cuidadosamente um excesso de Lannisters do Rochedo). Dyanne Dayne pode ter assegurado um casamento real devido à sua nomeação para a corte da rainha Mariah Martell. Um noivado com a princesa Myrcella provavelmente era impossível para um mero primo Lannister, mas na corte Tyrek não careceria de conexões poderosas - enquanto os Lannister permanecerem no poder.
No entanto, também pode ter havido um lado mais sombrio em Tyrek ter se tornado escurdeiro - um não explorado nos livros, mas que, no entanto, é importante considerar à luz do possível papel de Tyrek no futuro. Espera-se que escudeiros sigam seus cavaleiros em todos os lugares, e o exemplo de Justin Massey demonstra que Robert poderia levar seus escudeiros a lugares estranhos:
Massey quer a princesa selvagem também. Ele certa vez serviu meu irmão Robert como escudeiro e adquiriu o seu apetite por carne feminina. (ADWD, Jon IV)
Esse "apetite por carne feminina" quase certamente incluía os bordéis de Porto Real que Robert visitava com alguma frequência. Tyrek era um pouco jovem demais para participar da maneira que Stannis disse que Justin Massey fazia (ou mesmo da maneira que Lancel poderia ter feito, se incentivado por Robert), mas ele não teria que passar tempo com nenhuma prostituta para observar algo muito mais perigoso que os adúlterios do rei.
Os leitores sabem que Robert tinha pelo menos um bastardo de uma prostituta de Porto Real: a bebê Barra, nascido de uma jovem prostituta de Chataya. A bebê, como todos os bastardos conhecidos de Robert, tinha o cabelo preto de seus antecedentes Baratheon - um fato que Mindinho não deixou de notar, o fez levar Eddard para ver a bebê e revelar a conspiração incestuosa dos Lannister.
Certamente, seria demais supor que Tyrek, um garoto de 12 anos, tivesse descoberto que os verdadeiros filhos bastardos de Robert tinham aparência de Baratheon, e que seus primos em primeiro grau eram, na verdade, bastardos nascidos do incesto de Lannisters. No entanto, Tyrek talvez tenha visto demais, mesmo que ele próprio não tivesse juntado as peças do quebra-cabeça. O escudeiro mais jovem do rei provavelmente viu em primeira mão os filhos bastardos de cabelos pretos do rei (com nove bastardos não registrados do rei, parece provável que pelo menos um outro além de Barra e Gendry tenha nascido onde o rei passava a maior parte do tempo: a capital) e, presumivelmente, era amigo de confiança e companheiro dos filhos de aparência Lannister da rainha. Se esse conhecimento fosse posto a disposição de um indivíduo mais ardiloso do que o inocente Tyrek, o garoto poderia se tornar uma testemunha útil na derrubada do regime de Baratheon-Lannister.
No entanto, Tyrek não precisaria servir Robert como escudeiro (ou segui-lo em suas aventuras lascivas) por muito tempo. Em 298 dC, Robert morreu – aparentemente de um acidente de caça, mas de fato por um meio-assassinato criado por Cersei para impedir a descoberta de seu incesto. O veículo que ela usou foi o primo de Tyrek e também escudeiro, Lancel Lannister.
Aparentemente, Tyrek não acompanhou o rei em sua última caçada, mas ele pode ter ouvido trechos da trama via Lancel. Seu status duplamente íntimo - como primo em primeiro grau e companheiro escudeiro (os dois parecem ter sido os únicos escudeiros de Robert no momento de sua morte) - dão a Tyrek maior potencial de conhecer os fatos por trás do assassinato de Robert - fatos que também serviriam para derrubar Linha real de Cersei.
Naquele momento, Tyrek era simplesmente um antigo escudeiro real, então alocado na corte de Joffrey sem qualquer objetivo maior. Os eventos, no entanto, logo perturbariam a existência relativamente pacífica de Tyrek e o empurrariam para uma tempestade de caos político - e ambição secreta.

Um Desaparecimento Estranho

Para acrescentar a todo o mistério que cerca seu desaparecimento, em A Fúria dos Reis, Tyrek é visto apenas uma vez:
Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias. (ACOK, Tyrion VI)
Longe de ser a noiva filha de um glamuroso cortesão que Tyrek esperava que sua posição de corte lhe desse - ou mesmo da donzela das Terras Ocidentais que ele poderia ter antecipado em circunstâncias normais - o "primo pobre" de Tyrion fora casado com Ermesande Hayford. Dinasticamente, a combinação foi agradável: a Casa Hayford era uma respeitável dinastia das Terras da Coroa, com pelo menos uma casa de cavaleiros juramentada. Sua atual dama, Ermesande, era a última de sua linhagem, o que significa que as terras e rendas de Hayford seriam graciosamente transferidas para os Lannisters.
Infelizmente para Tyrek, Ermesande também era um bebê. O novo lorde de Hayford teria que esperar até os vinte e poucos anos para contemplar a consumação de seu casamento. No entanto, se era pessoalmente humilhante ser casado com uma garota ainda não desmamada, Tyrek não tinha instância para reclamar. Ele, como todos os seus contatos Lannister, era um peão em um grande jogo de política dinástica e se casaria na forma que pudesse trazer maior vantagem à Casa Lannister.
Tyrek, no entanto, não viu sua noiva infantil amadurecer. Em 299 dC, Tyrion arranjou o casamento da prima de Tyrek, Myrcella, com o príncipe Trystane Martell, de Dorne. A corte fez um evento para acompanhar Myrcella até as docas para vê-la partir para Lançassolar, e Tyrek - como primo da princesa e também representante dos interesses de Lannister - juntou-se à família real, cortesãos, guardas reais e até o Alto Septão na procissão. Um homem na corte, no entanto, estava visivelmente ausente: o mestre dos sussurros, Varys.
A cidade estava em um clima nefasto. A Guerra dos Cinco Reis havia isolado a Capital dos tradicionais celeiros de Westeros. Com as Terras Fluviais em chamas e a Campinas firmemente apoiando de Renly Baratheon no ínico, Porto Real teve que confiar em Rosby e Stokeworth para trazer suprimentos, e as restrições resultaram em fome entre as classes mais pobres da cidade. O que o jovem rei Joffrey não possuía em charme e tato político, mais do que compensava em crueldade. Tyrion, sua Mão, foi responsabilizado pela má sorte após a morte de Robert, odiado por sua retaliação contra Janos Slynt e Pycelle e por seus seguidores mercenários e selvagens. Rumores sobre o incesto dos Lannister e a corrupção real em geral já haviam se espalhado pelas ruas; o ar saturado precisava apenas da faísca certa para explodir.
Quando explodiu, a fúria foi horrível de se ver. Sor Aron Santagar, o mestre de armas da Fortaleza Vermelha, foi espancado até a morte por quatro homens, enquanto Sor Preston Greenfield, da Guarda Real, foi retalhado e esfaqueado tão brutalmente que sua armadura branca ficou manchada de vermelho e marrom. O Alto Septão fora arrancado de sua liteira e despedaçado por membros da multidão, e a Senhora Lollys Stokeworth fora estuprada nas ruas por vários homens. Nove Mantos Dourado foram mortos pela multidão, enquanto mais 40 da Patrulha da Cidade foram feridos nos combates; o número de plebeus mortos não foi registrado, mas provavelmente foi muito maior.
Não foi registrado entre os mortos, porém, o jovem Tyrek Lannister. Presumivelmente, "Ama de Leite" estava na "longa comitiva de outros cortesãos" atrás da liteira do Alto Septão, formada no final da procissão real. Esse posicionamento explicaria por que foi Horas Redwyne, também naquele grupo, quem informou que Tyrek não havia retornado. Tyrion, assumindo o comando logo após o tumulto, ordenou a Jacelyn Bywater, seu novo Comandante da Patrulha da Cidade, que encontrasse seu primo desaparecido:
Tyrek continuava desaparecido, tal como a coroa de cristais do Alto Septão. Nove homens de manto dourado tinham sido mortos, e havia quarenta feridos. Ninguém se incomodara em contar quantos haviam morrido entre a multidão.
– Quero Tyrek, vivo ou morto – Tyrion disse secamente quando Bywater se calou. – Ele não passa de um garoto. Filho do meu falecido tio Tygett. O pai sempre foi bom para mim. (ACOK, Tyrion IX)
Com a confusão e o caos do tumulto, não surpreende que Tyrek Lannister tenha se perdido. Sua aparência óbvia de Lannister e sua associação com a família real pode ter tornado Tyrek um alvo fácil para os manifestantes. Se ele fosse tratado com tanta brutalidade quanto Sor Preston ou Sor Aron, seu corpo poderia nunca ter sido encontrado entre os muitos mortos.
No entanto, o que é insatisfatório nessa explicação simples é o foco que o desaparecimento de Tyrek é dado por vários livros, muito depois que os incêndios na Baixada das Pulgas foram extintos. Em três momentos distintos, Tyrek e o mistério de seu desaparecimento após o tumulto são expressamente mencionados, muito embora nenhum personagens presentes pareça ser capaz de determinar o destino do pobre escudeiro.
O primeiro momento ocorre durante A Tormenta de Espadas. Tyrion, tentando uma reunião com seu pai (a nova Mão), encontra Sor Addam Marbrand na escada. Um cavaleiro bastante talentoso e amigo de infância de Jaime Lannister, Addam havia sido nomeado o novo comandante da Patrulha da Cidade, mas sua primeira tarefa provou ser um fracasso:
– Você vem dos aposentos de meu pai? – perguntou.
– Venho. Temo não tê-lo deixado no melhor dos humores. Lorde Tywin acha que quatro mil e quatrocentos guardas são mais do que suficientes para encontrar um escudeiro perdido, mas seu primo Tyrek continua desaparecido.
Tyrek era filho do falecido tio Tygett, um rapaz de treze anos. Desaparecera no tumulto, não muito tempo depois de se casar com a Senhora Ermesande, um bebê de peito que calhava ser a última herdeira sobrevivente da Casa Hayford. E provavelmente a primeira noiva na história dos Sete Reinos a enviuvar antes de ser desmamada.
– Também não fui capaz de encontrá-lo – confessou Tyrion. (ASOS, Tyrion I)
Pode ou não ser verdade que Sor Addam enviou todos os quatro mil guardas da cidade à procura do jovem Tyrek, mas o tamanho de sua força-tarefa em potencial só fez com que o fracasso em encontrar essa relação Lannister fosse maior – e mais intrigante. Sor Addam é um comandante respeitado, mas ninguém na capital era capaz de revelar maiores informações sobre o paradeiro de Tyrek, ou mesmo mais detalhes sobre o que aconteceu com o escudeiro Lannister durante o tumulto - um fato tornado mais notável em face da autoridade emanada por Addam. Lorde Tywin Lannister manifestou sua intenção de encontrar seu sobrinho, porém nem mesmo a mágica de seu nome conseguiu extrair mais uma gota de informação daqueles que poderiam saber sobre Tyrek.
É verdade que, durante a rebelião de Robert, Jon Connington não conseguiu extrair informações do povo de Septo de Pedra: ele havia oferecido subornos e ameaçado com punições, mas as pessoas se recusavam a revelar onde Robert Baratheon estava escondido na cidade. No entanto, lorde Tywin tinha uma reputação muito mais pavorosa do que Lorde Jon.
]Tywin não tinha vergonha de anunciar sua brutal extinção dos Reynes e Tarbecks por seu desafio aos Lannisters; alguns dos portorrealenses podem até se lembrar do Saque no fim da rebelião de Robert, quando os homens de Tywin mataram crianças na rua e estupraram mulheres em suas casas. Se os portorrealenses mentissem agora e fossem flagrados na mentira mais tarde, a retribuição que Tywin traria sobre eles e seus vizinhos seria implacável.
Então, por que ninguém deu a menor dica sobre o que aconteceu com Tyrek? Não há rumor de que ele teria sido morto (embora Bronn considerasse essa como a opção mais provável); em vez disso, Tyrek parece ter simplesmente sumido.
Mais tarde, o próprio Tywin enfatizou seu desejo de encontrar o filho de seu irmão em uma reunião do pequeno conselho:
– Dragões e lulas-gigantes não me interessam, independentemente de quantas cabeças tenham – disse Lorde Tywin. – Seus informantes terão por acaso encontrado algum rastro do filho de meu irmão?
– Infelizmente, nosso bem-amado Tyrek desapareceu por completo, pobre e bravo rapaz. – Varys parecia perto de rebentar em lágrimas. (ASOS, Tyrion III)
Pode-se questionar por que Tywin procuraria informações de Varys. Se milhares de policiais não puderam extrair o paradeiro de Tyrek daqueles que testemunharam o caos do tumulto, a próxima fonte de informação era naturalmente Varys e sua extensa rede de espionagem. O mestre dos sussurros pode não ser tão onisciente quanto muitos acreditam que ele é, mas seu catálogo de informantes é vasto e suas habilidades na coleta de informações são bem afiadas e praticamente inigualáveis.
Os plebeus podem relutar em admitir a oficiais sob a autoridade de Lorde Tywin que viram Tyrek assassinado e seu corpo destruído ou despejado no Água Negra, mas declarações casuais feitas em ambientes mais informais podem ser facilmente captadas por um agente da Varys e entregues ao mestre de sussurros. Era assunto oficial da coroa desde imediatamente após o tumulto encontrar Tyrek Lannister; era, ostensivamente, a responsabilidade premente de Varys coletar qualquer informação sobre esse ponto.
No entanto, embora Varys ostensivamente não tenha recebido informações, sua conduta nessa cena deve ser analisada. Não foi a primeira vez que Varys exibiu teatralmente uma tristeza dramática diante de um Lannister. Em A Fúria dos Reis, Tyrion organizou a prisão de Janos Slynt e seu exílio na Muralha, muito embora Slynt tivesse se recusado a revelar quem o havia ordenado a perseguir os assassinatos do bebê Barra e sua mãe. Após a cena com Slynt, Tyrion teve a seguinte conversa com Varys:
– [...] Foi a minha irmã. Foi isso que o Ah... tão... leal Lorde Janos se recusou a dizer. Cersei enviou os homens de manto dourado àquele bordel.
Varys sufocou um riso nervoso. Então, ele sempre soubera.
– Não me havia contado essa parte – Tyrion disse, acusadoramente.
– A sua querida irmã – Varys respondeu, tão desgostoso que parecia perto das lágrimas. – É duro contar isso a um homem, senhor. Tive receio de como receberia a notícia. É capaz de me perdoar? (ACOK, Tyrion II)
Mais uma vez, Varys conhecia um segredo que a Mão Lannister não conhecia. Encurralado para revelar a verdade ou passar uma mentira plausível, Varys optou por lágrimas dramáticas para transmitir uma sensação de pesar real à situação em ambos os casos. Suas habilidades na pantomima não haviam desvanecido, apesar de seus anos fora da profissão: como um pantomimeiro perfeito, Varys estava utilizando uma distração em sua demonstração de tristeza para desviar as atenções do público das questões prementes reais apresentadas a ele.
O truque não funcionou em nenhum dos dois homens - Tyrion insistiu em maior transparência do mestre dos sussurros, e Tywin estava pronto para "expressar a sua óbvia insatisfação" antes de ser desviado por Kevan - mas o fato de Varys usar a mesma tática duas vezes, diante de público similar, pode sugerir que Varys está mais uma vez privando os Lannisters de um segredo e que ele sabe exatamente o que aconteceu com o jovem Tyrek.
A conversa de Marbrand com Tyrion, no entanto, não seria a última vez que o herdeiro de Cinzamarca comentaria o caso do desaparecimento de Tyrek. Ao partir da capital, Jaime Lannister levou seu amigo de infância consigo. Permanecendo como convidados em Hayford - o assento brevemente ocupado por Tyrek - Addam falou o seguinte sobre a situação:
– Eu mesmo liderei uma busca, por ordens de Lorde Tywin – interveio Addam Marbrand enquanto tirava as espinhas de seu peixe –, mas não descobri mais do que o Bywater antes de mim. O rapaz foi visto pela última vez a cavalo, quando a força da turba quebrou a formação de homens de manto dourado. Depois disso... Bem, sua montaria foi encontrada, mas o cavaleiro não. O mais provável é terem-no derrubado e matado. Mas, se foi assim, onde está o corpo? A multidão deixou os outros cadáveres no local, por que não o dele? (AFFC, Jaime III)
Addam Marbrand levanta um ponto importante. Os corpos de Santagar e Greenfield foram descobertos mais tarde - mutilados, quase a ponto de não serem reconhecidos, mas identificáveis ​​-, sendo que a multidão não faz nenhuma tentativa de descartar os dois, que eram obviamente funcionários da corte. Certamente, o castigo pelo assassinato de um Lannister, primo em primeiro grau do rei (assumindo que a multidão soubesse quem Tyrek era), seria terrível. No entanto, o assassinato alguém de nascimento nobre como Santagar, ou um cavaleiro da Guarda Real, provavelmente também levaria terríveis punições.
As multidões de tumultos estavam em um estado caótico, mais em busca de sangue do que em fazer cálculos frios sobre suas vítimas, e com Tyrek não teria sido diferente. Por que apenas o corpo de Tyrek seria descartado de maneira tão completa que não restava nenhum vestígio dele?
Lyle Crakehall, outro homem do oeste na companhia de Jaime, fez a seguinte observação:
– Ele teria sido mais valioso vivo – sugeriu Varrão Forte. – Qualquer Lannister traria um robusto resgate. (AFFC, Jaime III)
O pensamento, no entanto, foi rápida e efetivamente descartado por Marbrand:
– Sem dúvida – concordou Marbrand –, e no entanto nunca houve um pedido de resgate. O rapaz simplesmente desapareceu. (AFFC, Jaime III)
Mais uma vez, Marbrand foi direto ao cerne da questão. Bronn havia observado anteriormente a oferta de Varys de uma “bolsa gorda” pela devolução de Tyrek, e sem dúvida Marbrand também acreditava que o eunuco mestre de espionagem tornara pública a oferta. Havia muitas oportunidades para os portorrealenses ganharem dinheiro com o desaparecimento de Tyrek, mantendo-o como refém quando a revolta estourou ou, posteriormente, alegando conhecimento do destino de Tyrek (talvez colocando a culpa pelo assassinato em vizinhos detestados).
No entanto, não havia um pingo de informação que pudesse revelar o que aconteceu com o escudeiro Tyrek. Uma gorda bolsa Lannister raramente falhara em soltar línguas antes, mas mesmo assim os rumores do destino de Tyrek não puderam ser arrancados dos habitantes da Baixada das Pulgas.
No comentário de Marbrand, Jaime fez sua própria conclusão - que os portorrealenses, tendo matado Tyrek, jogaram seu corpo no rio por medo da ira de Tywin - mas isso é insatisfatório, mesmo para o próprio Jaime. Por um lado, Tywin não estava na capital na época do tumulto e não retornaria até a Batalha do Água Negra. Na verdade, os portorrealenses poderiam temer o retorno de Lorde Lannister, mas o corpo de Tyrek teria que ser destruído durante o tumulto (uma vez que Tyrion enviou uma equipe de busca para ele logo ao retornar à Fortaleza Vermelha), fazendo do medo de Tywin uma motivação improvável.
Aprofundando-se na questão, Jaime avaliou o que Tyrek poderia representar:
Mas, mais tarde, sozinho no quarto de torre que lhe fora oferecido para a noite, Jaime deu por si com dúvidas. Tyrek servira o Rei Robert como escudeiro, ao lado de Lancel. O conhecimento podia ser mais valioso do que o ouro, mais mortífero do que um punhal. Foi em Varys que pensou então, sorrindo e cheirando a lavanda. O eunuco tinha agentes e informantes por toda a cidade. Seria coisa simples arranjar as coisas de forma que Tyrek fosse capturado durante a confusão... desde que soubesse de antemão que era provável que a turba entrasse em tumulto. E Varys sabia de tudo, ou pelo menos era isso que gostava de nos fazer acreditar. Mas não deu nenhum aviso a Cersei sobre esse tumulto. Nem desceu aos navios para se despedir de Myrcella. (AFFC, Jaime III)
Pode parecer óbvio demais que o destino de Tyrek nos seja transmitido através dos pensamentos internos de Jaime. Jaime certamente tem todos os fatos sobre o Tyrek aqui, mas o importante a se notar é que Jaime falha em juntar as peças. Ele sabe que Tyrek era um escudeiro, sabe que Lancel também era escudeiro, sabe que Lancel efetuou o plano de assassinato de Cersei, sabe que Varys poderia ter arrebatado Tyrek - mas depois para de pensar no assunto.
O monólogo interno de Jaime pode ser comparado à chance de Arya ouvir a trama entre Varys e Illyrio nos porões da Fortaleza Vermelha em A Guerra dos Tronos. De certa forma, é muito coincidente e direto - os leitores conseguem obter um ponto de vista dos dois conspiradores astutos discutindo abertamente seus planos acerca dos Targaryens exilados - mas porque Arya é apenas uma criança, não uma ladina, seu relatório da conversa é confusa e gentilmente descartada por Eddard. Jaime pode adivinhar que Tyrek pode ser útil, mas o modo como Varys poderia usá-lo está além do desejo ou habilidade analíticos de Jaime.
A evidência não resulta em uma conclusão simples. Todos os membros desaparecidos da comitiva real haviam sido devolvidos à Fortaleza Vermelha ou tiveram seus corpos encontrados - exceto Tyrek. Uma busca realizada após o tumulto não conseguiu encontrar mais do que o palafrém de Tyrek. Uma enorme força-tarefa da Patrulha da Cidade não fez nada para dissipar o mistério em torno do desaparecimento do garoto. Varys, o especialista em espionagem, parece ter deliberadamente ocultado informações que recebeu sobre Tyrek. Para onde o garoto poderia ter ido?
Pode ser que Tyrek não tenha sido assassinado nas ruas da Baixada das Pulgas – mas que ele esteja, de fato, vivo e escondido, sob os cuidados de Varys.

O Leão na teia da Aranha

O fato de Varys ter usado o motim em Porto Real para seqüestrar o jovem Tyrek parece uma conclusão possível, até mesmo provável. É improvável que Varys tenha planejado todo o tumulto em Porto Real - as pessoas estavam com fome e raiva o suficiente para não necessitarem de preparação -, mas uma instigação sutil poderia levar os portorrealenses a se aglomerarem nos pontos desejados, dentro dos quais Varys ou seu agente na multidão poderiam arrebatar Tyrek e o colocar sob custódia da Aranha.
Se ele era de fato o mentor por trás do tumulto, Varys havia improvisado uma hábil pantomima. A mulher com a criança morta que interrompeu a procissão real fora colocada na curva de uma rua morro acima; a comitiva real não apenas se moveria devagar, mas o fim da comitiva ficaria fora de vista. É provável que a mulher e o homem que jogaram sujeira em Joffrey tenham sido plantados, colocada em posição de detonar o conhecido pavio curto de Joffrey.
A mulher que se encaixa no gosto de Varys pelo teatral; e o atirador de estrume também parece obra dele, uma vez que a sujeira foi jogada de cima de um telhado. Previsivelmente, Joffrey enviou seu "cão" para a multidão para mutilar as pessoas obedientemente e assim, como era de se eseperar, a multidão de pessoas famintas e espumando tomou a brutalidade de Sandor Clegane como incentivo para retaliar. Plantando cuidadosamente seus agentes, Varys poderia garantir que o tumulto começasse na frente do desfile real, permitindo que o rei de repente corresse perigo a fim de distrair o sequestro de Tyrek na parte de trás da procissão e antes da curva do Caminho Lamacento.
O que Varys iria querer com Tyrek? Primeiro, Tyrek tem uma forte direito de sangue a Rochedo Casterly. Embora esteja agora distante do lugar em que nasceu, Tyrek saltou algumas posições desde então. Lorde Tywin está morto, Jaime inelegível por conta de seu manto branco e Tyrion, um regicida condenado e um traidor, está há dois continentes de distância de seu assento ancestral. Cersei, a Dama de Casterly Rock, está esperando para ser julgada por incesto, adultério e regicídio; ela provavelmente terá sucesso no julgamento, mas seu domínio sobre a coroa permanece tênue. Depois de Cersei e seus filhos viria Kevan Lannister, mas Sor Kevan foi recentemente assassinado - por ninguém menos que o próprio Varys. O filho de Kevan, Lancel, se tornou religioso após a Batalha do Água Negra, renunciou ao assento em Darry para se juntar aos Filhos do Guerreiro, ao passo que Willem foi assassinado por Rickard Karstark; seu irmão gêmeo Martyn e o pequeno Janei permanecem vivos, embora o paradeiro deles seja desconhecido. O próximo reclamante seria o próprio Tyrek.
Varys precisa de um herdeiro Lannister, para estabelecer uma nova ordem política em Westeros. Por quase duas décadas, Varys e Illyrio criaram o jovem Aegon como o príncipe ideal, futuro Senhor dos Sete Reinos, um salvador glorioso para resgatar o reino do caos. A invasão estrangeira, no entanto, pode ser apenas uma parte dessa nova conquista de Aegon: qualquer conquistador bem-sucedido (especialmente um sem dragões) exige o apoio da nobreza local para não apenas derrotar seus inimigos, mas estabelecer um regime viável para o futuro.
Dorne parece preparado para apoiar o principezinho “Targaryen”: posando como filho de Elia Martell, Aegon parece pronto para incitar muitos dorneses, já inquietos, a agir contra a odiada dinastia Lannister. O próximo e ousado investimento de Aegon em Porto Real garantirá sua posição como conquistador das Terras da Tempestade, e pelo menos dois poderosos senhores da Cmapina - e um número incerto de "amigos" - parecem prontos para se juntar à sua causa.
Para o resto dos Sete Reinos, no entanto, Varys precisará formular um plano de ataque diplomático. Tyrek, um Lannister do Rochedo, um legítimo Lorde leão (assim que algumas peças forem arrancadas do tabuleiro), pode servir como um fantoche útil para ganhar as Terras Ocidentais para o futuro Aegon VI.
É claro que, para sentar o jovem Aegon no Trono dos Reis Dragão, Varys precisa derrubar o rei-criança Tommen (e se desfazer da princesa Myrcella). A hoste que o príncipe de Varys estava liderando nas Terras da Tempestade será um forte punho de aço para defender seu ponto de vista, mas Varys também precisa da luva de seda de embasamento legal para arrancar a coroa de Tommen de seus cachos dourados.
A tática mais óbvia (e verdadeira) seria provar que Tommen e Myrcella eram bastardos nascidos do incesto, sem qualquer pretensão ao Trono de Ferro, assim como qualquer outro westerosi. Sua bastardia já era um boato comum em todo o reino, graças a Stannis, mas para encerrar a discussão, Varys precisava de alguém que pudesse oferecer provas.
Tyrek esteve com o rei, possivelmente o acompanhou a bordéis e viu seus bastardos de cabelos pretos como Barra. Além disso, Tyrek poderia testemunhar o papel que Lancel desempenhou ao provocar a morte de Robert, minando ainda mais a posição de Cersei. Cuidadosamente treinado por Varys, Tyrek poderia prestar testemunho que arrebataria a herança de seus primos, abrindo caminho para Aegon restabelecer a dinastia Targaryen.
Então, uma vez que Tommen e Myrcella fossem denunciados como bastardos, Tyrek permanece como a escolha ideal para ser nomeado Senhor de Casterly Rock por seu agradecido novo rei Aegon VI (Martyn e Janei apresentariam um desafio dinástico, mas considerando que Varys não tinha escrúpulos em assassinar o pai deles [Kevan], parece improvável que ele permita que esses pretendentes rivais também vivam). Desconectado dos escândalos dos Lannister em Porto Real, Tyrek é um candidato atraente para governar o oeste e se tornar parte da nova ordem westerosi de Aegon.

Conclusão

Em 1999, George RR Martin ofereceu esta breve e tentadora opinião sobre Tyrek Lannister:
RMBoye: Pergunta simples, de verdade - será que vamos descobrir o que aconteceu com o "Ama de Leite", Tyrek?
George_RR_Martin: Sim, você vai. Tento não deixar muitas pontas soltas. Mas às vezes é preciso aguardar.
Talvez os comentários dele devam ser feitos com mais do que um grão de sal; afinal, na mesma entrevista, ele insistiu que o crescimento dos livros pararia no sexto. Talvez já tenhamos visto Tyrek, no jovem bonito, com a bolsa de dragões de ouro, que Arya nota ter morrido na Casa de Preto e Branco. Talvez a Navalha de Occam esteja correta aqui: que Tyrek foi morto no tumulto sangrento e que os manifestantes jogaram seu corpo no rio para evitar o castigo severo que os Lannisters e a coroa provavelmente lhes causariam.
No entanto, o assassinato por um plebeu desconhecido, ou uma morte inexplicável na catedral de um culto de assassinos, parece uma revelação ruim para a qual o autor precisaria aconselhar termos paciência. De fato, parece mais provável que Tyrek esteja de fato vivo e que Varys tenha os meios, motivos e oportunidades para arrancá-lo da capital e segurá-lo para seus próprios usos.
Somente Os Ventos do Inverno servirá para mostrar se Tyrek retornará com o suposto Aegon VI e ocupará seu lugar em Rochedo Casterly. No entanto, o mistério absoluto em torno do desaparecimento de Tyrek continua alimentando especulações, e os leitores podem tentar prever como é que esse escudeiro de menor importância dos Lannister retornará à narrativa de modo grandioso.
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2019.12.20 06:15 livrosetal O Homem Duplicado, de José Saramago

Sinopse:
Tertuliano Máximo Afonso, professor de História no ensino secundário, «vive só e aborrece-se», «esteve casado e não se lembra do que o levou ao matrimónio, divorciou-se e agora não quer nem lembrar-se dos motivos por que se separou», à cadeira de História «vê-a ele desde há muito tempo como uma fadiga sem sentido e um começo sem fim». Uma noite, em casa, ao rever um filme na televisão, «levantou-se da cadeira, ajoelhou-se diante do televisor, a cara tão perto do ecrã quanto lhe permitia a visão, Sou eu, disse, e outra vez sentiu que se lhe eriçavam os pelos do corpo».
Depois desta inesperada descoberta, de um homem exatamente igual a si, Tertuliano Máximo Afonso, o que vive só e se aborrece, parte à descoberta desse outro homem.
Epub retail
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2019.12.16 09:08 assistabacurau Como sair de uma história de traição?

Criei uma conta pra falar desse problema e gostaria muito que fosse lido todo esse livro que escrevi.
TL/DR: Traí minha esposa e acabamos nos afastando por um tempo. Minha amante não gostava de mim mas fazia uma luta de ego pra se ver como prioridade na minha vida e por sorte enxerguei isso rápido (apesar de sofrer muito). Voltei pra minha esposa mesmo com a ctz que não gostava dela, mas a mulher que eu gostava não teria como estar com ela então segui a vida. Comecei a ter um caso com uma pessoa que eu teria até vergonha de ser visto ao lado dela, mas temos uma enorme conexão sexual. Não sei oq fz. . Sou casado há 15 anos, tenho uma filha de 10 e criei como pai uma entrada que hoje tem 21. Digamos que por anos fui aquele marido meio submisso que só trabalhava e quando queria propor uma viagem, minha entrada escolhia ou minha esposa. Eu só participava do pagamento. Por muitas vezes eu sentia que não estava em família, que por minha entrada não me respeitar como pai e minha esposa não fazer questão (pra não parecer que estou tentando tomar o lugar do pai dela que faleceu), minha filha começou à imitar as atitudes da irmã e eu não tinha voz ativa. Minha esposa saiu do trabalho, que não rendia muito, e eu sozinho me virava pra bancar a vida de 3 pessoas nos mais altos padrões luxuosos. Me vi varias vezes desesperado pq não conseguiria clientes pra fechar as contas do mês e enquanto isso minha esposa que não trabalha, pretendendo contratar mais uma empregada pra nossa casa, pq as amigas delas toda tinham duas faxineiras e uma cozinheira. Minha enteada na sua fase adolescente sendo um lixo humano, minha filha cada dia mais mimada, a ponto de gritar comigo por besteira. . Minha esposa percebeu minha estafa mental e resolveu me presentear no natal de 2017 com uma semana num retiro espiritual. Resumindo: não me ajudou em nada mas conheci uma pessoa que comecei a me envolver. Porém eu não sabia como me afastar da minha vida de casado e iniciar um relacionamento com uma pessoa 15 anos mais nova. Foi tudo muito rápido e no fim de 2018, após uma briga, contei o acontecido pra minha esposa e nos “separamos”. Passei um mês na casa da minha mãe e numa vida perfeita com minha, até então, namorada. Porém decidi com minha esposa que por conta da nossa filha faríamos uma separação gradual, não contaríamos do término, primeiro eu iria me ausentar de casa aos poucos, ela passaria uns dias comigo outros com a mãe e aí contaríamos. . Eis que minha namorada, que compreendo por ser mais nova e mais imatura, odiou isso e resolveu tirar satisfação com minha esposa, sem me falar, foi na casa que morávamos exigir coisas. Não gostei e me afastei um pouco, momento que minha esposa se mostrou entender os erros dela e voltamos. Não foi perfeito e fiquei muito tempo sofrendo por minha “namorada”. Passou... Não amo minha esposa, pra mim ela é uma amiga e basicamente eu estava na situação de “a mulher que gosto é imatura e infelizmente não posso estar com ela sem machucar outras pessoas que amo (minha filha) e respeito (minha esposa)”. . Tudo chato e normal como sempre, eis que um dia minha esposa foi pra um encontro com as amigas do colégio e eu fui no almoço de aniversário de um primo, foi na casa dele e só tinham familiares nossos... umas 15 pessoas no máximo e todas da família, minha mãe e meus irmãos estavam e tudo bem. A sobrinha da esposa dele (vamos chamar de chata), tem 26 anos. Nunca tive qualquer tipo de sentimento ou atração por ela, achava até meio inconveniente e mal educada as vezes mas ela era bem irrelevante. Na hora que eu estava saindo da casa dele, peguei o elevador com ela e por educação (torcendo pra ela não aceitar) perguntei se ela queria carona até algum local e ela aceitou. A gente foi parar no apartamento dela. Claramente não sou alguém que faz o tipo dela e muito menos ela o meu, essa coisa toda aconteceu pq eu tava bebado e ela dopada de droga (segundo ela, ela não consegue estar em eventos sociais sem se entupir de maconha e uma dose baixa de lsd), tanto em personalidade tanto fisicamente, ela é o tipo de pessoa que eu repudio e imagina que o inverso também é verdadeiro. O foda é que por mais que não sinta um pingo de sentimento, é a única pessoa que parece que quer estar transando comigo, não é como minha esposa que mal se mexe e meio que só faz por uma obrigação, ou minha namorada que parecia que gostava do fato de eu “me esforçar” por ela ser nova (fodase sou desse tipo de cara) e isso alimentava o ego dela... essa “chata” não, ela quer estar ali e eu sinto isso, apesar de quando me vê pessoalmente em ocasiões sociais, ela age como se eu não existisse, como se pra ela eu só fosse algo sexual e nossa antipatia fora da cama se mantivesse. Ela se quer fica sem graça com minha esposa por perto, ela se quer me olha estranho ou parece ter conexão comigo. Já fazem 6 meses isso e nunca comemos algo juntos, eu sou o cara romântico e que gosta de coisas luxuosas e de proporcionar isso pra pessoa se sentir especial, ela nunca me deu essa abertura, chego na casa dela, transamos, dormimos, acordamos e ela sempre “tem um lugar urgente pra ir” e eu vou embora antes que ela volte. Eu não sei se quero entrar nisso, eu não sei se quero sair, eu não sei se sou um canalha ou se isso é a minha maneira de aturar meu casamento de merda que não tenho coragem de terminar. Não me vejo num futuro com ela, muito menos me vejo como o parceiro dela, mas não me vejo deixando essa porra de sexo incrível que só ela proporciona. Eu me sinto um virgem todas as vezes... e ela não é um padrão de mulher fatal ou super gostosa, é só uma mina magrinha flácida, que eu desconfiava ser lésbica (usa só moletom e jeans), feministazinha, nerd, drogada e irritante. . Sinto um pouco de culpa pelo meu casamento mas acho que minha esposa nunca gostou de mim e sim da segurança financeira que dou além de ter aceito a filha dela, as duas são pessoas de opiniões fortes e complicadas... hoje vejo que durante nosso relacionamento eu só servi de substituto pro homem que ela sempre amou (o falecido pai da filha). Tanto que ela admitiu os erros dela no nosso casamento, voltamos e ela é o mesmo lixo, só não me afeto tanto. . É um textão mas eu queria ajuda, nem sei que rumo tomar nessa merda. . Entendam também que estou num contexto familiar conservador e tradicional, sou bisneto de um ex prefeito de SP, filho de um diretor de uma das faculdades da USP e de uma escritora famosa. Imaginem a pressão de se manter um casamento numa família onde até o momento só houveram 3 separações nos últimos 40 anos.
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2019.11.27 01:06 blancyago Achei que tinha acabado com minha vida. 9 meses depois, nunca estive tão feliz.

Há 16 dias meu filho nasceu. Eu estava junto com minha namorada a pouco mais de 1 ano quando descobrimos que ela estava grávida. Não somos tão jovens mais, eu tinha 26 e e ela 29 quando decidimos que íamos dar seguimento a gravidez. Eu estava no fim da minha segunda graduação e fazendo estágio na área de produção cultural, em um museu da minha cidade e como qualquer trabalho na área da cultura, ganhando bem pouco.
Eu nunca quis ser pai. Nunca me imaginei casado e com família. Minha mãe faleceu a 2 anos e ali, eu sentia que minha última experiência de acolhimento familiar havia sido enterrada também. Sempre tive a clareza de que se caso eu engravidasse alguma companheira minha eu seria o companheiro e o pai que eu não tive. Não tenho contato com meu pai por que durante anos ele não quis. Eu era dessas crianças que ficava esperando o pai na porta de casa do momento em que acordava até a hora de dormir e ele não aparecia. Simples assim. Aparecia 2, 3 dias depois e lá estava eu, pronto pra dar um abração no meu herói. Mas a gente cresce e vai ressignificando esses sentimentos. Ele não aparecia por que era agarrado no pó. Dizem por aí que é até hoje, não quero saber. Só sabia que eu ia ser pai sem saber o que era ser filho de um homem.
Eu trabalhava desde os meus 15 anos como designer gráfico e sempre dei meu jeito de sobreviver e ter minha independência. Minha namorada gozava da mesma liberdade, trabalhando em outra área, mas desde cedo assim, independente. A gente gostava demais da nossa vida de solteiro, morávamos sozinhos, cada um no seu apartamento e não tínhamos tido nenhum tipo de conversa que sinalizava qualquer vontade de morarmos juntos. Muito pelo contrário, exaltávamos nossa liberdade e independência sempre lembrando como cada um de nós ter seu espaço era saudável pra nossa relação. Fumávamos maconha de forma abusiva toda vez que nos encontrávamos e amávamos nossa vida assim, no conforto em que estávamos.
Eu sabia que não poderia me dar ao luxo de continuar trabalhando em um lugar que me demandava quase 10 horas de trabalho diário em épocas de abertura de exposição e ganhando o tanto que eu ganhava na época. Esse não era meu único emprego, sempre pegava um freela aqui e outro ali para pagar o aluguel e sempre tive a sorte de conseguir uns trabalhos que pagavam bem quando eu mais precisava. Mas com um filho não dava mais pra contar com a sorte. Precisei entrar em contato com meu antigo chefe e consegui um acordo para voltar a trabalhar pra ele remotamente, trabalhando de casa. Ele tem uma demanda surreal de trabalho e para poder fazer tudo de casa, aceitei um salário incompatível com a quantidade de trabalho que me dispus a fazer.
Era uma grana até ok, mas os clientes... É uma galera bem rica, que não sabe o que quer mas é cheio de desejos e demandas, sei lá, nunca devem ter ouvido NÃO na vida. Eu sabia que era assim, trabalhei 3 anos pra esse cara anteriormente, mas era o que consegui na época e eu sempre me lembrava que essa dor de cabeça vinha com o bônus de poder estar perto da minha namorada e futuramente acompanhar as primeiras etapas de vida do meu bebê.
Não mencionei isso, mas nunca estudei design gráfico formalmente. Sempre aprendi tudo “na tora”, de acordo com a demanda, fazendo. Sempre estudei em faculdade pública e minha segunda graduação era em Belas Artes. Sempre desenhei e desde 2015 descobri um amor incondicional pelo ato de pintar. Era uma forma de tentar transformar minhas piores experiências em algo palatável, não sei explicar direito. Sei que eu idealizava muito a profissão de artista. Eu era muito cabeça dura e achava que conseguiria entrar no mundo da “alta arte”, estabelecer contatos e viver disso um dia. Mal sabia eu o buraco que estava entrando... Conhecendo as “pessoas certas” vi que os artistas que mais ralavam para projetar seu trabalho, normalmente tinham uma ou mais fontes de renda alternativa. Fossem essas um trabalho formal, CLT, era funcionário público ou simplesmente tinha nascido em berço de ouro. Em família de artistas famosos, galeristas ou colecionadores de arte. Quanto mais eu respirava dessa atmosfera mais eu via que esse ar não era pra mim e esse contato influenciou, durante muito tempo, meu trabalho de forma negativa.
Aceitar esse trabalho significava também ter menos tempo pra minha produção em pintura. Eu via como um passo para trás na minha carreira de pintor e ficava muito puto ao pensar que tudo isso era por conta do vacilo de termos ficados grávidos.
Mas como eu disse lá em cima, eu tinha essa clareza de que eu seria o pai que eu não tive e o companheiro para minha namorada que minha mãe não teve. Então agarrei essa oportunidade com unhas e dentes. Rescindi meu contrato de locação e fui morar com minha namorada, que tinha o apartamento maior. Passamos a dividir tudo e conviver intensamente. Nos primeiros 2 meses de gravidez os exames de ultrassom apontavam para uma gravidez gemelar, ou seja, eram 2 sacos gestacionais. Ficamos super tensos. Não queríamos ser pais de um, imagina de dois.
No terceiro mês fizemos um exame que mostrou que só um dos sacos se desenvolveu e vimos também que seríamos pais de um menino. Descobrir isso foi um passeio nas nuvens... a partir daí fomos nos adaptando um a rotina do outro. Ela foi aos poucos cedendo seu espaço para eu entrar de fato na vida dela, e eu, sem querer chegar tomando um espaço que sempre foi dela, fui aos poucos me aconchegando nessa casa nova.
Demorou muito pra eu começar a ver minha namorada como família. A gente sabia que nosso filho crescia dentro dela mas tudo parecia virtual demais. Ele não tinha voz, peso, cheiro, nada. Nem nome.
A gravidez inteira foi tranquila. Nenhuma grande complicação durante a gestação. Isso nos deu tempo para conseguir juntar uma grana boa para o período do puerpério em que minha namorada não conseguiria mais trabalhar e nossa renda mensal cairia consideravelmente.
Eu conversava com a barriga. Tocava violão, cantava, falava do meu dia pra barriga dela. Fui desenvolvendo uma relação com esse ser imaginário e no fim da gestação eu já sabia que eu queria muito ser pai dessa criança.
Durante a gravidez fiz meu tcc em pintura e o dia de definir minha banca avaliadora se aproximava junto dos prováveis dias que nosso bebê ia nascer. Fiz todas as pinturas que iria mostrar ainda no primeiro semestre, mas comecei a me enrolar com a parte escrita. Trabalho, casa, bebê a caminho, pode escolher qual dos motivos convinha mais para eu não entregar o meu tcc.
Numa quarta feira a noite, minha namorada comecou a sentir contrações e a partir daí começamos a cronometra-las. Estavam espaçados e evoluindo devagar. Ela sentia muita dor e resolvemos ir para o hospital. Lá, descobrimos que é possível um trabalho de parto não evoluir. Ela chegou a 3cm de dilatação e assim ficou. Durante 5 fucking dias. Voltamos pra casa e ela ficava sentindo contrações de uma em uma hora. Íamos no consultório do obstetra todos os dias e nada da dilatação aumentar... estávamos tensos e cansados. No domingo seguinte, nosso médico pediu para que ela fosse internada e o parto induzido.
E as 10:30 da manhã do dia 10 de novembro, eu vi minha jornada épica começar e meu filho, Dante, nascer. Foi o momento mais lindo da minha vida. Nunca vivi nada tão intenso assim antes e ouso dizer que a sensação desnorteante que se sente quando se perde alguém é muito parecida com a sensação de presenciar uma nova vida começar.
Desde esse dia, não consigo tirar o sorriso do rosto. Eu e minha namorada(agora noiva) nunca estivemos tão felizes e conectados, agora com a clareza de que somos mais que companheiros, somos família. Nosso bebê é 100% saudável, muito bonzinho e até deixa a gente dormir! E sei lá, parece que os astros se alinharam, tudo tem dado muito certo pra gente. O parto da minha noiva foi normal e correu melhor do que a regra: não precisou de cortes, logo não precisou de pontos e não houve nenhuma laceração, o que está fazendo ela se recuperar muito melhor do que previmos.
Parei com a maconha desde a segunda metade da gravidez e nunca me vi tão produtivo. A qualidade do meu trabalho como designer aumentou muito e comecei a ter coragem de postar minhas pinturas no meu instagram sem o peso do “tudo ou nada” do artista, sabe? Como eu tenho um emprego que paga minhas contas e minha comida eu não me preocupo mais com essa coisa de ser um artista bem sucedido, eu pinto pelo prazer do fazer e isso tem feito um bem danado pra mim e pras minhas pinturas. Perdi a data de definir minha banca do tcc, ou seja, perdi meu ultimo ano na faculdade, certo? Errado. Minha orientadora me enviou uma mensagem hoje de manha dizendo para eu participar da exposição final das habilitações por que ela vai fazer uma carta oficial pedindo para a reitoria para que eu defenda meu tcc em março do ano que vem! É surreal, mas a vida agora tem outro sentido e tudo tem dado certo, sinto que virei um novo núcleo para minha família e para a família da minha noiva e essa sensação é boa demais!!
Vou me casar com a mãe do meu filho. Olhamos alianças ontem. Almejo agora a migração de área profissional, do design gráfico para UX design para procurar um emprego fichado assim que meu filho começar a frequentar escola/berçário e quero continuar pintando. Quero ensinar o Dante a pintar, tocar instrumentos, quero que estar do lado dele pra ver ele crescer e quero que ele seja muito feliz.
Escrevi demais e sinto que deixei de contar tanta coisa... Pra quem teve paciência de chegar até aqui, eu só agradeço por ler esse desabafo.
TLDR: a vida é muito doida.
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2019.10.04 20:23 altovaliriano Ambições Sulistas

Link: https://towerofthehand.com/blog/2012/01/05-southron-ambitions/index.html
Autor: @StefanSasse (Afirma ter estudado História, Literatura Alemã e Política na Universidade de Tuebingen e é blogueiro e professor)

Em A Dança dos Dragões, descobrimos que Lady Barbrey Dustin odeia a família Stark (e, especialmente, Eddard Stark) por não a deixar se casar com Brandon Stark e depois arrastar o marido que lhe foi imposto para a guerra rebelde de Robert Baratheon. Embora possa parecer possível que a raiva do marido morto seja apenas um substituto de algo que ela não deseja revelar, ela conta a Theon algumas teorias da conspiração que fazem mais sentido do que deveriam e que enchem o leitor com um sentimento de desconforto . Em resumo: parece haver mais sobre a eclosão da rebelião do que originalmente sabíamos. Parece que a convocação de Aerys para a corte não foi apenas o produto de uma mente insana, mas também a reação muito real contra algo que estava acontecendo antes. De fato, o que Lady Dustin chama de "ambições sulistas" de Lord Rickard Stark parece não ser mais realidade do que uma teoria de conspiração dela. E examinar isto vale a pena.
Primeiro, vamos relembrar o que pensamos saber sobre a rebelião. Quando Rhaegar Targaryen sequestrou ou seduziu Lyanna Stark, Brandon cavalgou para a Fortaleza Vermelha com seus companheiros, desafiando Rhaegar a um duelo e foi preso. Rickard foi então convocado para a corte e executado em conjunto com Brandon. Aerys então exigiu Eddard e Robert, ambos protegidos de Jon Arryn, que recusou e se rebelou. Eddard reuniu o Norte, Robert conquistou primeiro as Terras da Tempestade nas três batalhas de Solarestival e depois marchou para se encontrar com os exércitos de Eddard e Hoster Tully. Este último mudou de lado para a causa dos rebeldes em razão do casamento de Jon Arryn com Lysa Tully e, por sua vez, teve que conquistar suas próprias Terras Fluviais. Na Batalha dos Sinos, eles conseguiram unir suas forças e vencer a batalha final no Tridente, cujo resultado levou Tywin Lannister, que permaneceu neutro, a ficar do lado dos rebeldes.
Agora, algumas coisas sobre isso são estranhas. Ninguém fica se pergunta sobre eles inicialmente, porque nenhum dos personagens também o faz; para eles, foi assim que as coisas aconteceram e nenhum sobrevivente está por perto para ser questionado. Mas há realmente um prelúdio para esses eventos. Vamos recuar a alguns anos antes do torneio de Harrenhal. Não muitos, apenas três ou quatro, no máximo. Existem vários grandes senhores, todos se conhecendo melhor do que o esperado, porque lutaram juntos na Guerra dos Reis das Nove Moedas alguns anos antes. Jon Arryn, Steffon Baratheon, Rickard Stark, Hoster Tully e Tywin Lannister são companheiros de guerra. Com exceção do último, eles parecem ter feito uma espécie de amizade nesta guerra. Pelo menos, isso explicaria por que eles enviaram protegidos uns aos outros: Eddard e Robert foram ao Ninho da Águia para serem criados lá. Robert estava apaixonado por Lyanna e conversas sobre um noivado foram realizadas. E Hoster queria casar suas filhas com os herdeiros de Winterfell e Rochedo Casterly, respectivamente.
Isso é altamente incomum. Mas, novamente, para os protagonistas dos romances, é assim que acontece, e eles não parecem refletir muito sobre isso. Se olharmos para as relações das grandes casas em circunstâncias normais, elas raramente casam entre elas. De fato, eles normalmente se casam com seus próprios vassalos. Hoster Tully, por exemplo, casou-se com Minisa Whent. Tywin Lannister chegou a se casar com Joanna Lannister, sua prima. Steffon Baratheon se casou com Cassana Estermont. A esposa de Rickard é desconhecida, mas a mãe dela era do Clã Flint. Mace Tyrell se casou com Alerie Hightower. Balon Greyjoy era casado com Alannys Harlaw. Em menor escala, o mesmo acontece, na maioria das vezes, com os próprios vassalos; eles raramente se casam com alguém de outros reinos. Isso é importante, porque a influência política e a estabilidade em seu próprio domínio são de suma importância para todos os senhores de um reino. Casar com pessoas de fora só é útil em dois casos: se você deseja selar uma paz ou se deseja selar uma aliança. Caso contrário, você não fará isso, porque ganhar ou reter influência com seus próprios vassalos é mais importante. Isto é especialmente verdade em um reino remoto como o Norte.
E, no entanto, de repente, Lord Rickard casa um filho com a Casa Tully e envia o outro para ser criado na Casa Arryn, ambos reinos vizinhos diretos do Norte. Não há paz para selar, e apenas ser amigo dos dois senhores pela guerra não exatamente é uma justificativa. Quando se avalia a questão dessa forma, a afirmação de Lady Dustin de que Rickard nutria "ambições sulistas" repentinamente pode ser vista sob uma luz totalmente diferente. O que exatamente estava acontecendo nesses anos em que cinco grandes casas ao menos consideraram forjar uma aliança? Lembre-se, Jaime Lannister deveria se casar com Lysa Tully antes que ele assumisse o branco da Guarda Real! Isso também traria os Lannisters para a aliança, deixando de fora apenas a Casa Greyjoy (que é irrelevante), a Casa Martell (que não é confiável, na perspectiva deles) e a Casa Tyrell. Esta última não tinham filhos na faixa etária certa para serem incluídos na formação da aliança, o que pode ser um fator que contribuiu para eles terem sido deixados de fora e, de qualquer maneira, eles não eram uma ameaça às cinco Casas unidas. Mas qual era a intenção dessa aliança?
Para entender isso, temos que voltar a O Festim dos Corvos, no qual Jaime se lembra de Rhaegar deixando a Fortaleza Vermelha para o Tridente. Rhaegar anunciou que, uma vez terminada a batalha, pretendia convocar um conselho para fazer mudanças. Uma vez que a batalha terminou mal, nunca ficamos sabendo quais mudanças que ele pretendia fazer, mas não é um tiro no escuro supor que ele queria se livrar de seu pai e envolver todas as principais Casas nisto - o que poderia ser exatamente o que as cinco Casas também tinham em mente. Combinando seus poderes, elas poderiam exercer pressão política sem realmente entrar em guerra ou tomar outras medidas tão drásticas, a fim de forçar Aerys a fazer concessões ou a renunciar por Rhaegar. É improvável que elas tivessem uma mudança de dinastia em mente; essa reviravolta foi resultado das ações de Aerys quando matou Rickard e Brandon e exigiu Robert e Eddard. Ele colocou mais coisas em jogo do que se imaginava haver antes. Mas a idéia de uma aliança política contra a Aerys para transformar o reino em algo melhor combinaria com o cenário traçado por elas.
Vamos refletir sobre essa idéia por um tempo. Até agora, apenas olhamos para as pessoas que representam as principais casas e o que elas fizeram, mas há pelo menos duas pessoas nos bastidores, das quais sabemos que também pareciam ter objetivos que se encaixam nisso: Varys, em Porto Real, e o meistre de Rickard, Walys. O primeiro todos conhecemos; o eunuco em Porto Real está lá há um tempão e sussurrava no ouvido de Aerys. Suas constantes afirmações de que quer apenas manter a paz são corroboradas pelas suas tentativas de restaurar a dinastia com um garoto especificamente criado e instruído para o trabalho. Não causaria espanto que Varys tenha, de fato, alimentado a paranóia de Aerys apenas para denunciar pessoas que estavam no caminho de seu esquema. Isso significaria que Aerys se livrou das pessoas que poderiam protegê-lo. Mesmo a idéia de tirar Jaime de Tywin para afastá-lo de Aerys poderia ter sido parte desse esquema maior. Obviamente, isso é altamente especulativo e requer a existência de ao menos mais uma pessoa, com quem ele pudesse conspirar.
O desprezo de Lady Dustin por Rickard Stark (e a família Stark em geral) só é superado por sua aversão ao meistre de Rickard, Walys. Essa pessoa de quem nunca havíamos ouvido falar antes de A Dança dos Dragões é responsável pelo casamento com os Tully, alimentando assim as ambições de Rickard. Não sabemos muito sobre Walys, mas não é muito improvável que ele tenha conseguido se comunicar com Varys de alguma forma, e até mesmo com o Grande Meistre Pycelle, que se considerava um verdadeiro servo da Casa Lannister, a qual era vista como um aliada à época.
Como estamos falando de "As Crônicas de de Gelo e Fogo", até os planos feitos por Varys e outros grandes conspiradores falham. Se esse grande plano foi construído dentro destes parâmetros, ele claramente falhou. O seqüestro de Lyanna por Rhaegar, Tywin ter renunciado ao cargo de Mão (e ido se amargurar em Rochedo Casterly) e a morte de Rickard e Brandon devem ter sido um sério revés. De repente, a aliança em potencial das cinco foi reduzida a apenas duas. Os Starks estavam pessoalmente envolvidos e não podiam mais recuar, mas Hoster Tully era tudo menos um homem muito leal: obviamente, o casamento entre Brandon/Eddard e Catelyn não o levou instantaneamente à guerra. Em vez disso, ele barganhou com Jon Arryn. O próprio Arryn estava pronto e assumiu a causa quando Aerys ordenou que ele entregasse seus protegidos. Mas uma pergunta permanece sem resposta ainda: por que a Aerys exigiu Robert Baratheon pra começo de conversa?
Se aceitarmos a idéia de um esquema estava sendo traçado e que Jon Arryn era uma parte vital dele, teremos que admitir a ideia de que Robert não conheceu Lyanna Stark por acaso. Provavelmente, ela visitou seu irmão Eddard no Ninho da Águia em algum momento, e lá Robert a conheceu. Sabemos que Robert ama com facilidade e logo deseja muito a coisa para si, e aqui talvez ele tenha sido até sutilmente encorajado. Rickard, que pode muito bem ter mantido contato com Jon Arryn, já poderia ter mediado a idéia de um casamento entre os dois. Dessa forma, a Casa Stark teria casado com duas grandes casas - Tully e Baratheon - e ligada a outra por um protegido. Como Elbert Arryn era um companheiro constante de Brandon Stark (por razões ainda desconhecidas), a teoria ganha ainda mais terreno. Nunca é mencionado explicitamente, mas é possível que Elbert Arryn fosse um protegido ou, ao menos, um hóspede em Winterfell por algum tempo. As relações entre as três Casas de Baratheon, Stark e Arryn eram mais fortes do que a maioria das relações nos Sete Reinos jamais foi. Como Robert era um jovem suserano das Terras da Tempestade, influenciá-lo deveria ser fácil para Jon Arryn. É claro, Aerys não parece ser o tipo de cara dado a tais deduções racionais. Mas, se aceitarmos Varys ou outra pessoa como parte disso, dar a Aerys a idéia de exigir Robert também, a fim de colocar as Terras da Tempestade no campo de Arryn e Stark, é apenas uma jogada que se deseja fazer - ou não, se você for um rei Targaryen enfrentando uma rebelião.
A exigência de Aerys imediatamente pôs as três casas em um mesmo lado. Eles também contavam com os Tully e talvez esperassem a neutralidade ou aliança de Lannister. Os Tully não estavam tão ansiosos para se juntar, o que pode ser atribuído à sua vulnerável localização geográfica e ao fato de que a eclosão da rebelião não era o que eles haviam planejado (se é que havia plano algum), então eles podem ter se sentido traídos e/ou menos usados, já que as Terras Fluviais provavelmente receberiam o primeiro golpe. O arranjo foi terrivelmente apressado e caótico, mas Jon Arryn já havia atravessado o Rubicão. Eddard e Robert, adolescentes e por azar agora chefes de suas casas e reinos, eram ambos meros peões de Jon Arryn, muito jovens e inexperientes para perceber o que havia acontecido, especialmente porque era tudo feito pensando no que seria melhor para eles (ao menos, para Eddard). Ambos encaravam Jon Arryn como uma figura paterna icônica, mesmo em A Guerra dos Tronos, quinze anos depois. É um tipo feroz de devoção, que deveria ser ainda mais forte nos tempos em que eles ainda moravam com ele. Jon Arryn intermediou a aliança com a Casa Tully ao se casar com Lysa, e agora a aliança somava quatro Casas. Duas outras ficaram fora do conflito (Lannister e Greyjoy) e uma (Martell) estava em dúvida e teve que ser convencida a entrar na guerra pelo próprio Rhaegar, já que Aerys havia repetidamente segregado os dorneses. Apenas Tyrell era fiel a Aerys, mas Mace Tyrell não assumiu um risco muito elevado ao trazer uma grande parte de seu exército para Ponta Tempestade e ter estacionado por lá.
Não está totalmente claro qual era o objetivo da guerra naquele momento. Talvez Arryn e outros conspiradores ainda esperassem derrubar Aerys e restaurar a dinastia Targaryen, talvez com mais liberdades e privilégios para os reinos, fortalecendo sua autonomia. Todos esses planos se perderam quando Lyanna morreu e Rhaegar foi morto, no entanto. A fúria de Eddard perdia apenas para a de Robert, que não permitiria que qualquer Targaryen sobrevivesse e se tornou o candidato natural ao trono em substituição à dinastia Targaryen como um todo. Talvez Jon Arryn ainda esperava conseguir um acordo após o Tridente, restaurando alguma ordem pacífica sob o governo Targaryen, mas foi levado ao inferno quando Tywin Lannister deu seu próprio passo e conquistou Porto Real, assassinando todos os Targaryens presentes na cidade. Ninguém antecipou essa mudança, mas criou um fato consumado. Não havia como voltar atrás, e a dinastia Targaryen teve que ser removida como um todo.
Quaisquer que fossem as "ambições sulistas" de Rickard Stark, no entanto, elas não se concretizaram. Eddard retirou-se para Winterfell, sofrendo com a morte de Lyanna e sem desejo pelo poder, devolvendo Winterfell a uma posição essencialmente isolacionista, sem qualquer pretensão ao sul do Gargalo. Jon Arryn intermediou o casamento entre Robert e Cersei Lannister, criando assim uma nova aliança para apoiar a nova dinastia, uma aliança que se mostraria muito instável. A perda de seus próprios herdeiros, Elbert e Denys, enfraqueceu gravemente sua própria dinastia, e o mau casamento com Lysa Tully a deixou a beira da extinção. Hoster Tully também parece ter voltado aos seus próprios negócios, Mace Tyrell foi excluído de todos os assuntos onde quer que fosse, e a paz que Jon Arryn fez com Dorne estava basicamente tratando Dorne como se não fizesse parte dos reinos. Se as casas alguma vez aspiraram a um pilar melhor para uma paz duradoura em todo o reino, esse sonho foi destruído no final da rebelião de Robert. As "ambições sulistas" não trouxeram benefícios para o Norte, e os assuntos do reino ficaram nas mãos dos que estavam dispostos a aceitá-los. Jon Arryn estava contente em defender uma paz que se tornava cada vez mais uma fachada, e seu inevitável falecimento finalmente destruiu o equilíbrio de poder, dando lugar à ascensão Lannister e à destruição das Casas Stark e Baratheon.
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2019.02.10 21:59 meucat Jesus cristo existiu realmente?

Alguém fez um post "Rolando Lero de Carvalho demoliu um ateu" e fui olhar o video.
https://www.youtube.com/watch?v=fGwQrNjTv_g
Ali o Rolando Lero de Carvalho mais se parece com o deputado João Plenário falando "....mbmglllwe... entendeu? porque jesus cristo gllmblllrkeriieiieeo entendeu? então acontece que mbbllblaiieuro entendeu? Até dava para ver o Nóbrega do lado "não entendi NADA !"
Mas igual a pergunta é interessante: foi Jesus cristo um personagem real em carne e osso? ou é um personagem criado a través da imaginação popular? Ha vários nomes assim que a gente pensa que existiram de verdade, mas que apenas são invenção de autores literários. Sherlock Holmes é um exemplo, ele nunca existiu, é um personagem do escritor Arthur Conan Doyle, igual que Hércules Poirot é da Agatha Christie ou James Bond é do Ian Fleming.
O James Bond por exemplo, é uma espécie de "resumo condensado" de muitos agentes secretos, e da forma forma, Jesus cristo pode ser um "Messias condensado" dos muitos Messias parecidos que existiram naquela época em torno ao Mediterrâneo. E agora vamos aos fatos.
O primeiro evangelho foi escrito por Marcos em torno de 64 D.C (dizem que) na cidade de Roma. Ou seja, ele nunca viu nem de perto o tal Messias que descreve. Tudo que ele aprendeu foi por tradição oral. O Marcos é um nome fictício dado pelos cristão. Ninguem sabe ao certo o nome do escritor, o lugar onde escreveu, e quem foram suas fontes de consulta. Os cristãos (obviamente) dizem que viveu em Roma e foi discípulo do apóstolo Pedro, quem contou a ele tudo que vivenciou.
Os outros evangelistas se basearam no Marcos para escrever suas historias, assim supõe-se que Mateus escreveu o dele em 70 DC, Lucas em 80 DC e João em 95 DC.
Então, nenhum dos quatro evangelistas nunca jamais never dos jamaises esteve nem por perto dos lugares que viveu o tal Jesus cristo, e menos ainda testemunharam o que descrevem. Tudo foi copia uns dos outros a partir da tradição oral com origens muito nebulosas.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Marcos
A esta salada mista de relatos, temos que adicionar ainda um molho bem amargo: aquela época foram escritos DEZENAS de evangelhos. Em alguns a virgem não era virgem, em outros o Jesus cristo era casado com a Madalena e assim por diante. Um dia o imperador romano Constantino decidiu oficializar a religião cristã, e para isto convocou o "Concilio de Niceia" no ano 325. Ali os bispos sentavam numa mesa e iam lendo TODOS os evangelhos existentes. Quando ele era "verdadeiro", o espírito santo pousava no ombro do bispo em forma de uma pomba para dizer a ele "ok, pega este". Cara , não olha feio assim para mim.... estou contando o que diz a igreja.
https://neoateismo.wordpress.com/2011/10/12/um-breve-resumo-historico-dos-evangelhos-apocrifos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ap%C3%B3crifos_do_Novo_Testamento
Mas a questão é que desta forma foram separados os 4 evangelhos "verdadeiros" que passaram a ser chamados de "canônicos", e o resto foi condenado à fogueira com o nome de "evangelhos apócrifos". As pessoas que liam ou guardavam os apócrifos passaram a ser condenadas à morte, la não tinha comissão de direitos humanos. Alias o escritor português premio Nobel José Saramago fez um livro famoso sobre os evangelhos apócrifos, procurem no google que agora não estou com saco.
Complicando ainda mais um assunto ja complicado: naquela época, ANTES, durante e depois do ano zero (nascimento do Cristo), existiam na região do mediterrâneo DÚZIAS de Messias, iluminados, sábios, mágicos, milagreiros, profetas, filhos e Joanes de deuses e rolandos leros com diferentes nomes. TODOS eles nasciam sempre no dia 25 de dezembro de uma MÃE VIRGEM, tinham 12 apóstolos, convertiam o agua em vinho, multiplicavam os pães, curavam doentes e outras traquinagens.
O primeiro que lembro é o MITRA, um deus persa trazido pelos romanos uns 120 anos antes que Jesus cristo tenha nascido. O Mitra nasceu em 25 de dezembro de uma mãe virgem, teve 12 apóstolos, fazia milagres, foi morto, ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus. Certo? 120 anos ANTES! de Jesus cristo.
https://seuhistory.com/noticias/mito-de-jesus-conheca-outros-deuses-que-tem-uma-historia-parecida-com-de-cristo
Agora vem a pá de cal na historia: o Jesus cristo dizem ter nascido na época do imperador Cesar Augusto, e este foi o período melhor documentado do império romano. TUDO era anotado, catalogado e guardado em papiros. Nestes registros sim aparece um governador chamado Poncio Pilatos na Judeia, mas nunca se menciona o nascimento, existência ou crucifixão de alguém chamado "Jesus cristo" nos registros romanos. Ele simplesmente NÃO existiu para os romanos.
O historiador Flavio Josefo (busque no google agora não estou com saco) era um judeu-romano parecido ao Ben-Hur do filme, nobre judeu amigo de nobre romano mas que logo tiveram que brigar , se fez cidadão romano e historiador la por 60 ou 70 DC. Nos seus livros não aparece menção a algum "jesus cristo" na historia de Israel. Algumas poucas copias dos seus livros realizadas na idade media pelos monges copistas aparece uma breve menção "e nasceu um homem chamado Jesus cristo", mas em outras copias não aparece. Os historiadores suspeitam que os monges cristãos introduziam estas frases curtas "de birra" na copia, ao ver que seu herói nunca aparecia nos relatos históricos do Josefo.
Então vc imagina, uma época que não existia RG, CPF, jornais, internet, celular, Facebook, havia monte de caras vagando pelos desertos se autoproclamando "filho de Deus", aparecem dúzias de pseudo-escritores que nunca testemunharam nada a escrever centenas de relatos mais ou menos parecidos, vem um cara seleciona por uma pombinha no ombro e diz "pronto, aqui está A VERDADE !".
Cara, vamos ser um pouco mais rigorosos com a historia...

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2018.12.29 18:18 sorvetegatinho A causa secreta

Garcia, em pé, mirava e estalava as unhas; Fortunato, na cadeira de balanço, olhava para o teto; Maria Luísa, perto da janela, concluía um trabalho de agulha. Havia já cinco minutos que nenhum deles dizia nada. Tinham falado do dia, que estivera excelente, - de Catumbi, onde morava o casal Fortunato, e de uma casa de saúde, que adiante se explicará. Como os três personagens aqui presentes estão agora mortos e enterrados, tempo é de contar a história sem rebuço.
Tinham falado também de outra coisa, além daquelas três, coisa tão feia e grave, que não lhes deixou muito gosto para tratar do dia, do bairro e da casa de saúde. Toda a conversação a este respeito foi constrangida. Agora mesmo, os dedos de Maria Luísa parecem ainda trêmulos, ao passo que há no rosto de Garcia uma expressão de severidade, que lhe não é habitual. Em verdade, o que se passou foi de tal natureza, que para fazê-lo entender é preciso remontar à origem da situação.
Garcia tinha-se formado em medicina, no ano anterior, 1861. No de 1860, estando ainda na Escola, encontrou-se com Fortunato, pela primeira vez, à porta da Santa Casa; entrava, quando o outro saía. Fez-lhe impressão a figura; mas, ainda assim, tê-la-ia esquecido, se não fosse o segundo encontro, poucos dias depois. Morava na rua de D. Manoel. Uma de suas raras distrações era ir ao teatro de S. Januário, que ficava perto, entre essa rua e a praia; ia uma ou duas vezes por mês, e nunca achava acima de quarenta pessoas. Só os mais intrépidos ousavam estender os passos até aquele recanto da cidade. Uma noite, estando nas cadeiras, apareceu ali Fortunato, e sentou-se ao pé dele.
A peça era um dramalhão, cosido a facadas, ouriçado de imprecações e remorsos; mas Fortunato ouvia-a com singular interesse. Nos lances dolorosos, a atenção dele redobrava, os olhos iam avidamente de um personagem a outro, a tal ponto que o estudante suspeitou haver na peça reminiscências pessoais do vizinho. No fim do drama, veio uma farsa; mas Fortunato não esperou por ela e saiu; Garcia saiu atrás dele. Fortunato foi pelo beco do Cotovelo, rua de S. José, até o largo da Carioca. Ia devagar, cabisbaixo, parando às vezes, para dar uma bengalada em algum cão que dormia; o cão ficava ganindo e ele ia andando. No largo da Carioca entrou num tílburi, e seguiu para os lados da praça da Constituição. Garcia voltou para casa sem saber mais nada.
Decorreram algumas semanas. Uma noite, eram nove horas, estava em casa, quando ouviu rumor de vozes na escada; desceu logo do sótão, onde morava, ao primeiro andar, onde vivia um empregado do arsenal de guerra. Era este que alguns homens conduziam, escada acima, ensangüentado. O preto que o servia acudiu a abrir a porta; o homem gemia, as vozes eram confusas, a luz pouca. Deposto o ferido na cama, Garcia disse que era preciso chamar um médico.
Garcia olhou: era o próprio homem da Santa Casa e do teatro. Imaginou que seria parente ou amigo do ferido; mas rejeitou a suposição, desde que lhe ouvira perguntar se este tinha família ou pessoa próxima. Disse-lhe o preto que não, e ele assumiu a direção do serviço, pediu às pessoas estranhas que se retirassem, pagou aos carregadores, e deu as primeiras ordens. Sabendo que o Garcia era vizinho e estudante de medicina pediu-lhe que ficasse para ajudar o médico. Em seguida contou o que se passara.
Médico e subdelegado vieram daí a pouco; fez-se o curativo, e tomaram-se as informações. O desconhecido declarou chamar-se Fortunato Gomes da Silveira, ser capitalista, solteiro, morador em Catumbi. A ferida foi reconhecida grave. Durante o curativo ajudado pelo estudante, Fortunato serviu de criado, segurando a bacia, a vela, os panos, sem perturbar nada, olhando friamente para o ferido, que gemia muito. No fim, entendeu-se particularmente com o médico, acompanhou-o até o patamar da escada, e reiterou ao subdelegado a declaração de estar pronto a auxiliar as pesquisas da polícia. Os dois saíram, ele e o estudante ficaram no quarto.
Garcia estava atônito. Olhou para ele, viu-o sentar-se tranqüilamente, estirar as pernas, meter as mãos nas algibeiras das calças, e fitar os olhos no ferido. Os olhos eram claros, cor de chumbo, moviam-se devagar, e tinham a expressão dura, seca e fria. Cara magra e pálida; uma tira estreita de barba, por baixo do queixo, e de uma têmpora a outra, curta, ruiva e rara. Teria quarenta anos. De quando em quando, voltava-se para o estudante, e perguntava alguma coisa acerca do ferido; mas tornava logo a olhar para ele, enquanto o rapaz lhe dava a resposta. A sensação que o estudante recebia era de repulsa ao mesmo tempo que de curiosidade; não podia negar que estava assistindo a um ato de rara dedicação, e se era desinteressado como parecia, não havia mais que aceitar o coração humano como um poço de mistérios.
Fortunato saiu pouco antes de uma hora; voltou nos dias seguintes, mas a cura fez-se depressa, e, antes de concluída, desapareceu sem dizer ao obsequiado onde morava. Foi o estudante que lhe deu as indicações do nome, rua e número.
Correu a Catumbi daí a seis dias. Fortunato recebeu-o constrangido, ouviu impaciente as palavras de agradecimento, deu-lhe uma resposta enfastiada e acabou batendo com as borlas do chambre no joelho. Gouvêa, defronte dele, sentado e calado, alisava o chapéu com os dedos, levantando os olhos de quando em quando, sem achar mais nada que dizer. No fim de dez minutos, pediu licença para sair, e saiu.
O pobre-diabo saiu de lá mortificado, humilhado, mastigando a custo o desdém, forcejando por esquecê-lo, explicá-lo ou perdoá-lo, para que no coração só ficasse a memória do benefício; mas o esforço era vão. O ressentimento, hóspede novo e exclusivo, entrou e pôs fora o benefício, de tal modo que o desgraçado não teve mais que trepar à cabeça e refugiar-se ali como uma simples idéia. Foi assim que o próprio benfeitor insinuou a este homem o sentimento da ingratidão.
Tudo isso assombrou o Garcia. Este moço possuía, em gérmen, a faculdade de decifrar os homens, de decompor os caracteres, tinha o amor da análise, e sentia o regalo, que dizia ser supremo, de penetrar muitas camadas morais, até apalpar o segredo de um organismo. Picado de curiosidade, lembrou-se de ir ter com o homem de Catumbi, mas advertiu que nem recebera dele o oferecimento formal da casa. Quando menos, era-lhe preciso um pretexto, e não achou nenhum.
Tempos depois, estando já formado e morando na rua de Matacavalos, perto da do Conde, encontrou Fortunato em uma gôndola, encontrou-o ainda outras vezes, e a freqüência trouxe a familiaridade. Um dia Fortunato convidou-o a ir visitá-lo ali perto, em Catumbi.
Garcia foi lá domingo. Fortunato deu-lhe um bom jantar, bons charutos e boa palestra, em companhia da senhora, que era interessante. A figura dele não mudara; os olhos eram as mesmas chapas de estanho, duras e frias; as outras feições não eram mais atraentes que dantes. Os obséquios, porém, se não resgatavam a natureza, davam alguma compensação, e não era pouco. Maria Luísa é que possuía ambos os feitiços, pessoa e modos. Era esbelta, airosa, olhos meigos e submissos; tinha vinte e cinco anos e parecia não passar de dezenove. Garcia, à segunda vez que lá foi, percebeu que entre eles havia alguma dissonância de caracteres, pouca ou nenhuma afinidade moral, e da parte da mulher para com o marido uns modos que transcendiam o respeito e confinavam na resignação e no temor. Um dia, estando os três juntos, perguntou Garcia a Maria Luísa se tivera notícia das circunstâncias em que ele conhecera o marido.
Contou o caso da rua de D. Manoel. A moça ouviu-o espantada. Insensivelmente estendeu a mão e apertou o pulso ao marido, risonha e agradecida, como se acabasse de descobrir-lhe o coração. Fortunato sacudia os ombros, mas não ouvia com indiferença. No fim contou ele próprio a visita que o ferido lhe fez, com todos os pormenores da figura, dos gestos, das palavras atadas, dos silêncios, em suma, um estúrdio. E ria muito ao contá-la. Não era o riso da dobrez. A dobrez é evasiva e oblíqua; o riso dele era jovial e franco.
" Singular homem!" pensou Garcia.
Maria Luísa ficou desconsolada com a zombaria do marido; mas o médico restituiu-lhe a satisfação anterior, voltando a referir a dedicação deste e as suas raras qualidades de enfermeiro; tão bom enfermeiro, concluiu ele, que, se algum dia fundar uma casa de saúde, irei convidá-lo.
Garcia recusou nesse e no dia seguinte; mas a idéia tinha-se metido na cabeça ao outro, e não foi possível recuar mais. Na verdade, era uma boa estréia para ele, e podia vir a ser um bom negócio para ambos. Aceitou finalmente, daí a dias, e foi uma desilusão para Maria Luísa. Criatura nervosa e frágil, padecia só com a idéia de que o marido tivesse de viver em contato com enfermidades humanas, mas não ousou opor-se-lhe, e curvou a cabeça. O plano fez-se e cumpriu-se depressa. Verdade é que Fortunato não curou de mais nada, nem então, nem depois. Aberta a casa, foi ele o próprio administrador e chefe de enfermeiros, examinava tudo, ordenava tudo, compras e caldos, drogas e contas.
Garcia pôde então observar que a dedicação ao ferido da rua D. Manoel não era um caso fortuito, mas assentava na própria natureza deste homem. Via-o servir como nenhum dos fâmulos. Não recuava diante de nada, não conhecia moléstia aflitiva ou repelente, e estava sempre pronto para tudo, a qualquer hora do dia ou da noite. Toda a gente pasmava e aplaudia. Fortunato estudava, acompanhava as operações, e nenhum outro curava os cáusticos.
A comunhão dos interesses apertou os laços da intimidade. Garcia tornou-se familiar na casa; ali jantava quase todos os dias, ali observava a pessoa e a vida de Maria Luísa, cuja solidão moral era evidente. E a solidão como que lhe duplicava o encanto. Garcia começou a sentir que alguma coisa o agitava, quando ela aparecia, quando falava, quando trabalhava, calada, ao canto da janela, ou tocava ao piano umas músicas tristes. Manso e manso, entrou-lhe o amor no coração. Quando deu por ele, quis expeli-lo para que entre ele e Fortunato não houvesse outro laço que o da amizade; mas não pôde. Pôde apenas trancá-lo; Maria Luísa compreendeu ambas as coisas, a afeição e o silêncio, mas não se deu por achada.
No começo de outubro deu-se um incidente que desvendou ainda mais aos olhos do médico a situação da moça. Fortunato metera-se a estudar anatomia e fisiologia, e ocupava-se nas horas vagas em rasgar e envenenar gatos e cães. Como os guinchos dos animais atordoavam os doentes, mudou o laboratório para casa, e a mulher, compleição nervosa, teve de os sofrer. Um dia, porém, não podendo mais, foi ter com o médico e pediu-lhe que, como coisa sua, alcançasse do marido a cessação de tais experiências.
Maria Luísa acudiu, sorrindo:
Garcia alcançou prontamente que o outro acabasse com tais estudos. Se os foi fazer em outra parte, ninguém o soube, mas pode ser que sim. Maria Luísa agradeceu ao médico, tanto por ela como pelos animais, que não podia ver padecer. Tossia de quando em quando; Garcia perguntou-lhe se tinha alguma coisa, ela respondeu que nada.
Não deu o pulso, e retirou-se. Garcia ficou apreensivo. Cuidava, ao contrário, que ela podia ter alguma coisa, que era preciso observá-la e avisar o marido em tempo.
Dois dias depois, - exatamente o dia em que os vemos agora, - Garcia foi lá jantar. Na sala disseram-lhe que Fortunato estava no gabinete, e ele caminhou para ali; ia chegando à porta, no momento em que Maria Luísa saía aflita.
Garcia lembrou-se que na véspera ouvira ao Fortunato queixar-se de um rato, que lhe levara um papel importante; mas estava longe de esperar o que viu. Viu Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda. Na direita tinha uma tesoura. No momento em que o Garcia entrou, Fortunato cortava ao rato uma das patas; em seguida desceu o infeliz até a chama, rápido, para não matá-lo, e dispôs-se a fazer o mesmo à terceira, pois já lhe havia cortado a primeira. Garcia estacou horrorizado.
E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado, chamuscado, e não acabava de morrer. Garcia desviou os olhos, depois voltou-os novamente, e estendeu a mão para impedir que o suplício continuasse, mas não chegou a fazê-lo, porque o diabo do homem impunha medo, com toda aquela serenidade radiosa da fisionomia. Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida.
Garcia, defronte, conseguia dominar a repugnância do espetáculo para fixar a cara do homem. Nem raiva, nem ódio; tão-somente um vasto prazer, quieto e profundo, como daria a outro a audição de uma bela sonata ou a vista de uma estátua divina, alguma coisa parecida com a pura sensação estética. Pareceu-lhe, e era verdade, que Fortunato havia-o inteiramente esquecido. Isto posto, não estaria fingindo, e devia ser aquilo mesmo. A chama ia morrendo, o rato podia ser que tivesse ainda um resíduo de vida, sombra de sombra; Fortunato aproveitou-o para cortar-lhe o focinho e pela última vez chegar a carne ao fogo. Afinal deixou cair o cadáver no prato, e arredou de si toda essa mistura de chamusco e sangue.
Ao levantar-se deu com o médico e teve um sobressalto. Então, mostrou-se enraivecido contra o animal, que lhe comera o papel; mas a cólera evidentemente era fingida.
"Castiga sem raiva", pensou o médico, "pela necessidade de achar uma sensação de prazer, que só a dor alheia lhe pode dar: é o segredo deste homem".
Fortunato encareceu a importância do papel, a perda que lhe trazia, perda de tempo, é certo, mas o tempo agora era-lhe preciosíssimo. Garcia ouvia só, sem dizer nada, nem lhe dar crédito. Relembrava os atos dele, graves e leves, achava a mesma explicação para todos. Era a mesma troca das teclas da sensibilidade, um diletantismo sui generis, uma redução de Calígula.
Quando Maria Luísa voltou ao gabinete, daí a pouco, o marido foi ter com ela, rindo, pegou-lhe nas mãos e falou-lhe mansamente:
E voltando-se para o médico:
Maria Luísa defendeu-se a medo, disse que era nervosa e mulher; depois foi sentar-se à janela com as suas lãs e agulhas, e os dedos ainda trêmulos, tal qual a vimos no começo desta história. Hão de lembrar-se que, depois de terem falado de outras coisas, ficaram calados os três, o marido sentado e olhando para o teto, o médico estalando as unhas. Pouco depois foram jantar; mas o jantar não foi alegre. Maria Luísa cismava e tossia; o médico indagava de si mesmo se ela não estaria exposta a algum excesso na companhia de tal homem. Era apenas possível; mas o amor trocou-lhe a possibilidade em certeza; tremeu por ela e cuidou de os vigiar.
Ela tossia, tossia, e não se passou muito tempo que a moléstia não tirasse a máscara. Era a tísica, velha dama insaciável, que chupa a vida toda, até deixar um bagaço de ossos. Fortunato recebeu a notícia como um golpe; amava deveras a mulher, a seu modo, estava acostumado com ela, custava-lhe perdê-la. Não poupou esforços, médicos, remédios, ares, todos os recursos e todos os paliativos. Mas foi tudo vão. A doença era mortal.
Nos últimos dias, em presença dos tormentos supremos da moça, a índole do marido subjugou qualquer outra afeição. Não a deixou mais; fitou o olho baço e frio naquela decomposição lenta e dolorosa da vida, bebeu uma a uma as aflições da bela criatura, agora magra e transparente, devorada de febre e minada de morte. Egoísmo aspérrimo, faminto de sensações, não lhe perdoou um só minuto de agonia, nem lhos pagou com uma só lágrima, pública ou íntima. Só quando ela expirou, é que ele ficou aturdido. Voltando a si, viu que estava outra vez só.
De noite, indo repousar uma parenta de Maria Luísa, que a ajudara a morrer, ficaram na sala Fortunato e Garcia, velando o cadáver, ambos pensativos; mas o próprio marido estava fatigado, o médico disse-lhe que repousasse um pouco.
Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se levantou e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento.
Olhou assombrado, mordendo os beiços.
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranqüilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.
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2018.11.20 16:23 GenKyo Eu queria ter um pai

Bom dia a vocês. Descobri esse sub hoje e resolvi vim aqui escrever um pouco sobre mim. Essa é a primeira vez na vida que escrevo algo desse tipo em público. Pra falar a verdade, eu não sei por onde começar. A minha vida está muito confusa no momento. Eu não sei nem se quero continuar vivendo.
Ao contrário do que vocês podem ter pensado sobre o título deste post, meu pai está vivo, mas eu não vejo ele como um pai. Meus pais se divorciaram há mais de 10 anos, durante o início de minha adolescência (hoje tenho 24). Quando isso aconteceu, eu e minha irmã continuamos a morar com minha mãe. Eu já não gostava do meu pai enquanto ele era casado, mas acho que foi depois de divorciado que eu percebi uma das coisas mais importantes da vida: As pessoas não mudam. Ele continuou sendo a mesma pessoa de sempre, e vai continuar até morrer.
Eu acho que não consigo colocar em palavaras o que sinto pelo meu pai, mas vou tentar: Eu não gosto dele. Eu não confio nele. Eu não me sinto fisicamente seguro perto dele. Eu já falei pra ele por telefone que eu queria que ele morresse, quando eu ainda tinha uns 14 anos. Aquele homem é um sociopata, e eu não estou falando isso de brincandeira. Ele realmente é um sociopata. Ele me fez sofrer muito quando eu era mais novo por causa das louquices dele, e isso eu nunca vou perdoar. Faz muitos anos que não vejo nem escuto a voz... daquele homem.
Honestamente, eu acho que a figura de um pai na família é de extrema importância, principalmente para um filho. Eu acho que eu seria uma pessoa muito diferente hoje se eu tivesse um pai presente, que realmente me amasse. O "amor" dele é um amor vazio. O pior de tudo é que ele acha que não fez nada de errado. Na cabeça dele, ele foi o melhor pai do mundo e é a vítima da situação. Eu vou colocar aqui uma citação do rapper americano Tupac, que acho que expõe de forma bem clara como sinto:
Mas eu sei como fato que, se eu tivesse tido um pai, eu teria alguma disciplina. Eu teria mais confiança. Sua mãe não pode acalmá-lo do jeito que um homem pode. Sua mãe não pode tranquilizá-lo como um homem pode. Minha mãe não pôde me mostrar onde estava minha masculinidade. Você precisa de um homem para ensinar a você como ser um homem.
Eu acho que todas a minhas insecuridades da vida partem a partir daí. Eu não tenho confiança nenhuma. Não tenho motivação nenhuma. Recentemente eu descobri que a idiota da minha irmã ainda conversa escondido com meu pai. Ou ela se esqueceu do passado, ou não se importa. De qualquer forma, também não confio nela. Eu não tenho família nenhuma. Recentemente também perdi a amizade de 4 anos do meu melhor amigo na vida... eu não sei o que fazer. Não quero mais viver. Eu tenho uma simpatia muito grande com que se suicida. Ninguém pede pra nascer, então ninguém deveria ser desprezado por querer morrer.
Eu não sei o que fazer. Minha vida está completamente parada e também não quero continuar vivendo. Eu sei que não devemos apontar o dedo pros outros pelos problemas de nossas próprias vidas, mas acredito do fundo do meu coração que se eu tivesse um pai (a figura de um homem) junto comigo, a minha vida teria seguido um rumo bem melhor.
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2018.02.16 01:56 antoniobrasileiro Sem direção...Fui traído.

Senta que la vai textão: Faz 10 anos que estou casado com minha esposa. Temos um filho de 10, namoramos pouco tempo, ela ainda era virgem, e eu já tinha vivido outros relacionamentos, (temos uma diferença de 7 anos). Quando descobrimos que ela estava gestante resolvi que casaríamos, confesso que logo no início eu apenas gostava dela, mas sabia que ela era uma pessoa boa de coração, eu já estava cansado de badalação, queria encontrar alguém pra compartilhar uma vida. Então conversamos, disse que estava disposto a casar com ela, e ela aceitou. No início foi muito difícil a convivência, pois sou um cara que gosta das coisas certas, às vezes até demais. Ela cresceu vendo sua mãe ser auto suficiente, de maneira que quando pedia pra fazer algo diferente, de outra maneira, ela achava que eu queria mandar nela, botar ordem. Nunca foi minha intenção, eu apenas queria orientá-la para que as coisas não dessem errado. A família dela é bem humilde, isso nunca foi problema pra mim, porém ela acha que minha mãe não queria que casasse com ela, acha que minha mãe sempre fala algo pra tentar machucá-la, e sinceramente tenho certeza que não é isso. Mas enfim, a questão é que vira e mexe acabamos tendo brigas por conta disso, e o mais engraçado é que a briga é por causa da minha família, que ela começa por conta desses achismos, às vezes porque acha que a madrinha do nosso filho (minha irmã) está mimando demais ele, dando muito presente fazendo as vontades. Graças a Deus as brigas que eram por nós mesmos diminuíram bastante. Eu nunca a proibi de nada, mesmo! Eu sempre a deixei fazer e comprar oque ela queria . Temos uma vida confortável, meu trabalho apesar de ser necessário que esteja constantemente viajando remunera bem, com isso ela nunca precisou trabalhar. Mas ela não é dondoca, de só ficar em casa sem fazer nada, ela me ajuda muito cuidando da casa, e agora tomando conta do negócio que montamos (guardando dinheiro) quando estou fora. Depois que nosso filho fez dois anos ela quis fazer faculdade de educação física, eu dei o maior apoio pra ela. Lá no fundo eu sabia que a desgraça viria deste curso, eu nunca disse isso a ela. Enquanto ela estava fazendo o curso eu nunca desconfiei de nada, com exceção de uma vez que ela disse que ia pra faculdade, aconteceu um imprevisto e tive que ir lá pegar ela. O campus da faculdade é bem grande, eu sabia quais eram as salas que ela tinha aula, mesmo assim eu não a encontrei. Liguei várias vezes o telefone só chamou, quando eu já estava voltando pra casa, ela me ligou, disse que estava na parada de ônibus próximo. Perguntei onde ela estava, ela disse que estava no laboratório, e eu realmente não tinha ido lá, já que não sabia onde ficava. Em 2015 sofri muita pressão no meu trabalho, pois minha empresa estava prestes a perder um importante contrato, e além disso tinha conseguido uma vaga muito difícil em curso que me possibilitaria ascender em minha carreira. Como a instabilidade na minha empresa estava crescendo, isso significava que teria que arcar com todas as despesas sem trabalhar durante 6 meses. Pra completar o cenário, a crise veio com força, e começou a surgir histórias de que o curso seria cancelado. Fiquei uma pilha de nervos, pois ficaria desempregado, não faria o curso e sem perspectiva nenhuma de emprego, pois na função que estava não apareciam vagas. Confesso que nem eu estava me suportando às vezes, eu transferi um pouco dessa pressão pra ela. No final de 2015 fui demitido, e no início de 2016 saiu a resposta que eu mais esperava, o curso seria realizado! Fiquei um pouco aliviado, mas a crise se aprofundou na minha área, e as vagas que apareciam para posições superiores também minguaram. O curso seria realizado em uma cidade onde conheci minha primeira namorada, porém, ela já não vivia mais lá, morava em uma cidade no mesmo estado porém a várias horas de distância. Além disso já não gostava dela há muito tempo, eu estava casado e minha ex namorando. Nessa cidade ainda moram muitos amigos meus de faculdade, que não os via fazia tanto tempo. Foi natural que eles me convidassem pra ir assar uma carne e tomar cerveja, sair pra um barzinho, e ir uma vez em um show. De uma vez que sai com meus amigos, passei bastante tempo com eles, meu telefone descarregou. No outro dia ela me ligou dizendo que eu tinha ido me encontrar com a ex. Durante o curso todo ela achou que eu estava fazendo coisa errada...Sinceramente depois do que descobri, queria ter feito. A verdade é que depois que casei com ela, nunca estive com outra mulher, nem mesmo beijei outra mulher. Acho que ela não acredita nisso… Durante o tempo que estava realizando o curso apareceu a oportunidade de montarmos o negócio que estamos tocando. Não tinha como eu tocar a obra de outra cidade, então ela ficou encarregada disso, com meu auxílio pelo telefone. Tivemos muitas brigas por causa das obras, porque muitas vezes ela queria fazer do jeito que ela achava, e muitas vezes errado, sendo que eu explicava tudo pra ela como deveria ser feito pra não ter desperdícios, pra não estourar nosso orçamento e nem atrasar as obras. No final das contas inauguramos nosso empreendimento, e está indo muito bem obrigado. Sempre foi meu sonho poder um dia largar meu trabalho e poder trabalhar perto dela e do meu filho, ter uma vida estável sem precisar me ausentar. A empresa inaugurou em outubro de 2016, atrasou um pouco, mas sem maiores consequências. Nesse meio tempo o curso já havia terminado, e eu estava empregado novamente na posição que o curso me proporcionou. Gente, vocês não têm noção de como eu fiquei mais leve, relaxado, aquele peso todo que sentia estava finalmente saindo das minhas costas. Algumas brigas ainda existem por conta do negócio, mas normal, nada sério, nessa parte sabemos que os assuntos do negócio têm que permanecer lá depois que fechamos as portas no final do dia. O ano de 2017 veio de uma forma muito boa, pelo menos pra mim. Teve uma vez que nos desentendemos feio. Foi ela que começou a puxar assunto sobre minha irmã, aquela mesma história que já falei, ela achar que a madrinha denga muito o sobrinho. Nesse dia senti que ela estava arrumando um pretexto pra arrumar confusão comigo, passou uma duas horas falando, e queria que eu ligasse pra minha irmã pra reclamar sobre o assunto. Não fiz, até porque era ela que estava incomodada com a situação, e além disso o filho não é só meu. Às vezes temos algumas brigas sérias por conta do nosso filho, porque ela muitas vezes espera que eu o corrija...Costumo dizer que ela só quer os momentos bons com ele...Acredito ser verdade, pois muitas vezes quando ele está fazendo mal criação, ela grita de lá: “olha marido oque teu filho tá fazendo”. Caramba, isso me dá nos nervos, quando o filhote faz isso comigo não espero por ela. Eu o corrijo na mesma hora. E ela muitas vezes não faz, ou me chama pra dar bronca. Agora nem vou mais, só faço falar: “Te vira! É teu filho também”. Antes de tudo quero que ele cresça um homem íntegro, respeitador e honesto. Aí veio agosto de 2017, meu mundo veio a baixo. A felicidade que sentia, quando estava em casa com eles, minha esposa e filho, ao vê-los correndo pela casa, quando eu estava brincando com eles na cama de fazer cócegas era muito grande. Eu dizia só pra mim: “Obrigado meu Deus por me dar tanta felicidade”. Se no início eu apenas gostava dela, naquele momento eu a amava demais. Tudo isso acabou! Descobri que ela estava me traindo com um ex professor da faculdade. E pra completar ele mora na rua de trás de casa. No início ela tentou negar tudo, dizendo que era invenção da minha cabeça. Mas eu tinha provas, e contra provas não há argumentos. Ela tentou esconder quem era a pessoa no início, tentou dizer que saiu só aquela vez que descobri...Mas aos poucos, por conta própria, descobri que ela já vinha saindo com o cara desde 2015, lembra da pressão que estava sofrendo? Pois é, e essa história toda de estarmos sofrendo pressão, foi oque ela diz ter causado a traição. Quando estive fazendo o curso, ela saiu várias vezes com ele, e depois me alegou que era porque achava que estava saindo com minha ex. Em maio de 2017 foi a última vez que ela diz ter saído com ele. Aqui eu preciso fazer um parêntese: Mais ou menos em 2013, não lembro bem a data, sério, a ex entrou em contato comigo, ai acabou que fizemos várias chamadas pelo skype, e ficamos nus um para outro. Rolou masturbação, confesso. Mas parou aí. Nunca mais encontrei com ela, e depois disso também não falei mais com ela. Logo depois que aconteceu as chamadas de skype, me arrependi muito, não é uma coisa que sinto orgulho. Mas também até eu descobrir a traição da minha esposa, eu ainda não tinha contado pra ela oque havia ocorrido. Ou seja, teoricamente, ela não teria motivos reais pra me trair, porque ela nem desconfiava. Brigamos muito, xingamos um ao outro. Eu chorei muito, ela também. Ela diz que sempre me amou, nunca deixou de gostar de mim. Que acha que foram coisas que deveria ter feito enquanto era solteira. Estamos juntos, ainda gosto muito dela...Tenho medo de perder minha família… Mas fico muito receoso de quebrar a cara novamente. Às vezes sinto que fui duplamente sacaneado por ela, porque se eu quiser me separar dela, terei que abrir mão também do meu sonho, de trabalhar perto de casa. Não existe um dia que não pense no que ela fez, no que ela pode ter feito com o cara. Me sinto muito humilhado. Estamos junto, mas por enquanto não consigo me ver novamente com ela como antes, os dois velhinhos… Ela toda curvadinha e eu segurando ela pelo braço...Cara é foda! Que vontade de chorar! Sinto meu orgulho ferido...Eu posso não ser o melhor homem do mundo, mas também sei que não merecia isso, sei que a opção de fazer foi totalmente dela, independente das pressões, brigas e dificuldades que tenhamos passado. Eu fiz uma viagem com ela agora para um destino romântico, foi legal...Mas...Depois disso tudo sempre tem o “mas”. Essa semana briguei feio com ela novamente, não estou em casa, estou trabalhando…Sinceramente não sei oque fazer. Já tentamos psicóloga, mas acho que não adiantou muito não. A verdade é que às vezes queria machucá-la, fazê-la sentir oque eu sinto às vezes. Essa semana instalei tinder e esses outros app, queria me sentir valorizado. Às vezes me vejo fazendo e dizendo coisas pra ela só pra ver se ainda gosta de mim. Me sinto ridículo quando percebo. Teve ocasiões em que até pensei em inventar pra ela que estive com a ex. Agora estou pensando em fazer uma viagem sozinho, pra um lugar bem distante quando sair do trabalho. Penso que preciso de um tempo só comigo mesmo. Queria opiniões e maneiras de pensar de pessoas que não façam parte do meu convívio. Por isso postei aqui.
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